O body splash deixa de ser tendência de nicho para ocupar um novo território da perfumaria, com aumento de lançamentos que reflete uma mudança na lógica de consumo: maior frequência de uso, experimentação e portas de entrada para novas faixas de público. O mercado global é estimado em US$ 6,4 bilhões, e no Brasil a categoria movimentou US$ 193,5 milhões em 2024, com projeção de chegar a US$ 247,4 milhões até 2030. Essa classe, longe de ser apenas uma versão econômica do perfume, permite reaplicação ao longo do dia, facilita a experimentação e incentiva o consumidor a ter múltiplas fragrâncias, ampliando ocasiões de uso e aproximando a perfumação de segmentos como bath/body care e bem‑estar. O digital, especialmente o TikTok, auxilia a descoberta, tornando o body splash porta de entrada para a marca e para universos como a perfumaria árabe, licenciamento e cultura pop. As marcas indicam estratégias de sortimento, variedade olfativa e formatos visuais diferenciados, expandindo o conceito para além da fragrância, com oportunidades em body care, presentes e demais produtos olfativos.
Resumo supervisionado por jornalista.Nos últimos meses, uma série de marcas passou a colocar o body splash no portfólio. O movimento chama a atenção não apenas pela quantidade de lançamentos, mas pelo que revela sobre a própria perfumaria: a categoria está ampliando ocasiões de uso, atraindo novos consumidores e criando uma relação mais frequente com a fragrância.
O mercado global de body splash é estimado em US$ 6,4 bilhões. No Brasil, categoria teria movimentado US$ 193,5 milhões em 2024, com projeção de chegar a US$ 247,4 milhões até 2030.
Mais do que uma alternativa de menor preço ao perfume tradicional, o body splash passa a ser trabalhado como uma categoria com lógica própria: permite reaplicação ao longo do dia, facilita a experimentação e abre espaço para o consumidor ter diferentes fragrâncias.“Estamos vivendo um novo momento da perfumaria, em que o consumidor está mais aberto à experimentação e à construção de um guarda-roupa olfativo”, afirma Gisele Souza, sócia e diretora da categoria de Beleza da AURA Beauty.

Perfumaria ganha frequência
Uma das mudanças mais importantes está na relação entre fragrância e rotina. O body splash amplia as ocasiões de uso e aproxima a perfumação de territórios como banho, body care e bem-estar. Renato Vivarelli, coordenador de marketing da Dailus, conta que a marca enxergou uma oportunidade de adentrar os territórios de banho premium e spa em casa. “Com o dia a dia cada vez mais caótico e acelerado, a gente nota que a consumidora busca desesperadamente por micro momentos de alegria e descompressão.”, conta.

O clima brasileiro também favorece o uso de fragrâncias mais leves e reaplicáveis. Mas, para além do frescor, o principal efeito comercial está na frequência: em vez de concentrar a compra em uma única fragrância, o consumidor pode alternar produtos e incorporá-los a diferentes momentos do dia. Essa mudança ajuda a explicar por que o body splash começa a se afastar da imagem de uma versão mais barata do perfume. “Se antes o body splash era visto de forma equivocada como ‘o primo pobre do perfume’, hoje ele é visto como tão legal quanto”, afirma Vivarelli. A fala resume uma transformação importante para a categoria. O body splash deixa de disputar apenas com o perfume tradicional e passa a ocupar um espaço complementar, baseado em preço, frequência de uso e variedade.
O executivo da Dailus acredita que o valor mais acessível tira o peso da decisão de compra: “E o consumidor não precisa juntar dinheiro por meses, ele pode comprar vários diferentes de uma vez para brincar com as sobreposições e descobrir qual é o seu preferido. Essa acessibilidade atrai quem antes achava a perfumaria muito distante e conquista os apaixonados por perfumes que agora enxergam no body splash uma forma leve, colecionável e muito prazerosa de consumir fragrâncias no dia a dia”, diz.
Para o varejo, essa lógica é especialmente relevante porque amplia as possibilidades de sortimento. O consumidor pode comprar mais de uma fragrância, experimentar diferentes perfis olfativos e voltar à categoria com maior frequência.
Porta de entrada para consumidores e marcas
O digital também ajudou a mudar a forma como a fragrância é descoberta. Body splashes apareceram em tendências do TikTok, como a Mulher Cheirosa, que ampliaram conteúdos relacionados a produtos, rituais de perfumação e à ideia de estar sempre perfumado. Nas redes sociais, a fragrância deixa de ser apenas um produto e passa a ser também assunto: recomendações, combinações, descobertas e preferências olfativas entram no conteúdo de beleza e aproximam a categoria de identidade e expressão pessoal.
“Por exigir um investimento menor, o body splash facilita a experimentação e aproxima diferentes públicos da perfumaria. Essa característica é especialmente relevante para as gerações mais jovens, como gen Z e gen Alpha, que têm uma relação muito natural com a descoberta de produtos nas redes sociais”, afirma Gisele Souza.
Para a executiva, essa dinâmica transforma o body splash em mais do que uma porta de entrada para a perfumaria: ele também pode ser uma porta de entrada para a própria marca. O consumidor experimenta uma fragrância de menor desembolso, conhece o posicionamento da empresa e pode, a partir daí, ampliar sua relação com o portfólio.
Para as marcas, o efeito vai além da venda de uma fragrância. O menor desembolso reduz a barreira da primeira compra e pode transformar o body splash em uma porta de entrada para conhecer a empresa e, posteriormente, outros produtos do portfólio. A lógica aparece também na estratégia da Excellence Comercial, distribuidora responsável pelos perfumes da marca Al Wataniah no Brasil. A empresa lançou oito body splashes inspirados em seus perfumes. “É uma porta de entrada para quem deseja conhecer o universo das fragrâncias árabes e também uma excelente opção para consumidores que gostam de reaplicar o perfume ao longo do dia sem abrir mão da sofisticação”, afirma Rodrigo Lopes, head de marketing da Excellence.

