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Quatro em dez clientes voltaram a frequentar o salão de beleza na mesma frequência pós pandemia

Constatação foi feita por uma pesquisa da Beauty Fair que apurou o comportamento do consumidor que vai ao salão de beleza no Brasil. Objetivo é entender suas vontades e anseios, para que os clientes possam ser melhor atendidos, cada vez mais.

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Por Ligia Favoretto em 28/09/2022 Atualizado: 28/11/2025 às 00:14

A Beauty Fair realizou uma pesquisa intitulada Cenário para salões de beleza, em junho de 2022. Os dados foram apresentados pelo diretor geral da Beauty Fair, Cesar Tsukuda, durante o 12º Seminário de Negócios de Beleza, que aconteceu em paralelo à feira deste ano, no Expo Center Norte, em São Paulo (SP), no último dia 05 de setembro.

Mais do que entender o momento do salão, o estudo buscou compreender o momento do consumidor em relação ao salão. Afinal, todo o planejamento do dia deve ser pensado no cliente que vai até o estabelecimento.

Foram realizadas 600 entrevistas com consumidores finais, em São Paulo (SP), interior de São Paulo, Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR).
Além disso, 22 profissionais responderam a entrevistas em profundidade, sendo: cabelereiros, donos de salão, marcas de produtos profissionais para cabelo.

Os cabelereiros entrevistados responderam que foram duramente afetados pela pandemia provocada pelo Covid-19. Há quem tenha trabalhado em aplicativos (apps) de entrega; há quem revendeu kits de produtos e álcool gel e assim conseguiu pagar as contas. Teve ainda quem entrou em pânico, ficou em casa mais de dois meses e aos poucos foi retomando; teve quem conseguiu auxílio do governo; e quem não precisou por ter mais de uma renda na casa.

“O brasileiro é criativo. Foi ensinar como faz os serviços pela internet, foi vender kit de produto, álcool em gel, cada um se virou do jeito que pode. Mas como que a gente se organiza para pensar no futuro dos salões de beleza?”, diz Tsukuda.

Cesar Tsukuda, diretor da Beauty Fair

Entre os donos de salão, alguns deles cortaram gastos com aluguel, equipe (financeiro, gerente, copeira) e se reestruturaram como estúdio, algo mais personalizado para fortalecer o diferencial. Outros continuaram atendendo, dentro ou fora do salão, com espaçamento e higienização. Há quem disse ainda que a pandemia facilitou a contratação de profissionais, pois quem queria mudar de são, de fato mudou.

Para as marcas, o momento foi de:

Replanejamento: alguns projetos que estavam prontos para serem implementados foram acelerados, adiados ou cancelados;

Aceleração do omnichannel: colocar no ar a loja online, entrada em plataforma de venda online, treinamento para equipe de vendas, atendimento via WhatsApp;

Foco em conteúdo: como auxiliar os salões e os profissionais.

“Falando da pandemia, entendo que, claro, a saúde tem de estar em primeiro lugar, temos de preservar, tomar todos os cuidados, mas agora acho que é a hora de tirarmos o melhor do que aconteceu e voltar o nosso olhar para frente, voltar nosso olhar para o que pode ser feito nas próximas semanas, nos próximos dias, meses, anos, para retomar as atividades dos nossos negócios em pleno crescimento e focar exatamente nisso”, destaca o executivo.

De acordo com a Associação Brasileira de Salões de Beleza (ABSB), estima-se que 30% dos salões fecharam na pandemia e, atualmente, novos salões estão surgindo.

Pouco mais da metade das consumidoras, 54% frequentam somente o mesmo salão que antes da pandemia. Cerca de 30% ainda frequenta o(s) mesmo(s) salão(ões) que ia antes da pandemia, mas também tem ido em outros. E, 15% não frequenta mais o(s) mesmo(s) salão(ões) que ia antes da pandemia.

E por que essas pessoas mudaram de salão?

  • 21% porque o salão que costumava ir mudou, ficou longe;
  • 18% porque o salão que costumava ir fechou;
  • 18% porque o profissional que gostava mudou de salão;
  • 38% porque quis mudar, conhecer outros salões;
  • 23% porque quis um salão mais próximo, o salão que costumava ir fica longe;
  • 18% porque ficou muito caro, mudou para um mais barato.

Mas a boa notícia é que as clientes estão voltando.

  • Quatro em dez clientes voltaram a frequentar o salão na mesma frequência que antes da pandemia. Sendo 36% da classe A; 25% da classe B; 23% da casse C.
  • Três em dez clientes vão em uma maior frequência. Sendo 36% da classe A; 25% da classe B; 23% da casse C.
  • Três em dez clientes vão em uma menor frequência. Sendo 24% da classe A; 37% da classe B; 37% da classe C.

