A pesquisa da CNDL/SPC Brasil com Offerwise aponta que 61% dos consumidores digitais compraram pelo menos um produto importado nos últimos 12 meses, totalizando 81,2 milhões de pessoas, e 61% deles aceitariam comprar no Brasil se encontrassem preço e variedade equivalentes, refletindo a clara busca por equilíbrio entre custo, disponibilidade e prazos. Cosméticos e perfumes aparecem entre os itens adquiridos por 25% dos consumidores, empatando com calçados e à frente de acessórios de celular e informática. Os locais mais citados para compras internacionais são Shopee (73%), Shein (50%), Amazon (44%) e Mercado Livre (44%), com preço reduzido (39%) como principal motivador e confiabilidade da plataforma e frete empatados (37% cada); variedade (32%) também pesa. Descoberta ocorre majoritariamente via redes sociais (41%), anúncios online (40%) e buscadores (37%), com 15% recorrendo a inteligências artificiais. Embora 53% pesquisem disponibilidade no Brasil e 49% consultem preços nacionais, há espaço para o varejo brasileiro crescer, principalmente oferecendo rapidez de entrega e disponibilidade imediata, já que o ticket médio em sites brasileiros (R$225) supera o internacional (R$188), mesmo diante de vantagens de preço e diversidade dos concorrentes estrangeiros.
Resumo supervisionado por jornalista.O consumidor que compra produtos no exterior compara preço, variedade, disponibilidade e prazo antes de decidir onde fechar a compra. É isso que mostra a pesquisa divulgada em agosto e realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise. O levantamento indica que 61% dos consumidores digitais compraram ao menos um produto importado vindo do exterior nos últimos 12 meses, o equivalente a 81,2 milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, 61% desses consumidores afirmam que prefeririam comprar os mesmos itens no Brasil caso encontrassem preços e variedade equivalentes.
O dado inicial revela um grande salto em quantidade de consumidores em relação ao levantamento do ano passado, com aproximadamente 13,1 milhões de novos compradores. Entre essas 81,2 milhões de pessoas, 25% afirmaram ter adquirido cosméticos e perfumes, percentual que empata com o de calçados e fica à frente dos acessórios para celular e informática, citados por 22%.
O resultado mostra que a categoria de beleza já faz parte de uma jornada de compra que ultrapassa as fronteiras do varejo nacional, mas também indica que esses consumidores não estão necessariamente fidelizados às plataformas estrangeiras.
“O avanço das compras em plataformas estrangeiras expõe a urgente necessidade de garantirmos um ambiente de negócios equilibrado e justo no Brasil. Não se trata de restringir o direito de escolha do consumidor, mas de assegurar isonomia tributária e regulatória”, afirma José César da Costa, presidente da CNDL.
Preços e plataformas
Entre os consumidores que compraram produtos internacionais, Shopee (73%) e Shein (50%) lideram o ranking de preferência, em seguida, Amazon (44%) e Mercado Livre (44%). Outros sites, como AliExpress (25%) e Temu (15%) também estão entre os preferidos dos brasileiros para compras importadas. Os dados se referem às compras internacionais em geral, e não especificamente à categoria de beleza.
Na decisão de comprar em sites estrangeiros, o preço reduzido aparece como o principal fator, citado por 39% dos entrevistados. A confiabilidade da plataforma e o valor do frete aparecem empatados, com 37% cada, enquanto 32% destacam a variedade de produtos que não encontram no Brasil.
O estudo também mostra que as redes sociais são o principal canal de descoberta dessas lojas, citadas por 41% dos consumidores, seguidas por anúncios na internet (40%) e buscadores como o Google (37%).
Outra novidade relevante captada pelo estudo é o surgimento da inteligência artificial (ChatGPT, Gemini, Claude, DeepSeek) como fonte de descoberta de compras internacionais para 15% dos entrevistados. O índice chega a 23% entre consumidores das classes A/B.
Consumidor que pesquisa muito
Ainda que o consumidor compre muito lá fora, 53% deles afirmam sempre verificar se o mesmo produto está disponível no Brasil antes de realizar a compra. Além disso, 49% pesquisam o preço em sites nacionais antes de concluir o pedido internacional.
Os dados ajudam a entender que a compra no exterior não acontece necessariamente sem considerar o varejo brasileiro. Antes de fechar o pedido, uma parcela relevante dos consumidores compara a oferta disponível no país, o que coloca preço, disponibilidade e variedade nacionais dentro da mesma jornada de compra.
Onde o varejo brasileiro pode ganhar
Para o varejista, o dado de que 61% preferiria comprar no Brasil caso encontrassem preço e variedade equivalentes implica uma oportunidade de recuperar parte dessa demanda. Ao mesmo tempo em que o preço continua sendo um fator importante, o estudo mostra que o consumidor também valoriza atributos nos quais o mercado nacional pode ter vantagem, como disponibilidade e rapidez de entrega.
Essa oportunidade aparece de forma mais clara quando o estudo simula uma situação de compra: diante da possibilidade de receber um produto de uma loja brasileira em até três dias, pagando até 10% a mais do que pagaria no exterior e evitando uma espera de 20 a 30 dias, 33% dos consumidores afirmam priorizar a rapidez. Outros 46% dizem que dependeriam da necessidade do momento, enquanto 17% prefeririam esperar para economizar.
O dado não é específico dos compradores de cosméticos e perfumes, já que a pesquisa não apresenta esse cruzamento. Ainda assim, aponta um caminho relevante para o varejo de beleza: competir com plataformas internacionais não significa necessariamente disputar apenas preço. Disponibilidade imediata e prazo de entrega também podem aumentar o valor percebido da compra nacional.
Há ainda outro indicador que reforça essa oportunidade. O ticket médio da última compra em sites internacionais foi de R$ 188, enquanto o valor médio observado nas compras em sites brasileiros chegou a R$ 225. Ou seja, apesar do apelo dos preços internacionais, o consumidor já movimenta valores maiores no comércio eletrônico nacional.
Ao mesmo tempo, a concorrência estrangeira mantém vantagens importantes. Além do preço reduzido, apontado por 39%, a variedade de produtos que não são encontrados no Brasil é citada por 32% dos entrevistados. Para o varejo de beleza, isso reforça a importância de trabalhar não apenas preço, mas também sortimento e disponibilidade de produtos desejados pelo consumidor.
Outro ponto de atenção está na experiência da compra internacional. As taxas de importação são apontadas como a principal desvantagem por 41% dos entrevistados, seguidas pelo tempo de entrega (36%), valor do frete (27%) e risco de fraudes (24%). Além disso, 37% dos compradores relatam ter enfrentado algum problema no último ano, principalmente falta de suporte ao cliente (12%) e atrasos na entrega (10%).
O cenário, portanto, é menos de uma migração definitiva para o comércio internacional e mais de uma disputa pela melhor combinação de preço, variedade, disponibilidade e conveniência. Para o varejo brasileiro de beleza, os dados sugerem que existe espaço para recuperar essa compra, desde que a oferta nacional consiga responder aos atributos que levam o consumidor a buscar produtos fora do país.
