O artigo discute como o e-commerce de perfumes busca resolver a contradição de vender fragrâncias sem que o cliente possa senti-las, usando IA e personalização para transformar preferências visuais e comportamentais em recomendações olfativas e dados operacionais para varejo; exemplos no Brasil incluem o EssencIA do Grupo Boticário em parceria com a Meta AI, que cruza referências visuais do Instagram com a expertise de perfumistas, e o Scent Scanner da Jo Malone London, que, a partir de imagens e estéticas, oferece sugestões ainda em versão de teste nos EUA e na França; outra frente é aumentar a experimentação física por meio de estações automatizadas associadas a IA, como a iRomaScents, que já opera no Brasil e em mercados como Japão e Emirados Árabes, além de realizações como a ativação na Sephora de Marbella em que recomendação e experimentação se sucedem; para o varejo, o ganho vai além da experiência do consumidor, gerando dados anonimizados sobre perfis, preferências e conversões, com relatos de impactos como taxas de conversão superiores a 90% e aumentos de até seis vezes nas vendas de fragrâncias; o texto ainda aponta que esse movimento coloca tecnologia, dados e IA no centro da agenda de beleza, incluindo a Beauty Fair Tech de 2027, ao mesmo tempo em que reconhece que o desafio sensorial persiste e a função da tecnologia é reduzir incertezas entre descoberta, decisão de compra e experimentação física, para orientar decisões comerciais de forma mais inteligente.
Resumo supervisionado por jornalista.Comprar perfume pela internet envolve uma contradição. O consumidor já está disposto a adquirir fragrâncias no digital, mas precisa tomar uma decisão sobre um produto que não consegue experimentar. Os dados do próprio TikTok mostram o potencial desse mercado: no primeiro ano do TikTok Shop no Brasil, perfume masculino esteve entre os três produtos mais vendidos da categoria beleza, enquanto a criadora de conteúdo Lua Blossom ultrapassou R$ 1 milhão em GMV (valor bruto das vendas realizadas na plataforma) com lives dedicadas a fragrâncias.
A questão, portanto, não é mais se perfume pode ser vendido online. É como tornar a escolha mais segura quando o consumidor não pode sentir o produto antes da compra.
Quando a tecnologia tenta entender o gosto antes do cheiro
Uma das respostas está na recomendação personalizada. Em vez de depender apenas da descrição das notas olfativas, a tecnologia busca outros sinais que ajudem a identificar quais fragrâncias têm maior chance de agradar.
No Brasil, um exemplo é o EssencIA, lançado pelo Grupo Boticário em parceria com a Meta AI. A ferramenta analisa referências visuais do feed do Instagram para identificar estilos, comportamento e referências e transformá-los em sugestões de fragrâncias do portfólio da marca. As recomendações são depois cruzadas com a expertise do perfumista.
A Jo Malone London segue uma lógica parecida com o Scent Scanner, lançado no Pinterest em junho. A ferramenta parte de imagens, como cores, texturas, rituais e estéticas, para recomendar fragrâncias personalizadas. Por enquanto, a solução está em versão prévia nos Estados Unidos e na França.
A tecnologia começa, assim, a fazer uma tradução inusitada: transformar preferências visuais e comportamentais em uma recomendação olfativa.
Da recomendação para a experimentação
Outra frente usa tecnologia para tornar mais eficiente justamente a etapa que o digital não consegue substituir: experimentar o perfume. É o caso da iRomaScents, que combina recomendação por IA com uma estação automatizada de amostragem. O consumidor recebe uma seleção de fragrâncias e pode testar fisicamente as opções indicadas, em vez de percorrer sozinho uma grande quantidade de perfumes. A empresa afirma ter implementações comerciais no Brasil, além de mercados como Japão e Emirados Árabes Unidos. Aqui, a tecnologia não faz o consumidor sentir a fragrância pelo celular. Ela usa dados para tornar a descoberta e a experimentação física mais direcionadas.
Em julho, a iRomaScents levou essa experiência para a Sephora de Marbella, na Espanha, em uma ativação da Le Monde Gourmand. A jornada combinava recomendação por IA e, na sequência, experimentação das fragrâncias indicadas.
Ganho pode ir além da experiência
Para o varejo, o interesse nessas tecnologias não está apenas em tornar a escolha mais personalizada. Ao registrar quais perfis olfativos despertam interesse, quais fragrâncias são recomendadas e quais são experimentadas, a tecnologia pode transformar uma interação que normalmente fica restrita à conversa entre consumidor e vendedor em dados para a operação.
A iRomaScents afirma que seus dados anonimizados podem apoiar decisões de merchandising, planejamento de sortimento e estratégias de vendas. A empresa também relata conversões superiores a 90% em algumas implementações e aumento de até seis vezes nas vendas de fragrâncias.
Esse movimento ajuda a explicar por que tecnologia, dados e inteligência artificial vêm ganhando espaço na agenda do varejo de beleza, tema que estará entre as discussões da Beauty Fair Tech, novo evento da Beauty Fair Co. que estreia nos dias 9 e 10 de março de 2027, no Expo Center Norte, em São Paulo. Mais do que incorporar novas ferramentas, o desafio para as empresas é entender como transformar esses recursos em informação útil para a operação e para a tomada de decisão.
Isso amplia o papel da tecnologia: ela não serve apenas para ajudar o consumidor a encontrar um perfume; pode ajudar o varejista a entender melhor o que seus clientes procuram e usar essa informação para tomar decisões comerciais.
O que muda para o e-commerce
A tecnologia ainda não substitui a experiência de sentir uma fragrância, e provavelmente não precisa fazê-lo. O que essas soluções começam a fazer é reduzir a incerteza entre descobrir um perfume e decidir comprá-lo.
No digital, isso significa usar dados sobre o consumidor para chegar a recomendações mais relevantes. No físico, significa tornar a experimentação mais direcionada. Para o varejo, abre ainda uma terceira possibilidade: transformar a descoberta de fragrâncias em uma fonte de dados sobre preferências e comportamento.
O desafio continua sendo sensorial. A novidade é que a tecnologia começa a ajudar o varejo a tomar decisões mais inteligentes antes, durante e depois da experimentação.
