A B-Beauty & Wellness, idealizada por Patrícia Lima, pretende transformar a beleza brasileira em uma categoria global, criando uma marca-país baseada em biodiversidade, diversidade, criatividade, bem‑estar e sensorialidade para fortalecer o posicionamento das marcas nacionais no exterior; inspirada na K-Beauty, não para copiar, mas para construir uma narrativa brasileira própria, reunindo marcas sob curadoria e ações de branding, imprensa internacional, conteúdo, eventos e movimentos em mercados estratégicos, sem atuar como consultoria de exportação. O objetivo é que a “beleza brasileira” seja reconhecida internacionalmente como diferencial competitivo, fortalecendo o ecossistema local e aproveitando o momento de crescimento das exportações do setor, com iniciativas previstas em Copenhagen Fashion Week, NY Fashion Week, pop‑up em Miami, COP31 e um evento na B3, nos próximos 18 a 24 meses.
Resumo supervisionado por jornalista.O Brasil é hoje o terceiro maior mercado de beleza e cuidados pessoais do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China, segundo a Euromonitor International. Ainda assim, o país nunca conseguiu transformar a beleza brasileira em uma categoria reconhecida internacionalmente, como aconteceu com a K-Beauty, movimento que projetou a Coreia do Sul – um mercado que sequer figura entre os dez maiores consumidores globais do setor – como uma das principais referências mundiais em cosméticos. E a estratégia continua evoluindo. Depois de consolidar a liderança em skincare, a indústria local já trata as fragrâncias como seu próximo motor de crescimento.
Foi observando justamente esse movimento que Patrícia Lima começou a desenhar a B-Beauty & Wellness. Ao perceber que o Brasil reúne atributos para ocupar um espaço semelhante – e em um momento em que o país desperta crescente interesse internacional por sua cultura, biodiversidade e criatividade –, a empresária, conhecida por fundar a Simple Organic, decidiu criar uma plataforma para fortalecer o posicionamento da beleza brasileira no exterior. A estratégia aposta em atributos como biodiversidade, diversidade, criatividade e bem-estar para construir uma proposta de valor compartilhada que fortaleça a competitividade das marcas nacionais no exterior.
Mais do que promover marcas individualmente, a iniciativa pretende fortalecer o reconhecimento da beleza brasileira como um diferencial competitivo para a indústria nacional. Na prática, a proposta é fazer com que “beleza brasileira” deixe de identificar apenas produtos fabricados no país e passe a funcionar como um selo de origem e valor reconhecido internacionalmente, assim como acontece hoje com a K-Beauty. “Antes de vender produtos, precisamos construir uma percepção forte sobre quem somos enquanto categoria de beleza”, afirma Patrícia.
Inspiração na K-Beauty, mas com identidade brasileira
A ideia da B-Beauty começou a ganhar forma há cerca de dois anos, quando Patrícia Lima passou a observar o movimento de países que vêm investindo de forma coordenada na internacionalização de suas indústrias de beleza, especialmente a Coreia do Sul.
Na avaliação da empresária, o sucesso da K-Beauty não está apenas na qualidade dos produtos, mas na construção de uma marca-país reconhecida internacionalmente, resultado de uma estratégia que envolveu indústria, comunicação, cultura e presença global. “O K-Beauty se tornou essa potência porque eles são organizados, todos juntos olhando para o mesmo lado”, explica.
Ela avalia que o Brasil já conta com instituições dedicadas à internacionalização da indústria, mas acredita que ainda falta uma articulação capaz de reunir diferentes perfis de marcas em torno de um posicionamento conjunto e de dar mais visibilidade também às empresas independentes.
A empresária esclarece ainda que a proposta da B-Beauty não é reproduzir o modelo coreano, mas criar uma narrativa própria para o Brasil, baseada em atributos que fazem parte da identidade nacional, como biodiversidade, diversidade étnica, criatividade, bem-estar e sensorialidade. “A beleza brasileira não é minimalista nem discreta. Ela é sensorial, diversa, vibrante e profundamente conectada à natureza.”
