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Quando o profissional vai embora… e leva 72% dos clientes com ele

A permanência do profissional no salão impacta diretamente no faturamento e começa pela construção de uma cultura que valoriza relações, não apenas serviços.

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Dariane Andrade

Por Dariane Andrade

Dariane Andrade é gestora e proprietária de salão de beleza, além de atuar como mentora, consultora e palestrante. Com ampla experiência no setor, ela ajuda donos de negócios de beleza a desenvolver equipes com mentalidade de crescimento, liderança prática e cultura comercial aplicada ao dia a dia. Criadora do método Tudo é Venda, Dariane oferece uma abordagem simples, estratégica e humana para transformar o atendimento em experiências que geram resultados concretos.

Publicado em 28/07/2025 Atualizado: 28/11/2025 às 18:49
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Durante o Hair Summit 2025, uma pesquisa revelou que 72% dos clientes seguem seus cabeleireiros ao mudarem de salão, evidenciando que a lealdade está na relação de confiança entre o profissional e o cliente, não no espaço físico. A gestora de um salão com mais de 35 profissionais reflete sobre a importância de valorizar tanto o cliente interno (profissional) quanto o externo, destacando que um ambiente onde os profissionais se sentem respeitados e valorizados resulta em melhor experiência e fidelização. Para reter clientes e talentos, é essencial investir na cultura interna e na liderança, transformando o salão em um lugar onde os profissionais se sintam parte do negócio.
Resumo supervisionado por jornalista.

Durante o Hair Summit 2025, uma pesquisa chamou atenção de todos nós do setor: 72% dos clientes acompanham seus cabeleireiros quando eles mudam de salão.

Essa estatística vai muito além da fidelidade ao profissional. Ela revela uma verdade que muitos gestores ainda insistem em ignorar: o cliente não pertence ao salão, pertence à relação de confiança construída no espelho, no toque, na escuta, no cuidado.

Confesso que, como gestora de um salão com mais de 35 profissionais, meu primeiro impulso ao ouvir esse dado foi de negação. Quis rebater, me defendi internamente, questionei. Mas logo entendi: essa reação era o meu ego tentando proteger velhas crenças. Respirei fundo e lembrei da minha própria trajetória. Desde 2018, venho sustentando uma visão clara: meu salão tem dois clientes: o interno (o profissional) e o externo (a cliente que passa o cartão). Ambos são responsáveis pelo resultado.

E se 72% das clientes seguem o profissional, o que isso diz sobre ele? Diz que ele está crescendo. Está estudando, evoluindo, desenvolvendo seu estilo, construindo autoridade, conquistando confiança. Isso é motivo de orgulho, não de disputa.

Mas essa conquista só se sustenta quando o salão também evolui junto. A verdadeira pergunta é: o que estamos fazendo para merecer a permanência desses profissionais?

Valorizar o profissional é valorizar o negócio

Quando desenvolvi a metodologia “Tudo é Venda”, compreendi que cada ponto de contato no salão – do WhatsApp ao lavatório, do agendamento à finalização – é uma oportunidade de encantar, vender e fidelizar. Mas essa lógica não vale só para o consumidor. Vale também para o profissional.

A experiência do profissional gera a experiência do cliente. Um profissional que se sente respeitado, valorizado, ouvido e reconhecido, entrega mais, vende mais, fideliza mais.

Em 2012, quando comprei um salão em Porto Alegre, apliquei uma pesquisa com os clientes do local. O principal motivo de abandono relatado foi a troca constante de profissionais. Anos depois, consultando dezenas de salões pelo Brasil, percebo que o problema persiste. E continuará enquanto a cultura interna não for revista.

A nova missão do dono de salão

Se a cliente está satisfeita, mas ainda assim acompanha o profissional, significa que o vínculo afetivo e de confiança está na relação humana, e não na estrutura física do salão. E isso não é uma ameaça. É um chamado.

Nos meus treinamentos, costumo dizer que o salão que deseja crescer precisa investir em três frentes simultâneas: atração de novos clientes, aumento de ticket médio e recorrência. Mas, a cada dado como esse, percebo que precisamos de uma quarta frente: retenção de talentos.

Reter o profissional é reter o cliente. Simples assim.

Portanto, se queremos vender mais, encantar mais, faturar mais, precisamos cuidar mais. Mais da cultura, mais da liderança, mais do ambiente interno. Porque se o salão for apenas um espaço físico com cadeiras ocupadas, ele é facilmente substituível. Mas se for um lugar onde o profissional se sente parte, ele permanece. E quando ele permanece, a cliente permanece.

Essa é a venda invisível. Aquela que começa no bastidor, mas reflete no caixa.