Poucos profissionais conseguiram traduzir tão bem o espírito de transformação e inovação que move a indústria da beleza quanto Romeu Felipe. Reconhecido como uma das maiores referências da colorimetria mundial, o hairstylist brasileiro carrega uma trajetória marcada por coragem para sair da zona de conforto, disciplina para construir autoridade e uma sensibilidade única em criar resultados personalizados para cada cliente. Seu nome já percorreu os principais palcos internacionais, mas foi na relação com o público brasileiro que consolidou sua identidade artística.
Em 2024, ao comandar uma masterclass no Wella Destination, em Malta, diante de mais de mil profissionais de 52 países, Romeu reafirmou o status de embaixador do talento brasileiro. Para ele, o reconhecimento internacional não é apenas sobre técnica, mas também sobre troca, diversidade e autenticidade. Nesta entrevista exclusiva, ele compartilha bastidores da carreira, revela decisões estratégicas que mudaram seu percurso, comenta a importância da Beauty Fair em sua jornada e analisa as transformações do mercado que acompanham sua trajetória.

Em maio deste ano, durante o Wella Destination, em Malta, você conduziu uma masterclass para mais de mil profissionais de 52 países. Como é receber essa projeção internacional e o que você aprendeu com tamanha diversidade reunida?
Ah, eu acho que é uma troca muito grande, né? Hoje o Brasil é super bem visto por todo mundo, pela técnica, pela noção que temos de criar cabelos em diferentes tipos de pessoas, diversidade de cabelo. A gente consegue deixar uma cliente, uma mulher morena, uma loira, com um resultado super natural, cobertura perfeita, todo um trabalho. Então, somos muito respeitados. Antigamente, a gente ia para fora fazer atualização; hoje, americanos, russos e europeus vêm para o Brasil fazer cursos com a gente. No fim, é uma troca. É se tornar uma referência mundial, sim.
Quais momentos você considera mais desafiadores nessa caminhada de cabeleireiro e empresário até se tornar referência?
Ah, eu acho que a rotina de cabeleireiro é muito pesada, né? Minha rotina de atendimento hoje ainda é muito puxada, porque a cliente vê o trabalho no Instagram e marca horário comigo, ela vem de várias partes do Brasil. E geralmente os cabelos estão muito sensibilizados, têm muitos processos químicos, progressiva. A cliente vê aquele cabelo maravilhoso no Instagram e espera o mesmo, mas para nós, psicologicamente, é muito pesado porque não conseguimos chegar naquela perfeição sem a matéria-prima básica, que é o cabelo bem cuidado. Dizer “não” é muito difícil. Comecei a dizer “não” há uns dois anos… Mas evita muito desgaste.

Quais decisões na sua carreira foram mais importantes para o seu crescimento?
Eu acho que uma das decisões mais importantes foi sair do Campo Belo e vir para o Jardins. Eu gostava muito de trabalhar naquele bairro, já tinha uma clientela grande, mas tinha medo de ir para o Jardins porque aqui é muito competitivo. Quando cheguei ao Jardins, no salão Square, percebi que abriu um leque gigantesco de possibilidades. Novas clientes, novas oportunidades. Fui aprendendo muito nesse processo de mudança de salão e bairro. A clientela foi mudando, o ticket médio também. Então acho que foi sair do lugar, né?
Você se lembra da primeira vez que participou da Beauty Fair? Como foi?
Eu fiz uma das primeiras campanhas da Beauty Fair, para anunciar a feira. Foi muito legal, uma das primeiras edições. Participei com a Wella em alguns workshops e desfiles. Sempre é muito gratificante e legal.
Qual a importância da feira na sua carreira?
A importância está no networking, em encontrar os profissionais, as marcas. É a maior feira de beleza da América Latina.
Você acha que a Beauty Fair ainda impulsiona talentos no setor?
Acho que sim, é uma grande vitrine, pois reúne todas as marcas. Tem muita troca entre profissionais e apresentações de cabeleireiros do Brasil todo. Impulsiona carreiras sim, não tenho dúvidas.
Quais são as principais mudanças que você percebeu no perfil dos profissionais de beleza desde que começou?
Eu acho que a moda mudou muito. Antes era muita ostentação, maquiagem pesada, muita produção. Hoje, há uma busca maior pelo natural, pela beleza real, realçar a mulher de um jeito mais autêntico, destacar os pontos positivos. Acho que isso favoreceu o setor.

E as clientes, o que mudou no comportamento e nas exigências delas?
Hoje a cliente está mais informada. Antigamente, ela queria aquele loiro branco e não sabia o que aconteceria depois. Hoje, ela sabe que para ter um cabelo loiro assim, precisa de muita manutenção, que o cabelo pode quebrar, enfim. Há mais informação, mais produtos e muitas referências no Instagram, com milhares de profissionais.
O que você acredita que diferencia um profissional mediano de um extraordinário?
Ah, acho que é o profissional que sabe que não sabe tudo, que está sempre buscando melhorar, aprimorar, pesquisando, se renovando, acompanhando lançamentos, marcas, cursos e produtos. Se você achar que a sua vida está ganha só com o que você sabe, isso te torna mediano.
Que conselho você daria para um cabeleireiro que está começando agora?
Estudar bastante, acho que esse é o foco. Aproveitar que o mercado oferece muitos cursos online, muitos cursos das marcas, trabalhar, escolher um bom profissional para ser assistente e se profissionalizar como processo. Gostar do que faz.

Triskle