O mercado brasileiro de higiene e cuidados pessoais deve movimentar R$ 258,8 bilhões em 2026, com alta de 6,8% sobre 2025, segundo o IPC Maps, que aponta que a classe C é responsável por quase todo o crescimento do setor (r$ 117,4 bilhões; +14,5%) enquanto a classe B cai 3,2% (para R$ 82,1 bilhões) e as classes A (+17,2%, R$ 22,1 bilhões) e D/E (+3,1%, R$ 37,2 bilhões) ampliam-se, e a participação da C salta de 42,3% para 45,4% do total, tornando-se o principal motor de expansão. O estudo destaca ainda que o número de lojas cresce 8,5% (de 312.439 para 339.050), acima do ritmo do mercado, aumentando a disputa por produtividade no varejo, enquanto a base de fábricas sobe 4,06% (3.447 para 3.587). Regionalmente, SP responde por R$ 66,6 bilhões (25,7%), seguido por Minas, RJ, RS e Bahia, com o Nordeste registrando desempenho expressivo (R$ 58,9 bilhões, 22,7%), e o Sudeste mantendo a liderança. Observa-se que o potencial de consumo não é igual a vendas, com alguns canais puxando o crescimento principalmente pelo preço e pela convergência entre autosserviço, farmácias e perfumarias.
Resumo supervisionado por jornalista.O mercado brasileiro de higiene e cuidados pessoais deve movimentar R$ 258,8 bilhões em 2026, alta de 6,8% sobre os R$ 242,3 bilhões de 2025, segundo a pesquisa IPC Maps. O número, porém, diz menos sobre o tamanho do mercado do que sobre quem passou a sustentá-lo: a classe C responde sozinha por praticamente todo o crescimento do período, enquanto a classe B aparece em retração pela primeira vez na série recente do estudo.
O cálculo do IPC Maps considera gastos das famílias com perfume, creme, bronzeador, maquiagem, sabonete, papel higiênico, absorvente e desodorante, além de produtos para cabelo, pele, boca e unha. É importante registrar o que o indicador mede: potencial de consumo, ou seja, a capacidade estimada de gasto das famílias em cada categoria, e não venda realizada nem faturamento de indústria. Por isso, o dado não é diretamente comparável aos números de vendas ex-factory divulgados pela ABIHPEC, que seguem metodologia distinta e cobrem outro ponto da cadeia.
O ritmo também merece leitura atenta. Na edição anterior do estudo, o setor havia projetado R$ 242,3 bilhões para 2025, com alta de 11,2% sobre 2024. A projeção de 6,8% para 2026 representa, portanto, quase metade do avanço registrado no ano anterior.
Classe C carrega o setor
O recorte por classe social é o dado mais expressivo do levantamento. A classe C deve movimentar R$ 117,4 bilhões em 2026, alta de 14,5% sobre os R$ 102,5 bilhões de 2025. A classe A cresce 17,2%, chegando a R$ 22,1 bilhões, e as classes D e E avançam 3,1%, somando R$ 37,2 bilhões. Já a classe B recua 3,2%, passando de R$ 84,8 bilhões para R$ 82,1 bilhões – a única faixa em queda.
Em números absolutos, a classe C responde por praticamente 90% de todo o crescimento projetado para o setor. Sua participação no total sai de 42,3% para 45,4% em um único ano, enquanto a classe B encolhe de 35,0% para 31,7%.

O que outros indicadores revelam
O comportamento projetado pelo IPC Maps encontra eco parcial em outras fontes. No topo, a confirmação é direta: a Circana registrou crescimento de 10% no mercado de beleza premium brasileiro no primeiro trimestre de 2026, acima da média global, de cerca de 7%, com o e-commerce respondendo por quase um terço das vendas das lojas especializadas e alta de 21% no canal digital no período. O avanço de 17,2% da classe A no estudo do IPC Maps é coerente com esse movimento.
Na base da pirâmide, o padrão é outro. Cruzamento entre a pesquisa ConsumerWise, da McKinsey, e a análise de tíquetes do varejo alimentar feita pela Scanntech mostrou, ao longo de 2025, que o consumidor economizou em categorias básicas e migrou para versões mais acessíveis dentro de segmentos de maior valor agregado: xampu líquido e sabonete em barra recuaram 10% e 7% em volume, enquanto óleos capilares e finalizadores subiram 18% e 13%. A leitura das consultorias aponta para ampliação da cesta de beleza em supermercados e atacarejos, com fronteiras cada vez mais fluidas entre autosserviço, farmácias e perfumarias.
O potencial estimado, porém, não se converte automaticamente em venda. O Radar Scanntech de junho de 2026 registrou queda de 4,7% nas vendas por unidade da cesta de higiene e beleza no canal alimentar, enquanto o faturamento ficou praticamente estável (+0,1%). Os itens essenciais sustentaram o valor – kits capilares avançaram 12,6%, creme dental 7,3% e papel higiênico 2,1%. Os dados sugerem que, quando o potencial de consumo se converte em vendas, parte importante do avanço continua sendo sustentada pelo aumento de preços, e não pela expansão do volume comercializado.
Mais lojas para um mercado que cresce menos
O estudo traz um segundo dado relevante para o varejo. O número de estabelecimentos de comércio varejista de cosméticos, artigos médicos e óticas passou de 312.439 para 339.050 unidades, alta de 8,52%, com 26.611 pontos de venda adicionais. A base de lojas, portanto, cresce acima do próprio potencial de consumo do setor, projetado em 6,8%. Na prática, mais estabelecimentos passam a disputar um mercado que se expande em ritmo inferior, cenário que tende a pressionar produtividade por metro quadrado e a exigir maior precisão na definição de mix e de praça.
O contraste com a indústria é igualmente informativo. As unidades de fabricação de cosméticos, perfumaria e higiene pessoal saíram de 3.447 para 3.587, alta de 4,06%, com 140 fábricas a mais. O varejo cresce, assim, em ritmo aproximadamente duas vezes maior que o da produção.

São Paulo lidera, mas crescimento vai além do Sudeste
São Paulo deve responder sozinho por R$ 66,6 bilhões, ou 25,7% do total nacional, seguido por Minas Gerais (R$ 24,9 bilhões), Rio de Janeiro (R$ 17,7 bilhões), Rio Grande do Sul (R$ 15,0 bilhões) e Bahia (R$ 14,8 bilhões).
Na leitura regional, o Nordeste aparece como segundo maior mercado, com R$ 58,9 bilhões, equivalentes a 22,7% do total nacional e valor 41% superior ao da região Sul, que soma R$ 41,6 bilhões. O Sudeste mantém a liderança, com 43,9%, seguido por Centro-Oeste (9,3%) e Norte (8,0%). Para operações em expansão, o recorte sugere que o volume nordestino já não é secundário na definição de rota logística, política comercial ou estratégia de sortimento regionalizado.
Para o varejo especializado, o mapa indica que crescer dependerá menos da expansão geral do mercado e mais da capacidade de ajudar mix, preço e presença regional às mudanças no perfil do consumidor.