Segundo o executivo, a relação custo-benefício e a proposta de apresentar a perfumaria árabe em versões mais leves foram alguns dos fatores observados pela empresa. “Optamos por lançar oito fragrâncias simultaneamente porque entendemos que esse consumidor valoriza variedade e identificação com diferentes perfis olfativos. Nosso objetivo foi oferecer um portfólio amplo desde o início, levando a identidade da perfumaria árabe para uma categoria em plena expansão”, completa.

O caso chama atenção para outro aspecto da categoria: a experimentação não acontece apenas entre fragrâncias. O body splash também pode funcionar como porta de entrada para diferentes universos da perfumaria, como o árabe, ampliando o público potencial dessas propostas.
Movimentos que aparecem nos lançamentos
A diversidade dos lançamentos recentes mostra que o body splash já não está restrito a uma única proposta de consumo. A categoria começa a ser usada pelas marcas para ocupar diferentes territórios, e esses movimentos ajudam a entender para onde a perfumaria está caminhando:

- Na Dailus, a expansão da linha Sweet Skin Ice Cream com os body splashes “Em Calda”, nas fragrâncias de limão, baunilha e cereja, aproxima perfumação, banho, autocuidado e universo gourmand.
- Na Al Wataniah, os oito body splashes levam a identidade da perfumaria árabe para um formato mais acessível e reforçam a aposta em variedade de perfis olfativos.
- Na Miss Rôse, o lançamento de produtos tematizados de Moana, da Disney, aproxima a categoria do licenciamento e da cultura pop, mostrando como a fragrância pode incorporar códigos de entretenimento e identificação.
- Já a AURA Beauty aposta na construção visual da categoria. A linha Diana Glam, inspirada na deusa romana da caça, combina uma fragrância floral aquática a uma nova série de embalagens proprietárias para body splash.

Os exemplos apontam para uma categoria que se expande em duas frentes ao mesmo tempo: ganha mais ocasiões de consumo e passa a incorporar códigos de outros segmentos da beleza e do entretenimento.
Oportunidades além da fragrância
Para o varejo, o movimento merece atenção porque o body splash pode ampliar a lógica tradicional da perfumaria. Em vez de uma compra concentrada em poucas ocasiões, a categoria favorece experimentação, variedade e recorrência. Isso abre espaço para trabalhar o produto não apenas como fragrância, mas em conexão com body care, banho, autocuidado, presenteáveis e outros itens do universo olfativo. Também reforça a importância de sortimentos capazes de oferecer diferentes perfis de fragrância e faixas de preço.
A multiplicação de lançamentos, portanto, é menos importante pelo número de novos produtos do que pelo comportamento que ela revela: a fragrância está se tornando mais frequente, experimentável e conectada à identidade do consumidor. Para marcas e varejistas, entender essa mudança pode ser mais relevante do que simplesmente acompanhar quais são os próximos body splashes a chegar às prateleiras.
