A Beauty Fair realizou uma pesquisa intitulada Cenário para salões de beleza, em junho de 2022. Os dados foram apresentados pelo diretor geral da Beauty Fair, Cesar Tsukuda, durante o 12º Seminário de Negócios de Beleza, que aconteceu em paralelo à feira deste ano, no Expo Center Norte, em São Paulo (SP), no último dia 05 de setembro.
Mais do que entender o momento do salão, o estudo buscou compreender o momento do consumidor em relação ao salão. Afinal, todo o planejamento do dia deve ser pensado no cliente que vai até o estabelecimento.
Foram realizadas 600 entrevistas com consumidores finais, em São Paulo (SP), interior de São Paulo, Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR).
Além disso, 22 profissionais responderam a entrevistas em profundidade, sendo: cabelereiros, donos de salão, marcas de produtos profissionais para cabelo.
Os cabelereiros entrevistados responderam que foram duramente afetados pela pandemia provocada pelo Covid-19. Há quem tenha trabalhado em aplicativos (apps) de entrega; há quem revendeu kits de produtos e álcool gel e assim conseguiu pagar as contas. Teve ainda quem entrou em pânico, ficou em casa mais de dois meses e aos poucos foi retomando; teve quem conseguiu auxílio do governo; e quem não precisou por ter mais de uma renda na casa.
“O brasileiro é criativo. Foi ensinar como faz os serviços pela internet, foi vender kit de produto, álcool em gel, cada um se virou do jeito que pode. Mas como que a gente se organiza para pensar no futuro dos salões de beleza?”, diz Tsukuda.

Entre os donos de salão, alguns deles cortaram gastos com aluguel, equipe (financeiro, gerente, copeira) e se reestruturaram como estúdio, algo mais personalizado para fortalecer o diferencial. Outros continuaram atendendo, dentro ou fora do salão, com espaçamento e higienização. Há quem disse ainda que a pandemia facilitou a contratação de profissionais, pois quem queria mudar de são, de fato mudou.
Para as marcas, o momento foi de:
Replanejamento: alguns projetos que estavam prontos para serem implementados foram acelerados, adiados ou cancelados;
Aceleração do omnichannel: colocar no ar a loja online, entrada em plataforma de venda online, treinamento para equipe de vendas, atendimento via WhatsApp;
Foco em conteúdo: como auxiliar os salões e os profissionais.
“Falando da pandemia, entendo que, claro, a saúde tem de estar em primeiro lugar, temos de preservar, tomar todos os cuidados, mas agora acho que é a hora de tirarmos o melhor do que aconteceu e voltar o nosso olhar para frente, voltar nosso olhar para o que pode ser feito nas próximas semanas, nos próximos dias, meses, anos, para retomar as atividades dos nossos negócios em pleno crescimento e focar exatamente nisso”, destaca o executivo.
De acordo com a Associação Brasileira de Salões de Beleza (ABSB), estima-se que 30% dos salões fecharam na pandemia e, atualmente, novos salões estão surgindo.
Pouco mais da metade das consumidoras, 54% frequentam somente o mesmo salão que antes da pandemia. Cerca de 30% ainda frequenta o(s) mesmo(s) salão(ões) que ia antes da pandemia, mas também tem ido em outros. E, 15% não frequenta mais o(s) mesmo(s) salão(ões) que ia antes da pandemia.
E por que essas pessoas mudaram de salão?
- 21% porque o salão que costumava ir mudou, ficou longe;
- 18% porque o salão que costumava ir fechou;
- 18% porque o profissional que gostava mudou de salão;
- 38% porque quis mudar, conhecer outros salões;
- 23% porque quis um salão mais próximo, o salão que costumava ir fica longe;
- 18% porque ficou muito caro, mudou para um mais barato.
Mas a boa notícia é que as clientes estão voltando.
- Quatro em dez clientes voltaram a frequentar o salão na mesma frequência que antes da pandemia. Sendo 36% da classe A; 25% da classe B; 23% da casse C.
- Três em dez clientes vão em uma maior frequência. Sendo 36% da classe A; 25% da classe B; 23% da casse C.
- Três em dez clientes vão em uma menor frequência. Sendo 24% da classe A; 37% da classe B; 37% da classe C.
