A história do Príncipe do Maracá começa muito antes do reconhecimento nas redes sociais e das salas cheias em workshops. Começa com Everthon Santos Borba, 26 anos, pai de Eduarda e Gael, morador do extremo da Zona Sul de São Paulo e dono de uma trajetória que une técnica, superação e generosidade. Segundo ele, o personagem que conquistou o país nasceu de uma lacuna real no mercado. Como explica, “o Príncipe do Maracá nasceu de uma necessidade que eu acabei enxergando dentro do mercado da barbearia, onde quase nenhum profissional realizava esse tipo de corte”.
Longe das câmeras, Everthon revela uma personalidade leve e acessível. “O Everthon por trás das câmeras nada mais é do que um rapaz de bom coração, alegre, divertido, que gosta de deixar as energias dos lugares onde ele frequenta pra cima”, diz. O barbeiro conta que seus valores pessoais sempre guiaram sua postura profissional, reforçando a ideia de que técnica e caráter caminham juntos. “Se a gente não é um bom ser humano na vida pessoal, dificilmente vai ser um bom ser humano na vida profissional”.
A formação do Príncipe do Maracá passa por vivências de infância e juventude que moldaram sua visão sobre disciplina, persistência e propósito. Cada etapa dessa trajetória foi, segundo ele, um ponto de construção para o educador e profissional que se tornaria no futuro.
Quando a barbearia vira destino: começos, desafios e escolhas difíceis
O ingresso de Everthon no universo da barbearia não aconteceu por paixão imediata, mas por necessidade. Ele lembra que sempre trabalhou desde cedo e buscava independência financeira. A oportunidade surgiu quando seu pai sugeriu que fizesse um curso de cabeleireiro. “Eu nunca quis entrar no ramo de cabeleireiro ou barbeiro, mas de tanto meu pai insistir, eu decidi entrar no curso”. O início foi marcado por dúvidas e pouca identificação, mas a virada aconteceu quando ele percebeu o quanto já havia investido. Como relata, “quando chegou perto do final do curso, percebi que já tinha investido muita grana e principalmente o meu tempo”.

Os primeiros passos foram repletos de dificuldades. Everthon escolheu empreender desde o início, abrindo sua própria barbearia logo após concluir o curso. Sem experiência prática suficiente, enfrentou críticas duras e muitos momentos de insegurança. “Em muitas ocasiões no começo da minha carreira, sim, eu pensei em desistir”, lembra. Curiosamente, foram as críticas que o fizeram seguir em frente. Ele conta que a vontade de contrariar as expectativas negativas se tornou combustível. “Eu trabalhava o dobro para provar que eu tinha potencial”.
O primeiro marco da carreira foi perceber seu impacto local. Ele conseguiu levar cortes inéditos e novas técnicas para sua região, inspirando outros profissionais. Esse reconhecimento inicial abriu caminho para a construção de uma carreira que hoje ultrapassa fronteiras geográficas e digitais.
Do barbeiro ao educador: a construção de uma autoridade no mercado
Se a barbearia foi o ponto de partida, a educação se tornou o propósito maior. Everthon relata que a transição para o papel de educador foi desafiadora. “Eu ainda era muito novo e não tinha maturidade construída. Não sabia me posicionar como educador”, afirma. Ele desenvolveu essa habilidade como aprendeu praticamente tudo em sua trajetória: errando, aprendendo e mantendo a constância.