Momento favorece a B-Beauty
O lançamento da plataforma acontece em um momento de fortalecimento da indústria brasileira no mercado internacional. Segundo dados da ABIHPEC, com base na Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC), o setor de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 1 bilhão em exportações em 2025, chegando a quase 200 países. Os produtos para cabelos lideraram esse avanço, com crescimento de 20% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, cresce o interesse internacional por temas fortemente associados ao Brasil, como biodiversidade, ingredientes naturais, sustentabilidade, diversidade e bioeconomia.
Para Patrícia Lima, essa combinação cria uma oportunidade inédita para fortalecer a presença da beleza brasileira no exterior. “O mundo está olhando para o Brasil. Temos ingredientes únicos, conhecimento técnico, diversidade e uma cultura muito rica. Falta transformar tudo isso em um atributo reconhecido internacionalmente.”
Mais branding, menos exportação
Apesar de ter como objetivo ampliar a presença internacional das marcas brasileiras, a B-Beauty não pretende atuar como consultoria de exportação nem substituir programas de internacionalização já existentes. Segundo Patrícia, o foco da plataforma será trabalhar a construção de reputação da beleza brasileira por meio de ações de branding, relacionamento com imprensa internacional, criadores de conteúdo, compradores, eventos culturais, semanas de moda e ativações em mercados estratégicos. “A ideia é criar desejo pela beleza brasileira. As oportunidades comerciais devem surgir como consequência desse trabalho”, justifica.
A plataforma também pretende fortalecer o protagonismo dos fundadores das marcas, entendendo que suas histórias ajudam a construir credibilidade e autenticidade para a categoria.
Espaço para diferentes marcas
Na avaliação de Patrícia Lima, o Brasil já possui instituições importantes voltadas à internacionalização da indústria. Ainda assim, ela acredita que há espaço para uma iniciativa capaz de reunir empresas de diferentes portes em torno de uma estratégia comum de posicionamento.
Segundo a empresária, muitas marcas independentes construíram comunidades fortes e dialogam diretamente com seus consumidores, mas ainda encontram pouca representatividade em iniciativas coletivas de promoção internacional. A B-Beauty pretende aproximar esses diferentes atores e construir uma estratégia coletiva de posicionamento para a beleza brasileira.
A participação na plataforma acontecerá por curadoria. As marcas serão selecionadas por Patrícia Lima e por um conselho formado por especialistas, considerando critérios como propósito, diferenciação, potencial internacional e alinhamento com pilares como brasilidade, inovação, sustentabilidade e diversidade.
Primeiros passos já têm agenda definida
A estratégia da B-Beauty começa a sair do papel ainda este ano. Entre as ações previstas a partir deste semestre estão ativações durante a Copenhagen Fashion Week, a New York Fashion Week, uma pop-up em Miami, participação na COP31, onde a plataforma pretende apresentar a sustentabilidade como um dos pilares da beleza brasileira, além de um evento na B3, a bolsa de valores brasileira, voltado ao mercado financeiro.
Segundo Patrícia, os próximos 18 a 24 meses serão dedicados à construção dessa estratégia coletiva e à articulação entre marcas, parceiros e formadores de opinião.
Transformar a beleza brasileira em valor
Para Patrícia Lima, o sucesso da iniciativa não será medido apenas pelo aumento das exportações, mas pela capacidade de fazer com que a beleza brasileira passe a representar um diferencial competitivo para as marcas, como acontece hoje com a K-Beauty.
Isso também envolve entender quais empresas já estão preparadas para atuar internacionalmente, quais precisarão adaptar fórmulas ou embalagens para atender exigências regulatórias e como ampliar a comunicação da beleza brasileira junto a consumidores, influenciadores e compradores globais. “Não adianta ficar exportando produto. Temos marcas que já fazem isso de forma independente e muito bem. O que queremos é exportar nossa brasilidade”, reforça ela.
