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Regulamentação das trancistas ganha reconhecimento oficial e abre novas portas no mercado de beleza

A formalização impulsiona o setor, valoriza saberes ancestrais e cria oportunidades para indústria, varejo e profissionais

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FigCaption Imagem: acervo
Por Redação em 24/06/2025 Atualizado: 28/11/2025 às 00:13
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A regulamentação da profissão de trancista, oficializada em junho sob o código 5161-65, marca um avanço significativo no mercado de beleza brasileiro, reconhecendo um saber ancestral e proporcionando acesso a cursos, formalização de negócios e maior visibilidade para as profissionais, especialmente mulheres negras. A medida, apoiada por lideranças políticas como a vereadora Ireuda Silva, não apenas valoriza a identidade cultural das tranças, mas também abre novas oportunidades para a indústria e o varejo, estimulando a criação de produtos e serviços especializados. As expectativas são de que essa conquista sirva como um ponto de partida para o fortalecimento do setor e a promoção de políticas públicas que incentivem o empreendedorismo negro.
Resumo supervisionado por jornalista.

O mercado de beleza brasileiro acaba de viver um marco que vai além da estética: é também sobre identidade, empreendedorismo e justiça social. Em junho, durante as comemorações do Dia da Pessoa Trancista, a profissão de trancista foi oficialmente incluída na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), sob o código 5161-65, tendo a regulamentação das trancistas, como destacou o portal Mundo Negro em sua cobertura.

Mais do que uma conquista burocrática, a regulamentação é o reconhecimento formal de uma atividade que há décadas movimenta bilhões de reais no Brasil, e que carrega, em cada fio trançado, um saber ancestral passado de geração em geração, principalmente entre mulheres negras.

Agora, as profissionais passam a ter acesso facilitado a cursos de qualificação, emissão de notas fiscais, contribuição para o INSS via MEI, abertura de negócios formais e, principalmente, maior visibilidade e respeito dentro do próprio setor de beleza, onde ainda enfrentavam obstáculos para formalizar sua atuação.

“O mais urgente é o reconhecimento do valor cultural, histórico e identitário das tranças. O nosso saber não veio de uma sala de aula tradicional, ele vem da oralidade, da vivência nas periferias, da ancestralidade africana que resiste em cada fio trançado”, afirma a trancista e ativista Denise Melo em entrevista ao jornal A Tarde.

Regulamentação das trancistas: oportunidades para indústria e varejo

Imagem: acervo

Para a indústria e o varejo de beleza, a regulamentação das trancistas não é apenas uma vitória das profissionais, mas também uma ampliação concreta de mercado. Com a formalização, cresce a demanda por:

  • Cursos e certificações profissionalizantes que vão qualificar ainda mais o segmento.
  • Produtos e equipamentos específicos, como linhas de manutenção, tratamento e finalização de tranças.
  • Parcerias comerciais com salões e estúdios especializados, ampliando o portfólio de serviços oferecidos ao consumidor.
  • Apoio a empreendedoras negras, fortalecendo o ecossistema de negócios locais e inclusivos.

Além disso, a regulamentação pode estimular o surgimento de novas marcas e linhas de produtos dedicadas a atender um público que há tempos movimenta o mercado, mas nem sempre tinha sua especificidade reconhecida de forma institucional.

Um divisor de águas para o setor

A vereadora Ireuda Silva (Republicanos), de Salvador (BA), foi uma das grandes articuladoras da medida junto ao Ministério do Trabalho, em Brasília. O apoio político foi essencial para transformar uma luta antiga em realidade. “Ver uma mulher preta em posição de poder nos representando e abrindo caminhos foi extremamente inspirador”, destacou Denise.

Agora, a expectativa das lideranças do setor é que a regulamentação não seja um ponto de chegada, mas sim um ponto de partida. Como defende Denise, ainda é preciso garantir o acesso a políticas públicas, incentivos ao empreendedorismo negro e fomento à educação continuada, para que mais profissionais possam transformar seu talento em negócios sólidos e sustentáveis.

Para um setor que busca se reinventar constantemente, a regulamentação das trancistas é, antes de tudo, um avanço cultural, econômico e social, e uma nova chance para a indústria enxergar, com ainda mais força, a potência da beleza afro-brasileira.