A Avon lançou a Avon Trends, uma plataforma para monitorar fenômenos de consumo globais — especialmente a K-beauty — e transformá-los em lançamentos do portfólio, estreando com a coleção Avon Sweets e a Máscara de Colágeno Renew, inspiradas na estética coreana de “glass skin”; a iniciativa se apoia no crescimento de buscas por K-beauty no Brasil (aproximadamente 70% em 2025 ante 2024) e reflete uma tendência mais ampla de grandes marcas atuando como tradutoras de tendências globais, como visto também pela L’Oréal Paris com Glass Skin, além de parallels com Natura e Grupo Boticário que têm investido em perfumaria árabe, demonstrando que a inovação na indústria de beleza hoje envolve monitorar fenómenos culturais para levá-los rapidamente ao mercado de massa por meio de plataformas digitais.
Resumo supervisionado por jornalista.A Avon escolheu a K-beauty para inaugurar uma nova frente de inovação. A marca lançou a Avon Trends, plataforma criada para acompanhar fenômenos de consumo que ganham relevância entre consumidores ao redor do mundo e transformá-los em lançamentos para seu portfólio. A estreia acontece com a coleção de maquiagem Avon Sweets e uma edição limitada da Máscara de Colágeno Renew, ambos inspirados em conceitos que ajudaram a popularizar a beleza sul-coreana globalmente. A estratégia faz ainda mais sentido quando se sabe que, segundo o Google Trends, as buscas por K-beauty cresceram cerca de 70% em 2025 no Brasil na comparação com 2024, atingindo níveis recordes de interesse.
A criação da Avon Trends chama atenção porque formaliza uma estratégia que vem ganhando espaço na indústria da beleza. Durante décadas, grandes fabricantes concentraram seus esforços em desenvolver tendências proprietárias e criar novas categorias de produto. Hoje, sem abandonar a inovação própria, as empresas também passaram a monitorar fenômenos culturais que surgem em outros mercados e ganham força nas redes sociais. A lógica é simples: quando uma tendência alcança escala global, ela frequentemente chega ao mercado acompanhada de consumidores já familiarizados com seus códigos, linguagem e benefícios. Com isso, o desafio deixa de ser criar interesse do zero e o foco passa a ser transformar esse desejo em produtos capazes de alcançar o mercado de massa por meio da força das grandes marcas.
Da Coreia para as grandes marcas
A influência da K-beauty deixou de ser restrita às marcas especializadas e passou a orientar estratégias de grandes empresas globais. É o caso da L’Oréal Paris, que lançou a linha Glass Skin, assumidamente inspirada na estética coreana. O conceito foi incorporado à comunicação da marca em diferentes mercados, mostrando como uma tendência nascida na Coreia do Sul passou a integrar o planejamento de multinacionais de alcance global.
Na Avon, essa influência aparece tanto na coleção Avon Sweets quanto na Máscara de Colágeno Renew. Enquanto a maquiagem aposta em texturas diferenciadas e produtos multifuncionais para lábios e rosto, a máscara explora justamente uma das tendências mais associadas à K-beauty: a glass skin, visual marcado por uma pele luminosa, uniforme e intensamente hidratada.

Tendências globais viram negócio
A estratégia adotada pela Avon também encontra paralelos recentes no mercado brasileiro. Nos últimos meses, Natura e Grupo Boticário ampliaram suas apostas na perfumaria árabe, categoria que ganhou forte visibilidade nas redes sociais e passou a despertar o interesse dos consumidores.
A Natura lançou o Essencial Safran, fragrância desenvolvida em parceria com perfumistas em Dubai e inspirada na tradição olfativa do Oriente Médio. A própria companhia reconheceu que a iniciativa buscava dialogar com o interesse crescente dos consumidores pela perfumaria árabe, tendência impulsionada por conteúdos que viralizaram nas redes sociais.
Já o Grupo Boticário transformou o segmento em uma de suas principais apostas recentes, com iniciativas como a marca Hadiya e outras linhas inspiradas no universo árabe, acompanhadas de investimentos acima da média da categoria.

Foto: divulgação
Em comum, essas apostas mostram uma mudança importante na forma como as grandes empresas se relacionam com a inovação: em vez de atuar apenas como criadoras de tendências, elas também passaram a funcionar como tradutoras de fenômenos globais já validados pelo mercado. Para varejistas e fabricantes, o recado é claro. Em um mercado cada vez mais influenciado por plataformas como TikTok e Instagram, tendências que antes levavam anos para atravessar fronteiras agora chegam rapidamente aos consumidores brasileiros. E as empresas que conseguem responder rapidamente a esses fenômenos de consumo ganham uma vantagem importante na disputa pela atenção do consumidor.
