Varejo

Beauty Fair apresenta pesquisa inédita sobre o mercado de perfumarias no Brasil

60% das perfumarias têm dez mil ou mais SKUs, o que se configura como desafio para manter mix de produtos atualizado, sem perder essência do canal.

Pesquisa Beauty Fair
Por Ligia Favoretto em 3 de setembro de 2022

A Beauty Fair apresentou uma pesquisa inédita sobre o mercado de perfumaria em seu Fórum Beauty Fair Varejo de Beleza que aconteceu na manhã desta sexta-feira (02/09), no Expo Center Norte, em São Paulo (SP).

O estudo foi realizado com 65 perfumarias, pelo Radar Pesquisas, em agosto de 2022. O objetivo é entender um pouco melhor de perfumaria, que tem uma série de oportunidades e dados que no dia a dia não são olhados e analisados com tanta atenção, além disso: identificar oportunidades, desafios, tendências, vantagens do setor, expectativas de consumo e alguns indicadores que possam mensurar o caminho daqui para a frente.

A amostra foi bem dividida em todas as regiões do Brasil, sendo: 76,9% no Sudestes; 55,4% em São Paulo; 10,8% no Centro-Oeste; 9,2% no Nordeste; e 3,1% no Norte.

Mais da metade das perfumarias do País (53,8%) estão no mercado há mais de 20 anos. De acordo com o diretor geral da Beauty Fair, Cesar Tsukuda, isso mostra que este é um mercado que tem oportunidade de crescimento e longevidade. Segundo ele, são poucas as empresas no Brasil que vivem mais de 20 anos.

Além disso, 55% possui de uma a cinco filiais e um dado muito relevante é que 48% abriu alguma loja no último ano. “Durante o auge da pandemia, metade dos entrevistados estava abrindo lojas. Na crise, na dificuldade sempre aparece alguma oportunidade interessante, em contrapartida, um quatro teve que fechar alguma loja no mesmo período. Pode parecer algo ruim, mas é importante olhar pelo lado do amadurecimento. Quando você tem uma rede com 50, 60, 70 lojas e continua abrindo lojas, é razoavelmente natural que uma ou outra não tenha uma boa performance. Mas a maturidade dos negócios traz um grande questionamento que é: Por que eu não posso mudar uma loja? A realidade do negócio muda, a geografia muda, o interesse do consumidor muda, os hábitos dos consumidores mudam, então é extremamente maduro do ponto de vista empresarial fechar lojas sim. Os grandes varejistas do mundo fecharam lojas e não foram poucos e nem por isso deixaram de ser os maiores varejistas do mundo. Portanto, olhem para os resultados individuais das lojas e, se caso necessários, fechem sim lojas, sem problema algum”, destacou Tsukuda.

Apesar do grande crescimento de lojas em shopping, 66% ainda não têm nenhuma loja nestes estabelecimentos; e 20% têm um quadro de um a cinco funcionários, ou seja, ainda existem bastante perfumarias pequenas, perfumarias de bairro, que trazem mais capilaridade e fortaleza.

Dentro do viés de perfil de loja, foi identificado que 83% são empresas familiares. Cerca de 21% têm Centros de Distribuição (CDs) versus 52% que distribuem loja a loja. Tsukuda pontua que não tem certo nem errado, cada empresário tem de fazer a sua conta, mas a tendência é que a medida que você vai abrindo lojas e, principalmente, fora do seu estado, até por uma questão tributária, é que aconteça a abertura de um CD.

Quase metade (47%) possui Centro Técnico, o que é muito interessante, porque faz parte de uma experiência de consumo construída única e exclusivamente pelo canal perfumaria, o que não acontece nem no farma, muito menos no alimentar. No que diz respeito à distribuição em salão, 32% atua neste formato. Aqui é sempre uma oportunidade, porque ainda há uma carência e precisa de uma distribuição melhor.

Aproximadamente 60% das perfumarias têm dez mil ou mais SKUs. “Aqui talvez seja um dos pontos mais relevantes da pesquisa. Historicamente, a perfumaria sempre foi conhecida por variedade e mix, isso não muda, mas hoje, a oferta de produtos é tão grande, que se você quiser cadastrar um por dia vai faltar dia; sobra produtos, falta dia. Cada vez mais o ciclo dos produtos está mais curto. Tem empresas faturando algumas dezenas de milhões, que não vendem um centavo no mundo físico, só vendem por meio do digital, isso não quer dizer que a loja física vai acabar ou que é o fim do mundo, nada disso, mas não se pode negar que há uma grande necessidade de entender melhor o consumidor e mudar esse mix de uma forma mais ativa, respeitando todas as premissas do fluxo de caixa, esse talvez seja o maior desafio de uma perfumaria, não perder a característica de variedade, mas mantê-la atualizada. Sem dúvida nenhuma, os varejistas que conseguirem implantar essa inteligência vão sair na frente com toda certeza”, afirmou o executivo.