Hoje, Everthon celebra o marco de mais de 10 mil alunos impactados. Para ele, esse número vai muito além de certificados. “Significa 10 mil vidas mudadas”, diz. Sua filosofia é clara: não é sobre ensinar tudo, mas sobre transformar ao menos 1 por cento da vida de cada pessoa. Esse impacto se revela em histórias emocionantes, como a do aluno que foi à Barber Week apenas com o dinheiro da condução. “Chorei bastante”, conta Everthon ao lembrar da trajetória de superação do jovem e de seu pai.
Seu trabalho com equipes como IG Barber e Galaxy Company se baseia em criatividade, estratégia e alinhamento com marcas. Everthon afirma que sua especialidade hoje não é mais o corte em si. “Minha verdadeira especialidade é ajudar, agregar conhecimento e acelerar o crescimento de profissionais”. Essa expertise veio da dedicação e da constância que ele tanto prega.
As referências que moldaram a carreira do Príncipe do Maracá
Para Everthon, ninguém se constrói sozinho. Desde 2017, ele coleciona referências que ajudaram a direcionar seu estilo, sua didática e sua postura. Ele cita nomes que foram fundamentais em sua formação, como Allan Kalisto, Eduardo Miller, Murilo Pastore, Daniel Tubarão, Fabiano Coruja e Seu Elias. “Eu sempre enxerguei da seguinte maneira: eu quero estar no palco como essas pessoas”.

Mais do que seguir os passos desses profissionais, Everthon analisou como eles construíram suas carreiras e absorveu conselhos que ressoavam com seus próprios valores. Nem todas as referências se mantiveram com o tempo, mas todas contribuíram de alguma forma para a formação do educador que ele se tornou. Da combinação desses influenciadores com suas próprias vivências, surgiu sua didática única, capaz de aproximar, inspirar e formar milhares de barbeiros pelo país.
Quando o conteúdo ganha o mundo: o impacto social da sua mensagem
O alcance do trabalho do profissional ultrapassou fronteiras físicas e digitais. Ele se surpreende com a dimensão do impacto. “Se a gente parar para analisar, é maluco”, afirma. Suas redes sociais atraem profissionais de áreas diversas, e as mensagens que recebe diariamente refletem tanto admiração quanto pedidos de ajuda. Muitos procuram orientação em momentos de dúvida, e ele se posiciona como motivador realista, lembrando sempre que “a vida é uma montanha-russa”.
A virada de chave aconteceu quando grandes emissoras o procuraram para entrevistas e documentários. “Foi quando percebi que meu trabalho tinha saído da barbearia e ganhado o mundo”. O que mais o emociona é saber que participa da história de tantas pessoas. “Saber que marquei a vida delas me sensibiliza profundamente”.

Sua grande motivação vem de uma fonte íntima: seu pai. Everthon conta que ele foi o responsável por colocá-lo na profissão, mas faleceu antes de vê-lo nos palcos. “Várias vezes pensei em desistir depois que ele faleceu, mas encontrei nisso uma motivação para não parar”.
O futuro da barbearia
Para Everthon, o mercado evoluiu muito e ainda tem um grande potencial de crescimento. Segundo ele, muitos barbeiros ainda não enxergam a barbearia como uma empresa, o que impede que o setor avance no ritmo que poderia. O profissional do futuro, na sua visão, precisará investir em estrutura, atendimento, postura e conhecimento. “O barbeiro que não sair da zona de conforto vai ficar para trás”.
Ele acredita que tendências clássicas continuarão fortes, mas o diferencial estará no profissionalismo e na experiência. Cortar bem será apenas o básico. A evolução virá do estudo, da constância e da capacidade de entregar excelência do atendimento ao ambiente.
Conhecimento, para ele, é inegociável. “Não é opcional. É obrigação”, afirma.
A constância como chave de tudo
Ao deixar seu conselho para quem está começando, Everthon resume sua visão de mundo e profissão. “Não desistir. Isso você já ouviu mil vezes. Mas o segredo real não é só esse. O segredo é ser constante”. Ele reforça que energia demais no início pode levar ao esgotamento, e que o caminho é feito de ritmo, não de explosão.

Sobre como quer ser lembrado, ele não hesita: deseja ser reconhecido pelo impacto que gerou nas pessoas. “Eu quero ser lembrado como alguém que conseguiu, de algum jeito, transformar o caminho de outras pessoas”.
Sua trajetória mostra que técnica e talento são importantes, mas o que realmente constrói legados são valores, constância e propósito.

Triskle