E quase metade das entrevistadas declararam que querem aumentar a frequência de ida ao salão: Quando questionadas sobre daqui seis meses:
- 45% frequentará ais o salão de beleza do que atualmente;
- 53% frequentará com a mesma frequência atual;
- 2% frequentará menos o salão de beleza.
Outro dado importante é que 60% vai ao salão no mínimo uma vez ao mês e 89% agenda por WhatsApp. Na amostra pesquisada, apenas 12% paga R$ 100 ou mais pelo corte. Já coloração, 47% paga mais de R$ 100, sendo que 24% paga mais de R$ 150.
E o que é mais importante na escolha de um salão de beleza?
Ser atendida pelo mesmo profissional liderou o ranking para 16% das respondentes. No que diz respeito ao que mais gostam no salão que frequentam, 47% disseram atendimento. Quase ¼ está plenamente satisfeita com o salão que frequentam. Não há grandes “dislikes”, pois se não estão satisfeitas, elas mudam; se está caro, vão para um mais barato. O que mais incomoda, fora preço, é a espera, elas querem chegar e já serem atendidas.
Clientes menos fiéis
Hoje, a procura por praticidade ou atendimento mais ágil são fatores fundamentais, sobretudo quando temos uma gama de consumidoras que aprenderam a “se virar” durante a pandemia, ou seja, elas estão menos fiéis aos salões e também aos profissionais.
Há ainda uma nova cliente chegando – as mais novas, da geração Z, que são questionadoras, antenadas, tendem a valorizar mais a questão de sustentabilidade e marcas veganas. Além disso, elas veem no YouTube como tudo é feito, arriscam procedimentos por conta própria e já chegam sabendo o que querem.
Desafios para os donos de salão
A pesquisa mostra que há três grandes dificuldades enfrentadas hoje pelos donos de salão:
- Desafio de reter a equipe.
- Treinar.
- Cuidar das redes sociais.
Há uma percepção de que o mercado está mais profissionalizado, cabelereiros estudam mais hoje. O profissional brasileiro é reconhecido no mundo como um dos melhores, dada a diversidade de cabelos que lida.
Tsukuda acredita que não há certo ou errado, tudo tem limite, é uma escolha. “Se você quer pensar em um negócio crescente, não há como não gastar boa parte do tempo pensando em estruturar e treinar a equipe. Compartilhe com eles desejos, sonhos, e mais do que isso, contratem gente, o Brasil mudou muito nas questões técnicas. É impressionante como o profissional brasileiro evoluiu tecnicamente nos últimos 10 ou 15 anos.”
O executivo destaca ainda que o próximo ciclo de evolução será comportamental. “Geralmente a contratação se dá pela técnica e negligenciamos aquele profissional que não atende bem, que se acha o ‘rei do mundo. Acredito que, ao contratar alguém, é preciso prestar atenção se essa pessoa compartilha dos mesmos valores, dos mesmos propósitos que você. No final do dia, é isso que aproxima as pessoas”.
Sobre as redes sociais, fica claro na pesquisa que postar é necessário:
- Antes e depois;
- Cursos e workshops – cliente gosta de profissionais atualizados;
- Tendências;
- Promoções e eventos de dias especiais.
- E um pouco da vida pessoas, pois as pessoas querem saber que benefícios você está conquistando com o seu trabalho.
“É engraçado, a gente gasta mais dinheiro para atrair clientes novos e gasta menos dinheiro para reter quem já é nosso cliente. Tem cliente que gosta do nosso serviço, cofia na gente e as vezes a gente não aprecia. É mais fácil vender um serviço para quem já é cliente da casa ou é mais fácil convencer alguém a fazer o primeiro serviço no salão? Pense nisso”, sugere Tsukuda.
Nesse sentido, as redes sociais ganham peso e passam a ser indispensáveis. Ele pontua que é possível dar dicas de como a pessoa deve se preparar, de como ela deve manter o cabelo, de como fazer uma maquiagem. É uma relação muito próxima. O cabeleireiro é um profissional de competência, se você olhar a essência, ele é o primeiro influencer a ganhar força. “Então, a responsabilidade é muito maior do que simplesmente atender milhares ou centenas de clientes, existe a responsabilidade de influenciar toda uma cadeia produtiva do mercado da beleza.” Segundo Tsukuda, a diferença não está mais na técnica, está em como você aplica, em como você gera experiência para a sua cliente, para ela não esquecer jamais.

Triskle