Durante o Hair Summit 2025, uma pesquisa chamou atenção de todos nós do setor: 72% dos clientes acompanham seus cabeleireiros quando eles mudam de salão.
Essa estatística vai muito além da fidelidade ao profissional. Ela revela uma verdade que muitos gestores ainda insistem em ignorar: o cliente não pertence ao salão, pertence à relação de confiança construída no espelho, no toque, na escuta, no cuidado.
Confesso que, como gestora de um salão com mais de 35 profissionais, meu primeiro impulso ao ouvir esse dado foi de negação. Quis rebater, me defendi internamente, questionei. Mas logo entendi: essa reação era o meu ego tentando proteger velhas crenças. Respirei fundo e lembrei da minha própria trajetória. Desde 2018, venho sustentando uma visão clara: meu salão tem dois clientes: o interno (o profissional) e o externo (a cliente que passa o cartão). Ambos são responsáveis pelo resultado.
E se 72% das clientes seguem o profissional, o que isso diz sobre ele? Diz que ele está crescendo. Está estudando, evoluindo, desenvolvendo seu estilo, construindo autoridade, conquistando confiança. Isso é motivo de orgulho, não de disputa.
Mas essa conquista só se sustenta quando o salão também evolui junto. A verdadeira pergunta é: o que estamos fazendo para merecer a permanência desses profissionais?
Valorizar o profissional é valorizar o negócio
Quando desenvolvi a metodologia “Tudo é Venda”, compreendi que cada ponto de contato no salão – do WhatsApp ao lavatório, do agendamento à finalização – é uma oportunidade de encantar, vender e fidelizar. Mas essa lógica não vale só para o consumidor. Vale também para o profissional.
A experiência do profissional gera a experiência do cliente. Um profissional que se sente respeitado, valorizado, ouvido e reconhecido, entrega mais, vende mais, fideliza mais.
Em 2012, quando comprei um salão em Porto Alegre, apliquei uma pesquisa com os clientes do local. O principal motivo de abandono relatado foi a troca constante de profissionais. Anos depois, consultando dezenas de salões pelo Brasil, percebo que o problema persiste. E continuará enquanto a cultura interna não for revista.
A nova missão do dono de salão
Se a cliente está satisfeita, mas ainda assim acompanha o profissional, significa que o vínculo afetivo e de confiança está na relação humana, e não na estrutura física do salão. E isso não é uma ameaça. É um chamado.
Nos meus treinamentos, costumo dizer que o salão que deseja crescer precisa investir em três frentes simultâneas: atração de novos clientes, aumento de ticket médio e recorrência. Mas, a cada dado como esse, percebo que precisamos de uma quarta frente: retenção de talentos.
Reter o profissional é reter o cliente. Simples assim.
Portanto, se queremos vender mais, encantar mais, faturar mais, precisamos cuidar mais. Mais da cultura, mais da liderança, mais do ambiente interno. Porque se o salão for apenas um espaço físico com cadeiras ocupadas, ele é facilmente substituível. Mas se for um lugar onde o profissional se sente parte, ele permanece. E quando ele permanece, a cliente permanece.
Essa é a venda invisível. Aquela que começa no bastidor, mas reflete no caixa.