E quase metade das entrevistadas declararam que querem aumentar a frequência de ida ao salão: Quando questionadas sobre daqui seis meses:

  • 45% frequentará ais o salão de beleza do que atualmente;
  • 53% frequentará com a mesma frequência atual;
  • 2% frequentará menos o salão de beleza.

Outro dado importante é que 60% vai ao salão no mínimo uma vez ao mês e 89% agenda por WhatsApp. Na amostra pesquisada, apenas 12% paga R$ 100 ou mais pelo corte. Já coloração, 47% paga mais de R$ 100, sendo que 24% paga mais de R$ 150.

E o que é mais importante na escolha de um salão de beleza?

Ser atendida pelo mesmo profissional liderou o ranking para 16% das respondentes. No que diz respeito ao que mais gostam no salão que frequentam, 47% disseram atendimento. Quase ¼ está plenamente satisfeita com o salão que frequentam. Não há grandes “dislikes”, pois se não estão satisfeitas, elas mudam; se está caro, vão para um mais barato. O que mais incomoda, fora preço, é a espera, elas querem chegar e já serem atendidas.

Clientes menos fiéis

Hoje, a procura por praticidade ou atendimento mais ágil são fatores fundamentais, sobretudo quando temos uma gama de consumidoras que aprenderam a “se virar” durante a pandemia, ou seja, elas estão menos fiéis aos salões e também aos profissionais.
Há ainda uma nova cliente chegando – as mais novas, da geração Z, que são questionadoras, antenadas, tendem a valorizar mais a questão de sustentabilidade e marcas veganas. Além disso, elas veem no YouTube como tudo é feito, arriscam procedimentos por conta própria e já chegam sabendo o que querem.

Desafios para os donos de salão

A pesquisa mostra que há três grandes dificuldades enfrentadas hoje pelos donos de salão:

  • Desafio de reter a equipe.
  • Treinar.
  • Cuidar das redes sociais.

Há uma percepção de que o mercado está mais profissionalizado, cabelereiros estudam mais hoje. O profissional brasileiro é reconhecido no mundo como um dos melhores, dada a diversidade de cabelos que lida.

Tsukuda acredita que não há certo ou errado, tudo tem limite, é uma escolha. “Se você quer pensar em um negócio crescente, não há como não gastar boa parte do tempo pensando em estruturar e treinar a equipe. Compartilhe com eles desejos, sonhos, e mais do que isso, contratem gente, o Brasil mudou muito nas questões técnicas. É impressionante como o profissional brasileiro evoluiu tecnicamente nos últimos 10 ou 15 anos.”

O executivo destaca ainda que o próximo ciclo de evolução será comportamental. “Geralmente a contratação se dá pela técnica e negligenciamos aquele profissional que não atende bem, que se acha o ‘rei do mundo. Acredito que, ao contratar alguém, é preciso prestar atenção se essa pessoa compartilha dos mesmos valores, dos mesmos propósitos que você. No final do dia, é isso que aproxima as pessoas”.

Sobre as redes sociais, fica claro na pesquisa que postar é necessário:

  • Antes e depois;
  • Cursos e workshops – cliente gosta de profissionais atualizados;
  • Tendências;
  • Promoções e eventos de dias especiais.
  • E um pouco da vida pessoas, pois as pessoas querem saber que benefícios você está conquistando com o seu trabalho.

“É engraçado, a gente gasta mais dinheiro para atrair clientes novos e gasta menos dinheiro para reter quem já é nosso cliente. Tem cliente que gosta do nosso serviço, cofia na gente e as vezes a gente não aprecia. É mais fácil vender um serviço para quem já é cliente da casa ou é mais fácil convencer alguém a fazer o primeiro serviço no salão? Pense nisso”, sugere Tsukuda.

Nesse sentido, as redes sociais ganham peso e passam a ser indispensáveis. Ele pontua que é possível dar dicas de como a pessoa deve se preparar, de como ela deve manter o cabelo, de como fazer uma maquiagem. É uma relação muito próxima. O cabeleireiro é um profissional de competência, se você olhar a essência, ele é o primeiro influencer a ganhar força. “Então, a responsabilidade é muito maior do que simplesmente atender milhares ou centenas de clientes, existe a responsabilidade de influenciar toda uma cadeia produtiva do mercado da beleza.” Segundo Tsukuda, a diferença não está mais na técnica, está em como você aplica, em como você gera experiência para a sua cliente, para ela não esquecer jamais.

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