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Home > E-commerce & Marketplace > Cosméticos entram na rotina de compras online e desafiam o varejo de beleza a operar em múltiplos canais

4 minutos de leitura

Cosméticos entram na rotina de compras online e desafiam o varejo de beleza a operar em múltiplos canais

Pesquisa CNDL/SPC Brasil mostra cosméticos entre as categorias mais adquiridas na internet e revela uma jornada distribuída entre aplicativos, redes sociais e WhatsApp

4 minutos de leitura

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Por Redação em 28/07/2026 Atualizado: 28/07/2026 às 09:00
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Cosméticos figuram entre as categorias mais compradas no e-commerce brasileiro, que atingiu 139 milhões de compradores em 2026 e ampliou a frequência de aquisição, com a média de pedidos passando de 4,6 para 5,1 por mês; o varejo precisa integrar jornadas entre apps, redes sociais e WhatsApp, já que 85% usam apps de loja e redes sociais correspondem a mais de metade das compras no último ano (com o TikTok liderando), enquanto o WhatsApp já concentra a maioria das compras mensais entre usuários. A confiança segue passando por prova social, avaliações e reputação, não por publicidade, e fidelização é alta, com 95% já tendo recomprado no mesmo site; contudo, a entrega é crucial, com tempo de até 4,5 dias aceito pelo consumidor e queda de satisfação quando há mais problemas na última compra (passando de 20% para 27%), exigindo eficiência logística para sustentar o aumento da frequência.

Resumo supervisionado por jornalista.

O consumidor brasileiro incorporou a beleza à sua rotina de compras online, e o dado que sustenta essa leitura não é o volume, mas a recorrência. Pesquisa da CNDL/SPC Brasil, realizada em parceria com a Offerwise e divulgada em julho, mostra que o e-commerce alcançou 139 milhões de compradores no país em 2026, com aumento da frequência de compras e os cosméticos entre as categorias mais adquiridas no ambiente digital. Para o varejo, o avançado reforça a necessidade de operar uma jornada integrada entre aplicativos, redes sociais e WhatsApp.

O amadurecimento aparece com clareza na frequência. A média mensal de pedidos avançou de 4,6 para 5,1 no comparativo com 2025, e o grupo de consumidores que fazem entre 11 e 20 compras por mês quase dobrou, saltando de 7% para 12%. Nesse cenário de consumo recorrente, os cosméticos figuram entre as categorias mais adquiridas no último mês, com 33% de menção, atrás de vestuário (48%), delivery de comida (42%) e remédios (36%), e à frente de artigos para casa. A beleza não lidera o ranking, mas ocupa uma posição consistente que a distingue de uma compra ocasional. “O comércio eletrônico no Brasil não é mais uma alternativa de consumo ocasional, mas um hábito profundamente incorporado à rotina dos brasileiros”, avalia o presidente da CNDL, José César da Costa, que atribui o movimento à facilidade de pagamento do Pix e à busca por praticidade e preços competitivos.

Beleza passa a ser comprada em múltiplos canais

O ponto mais relevante para o varejo é que a jornada digital de compra da beleza hoje se distribui por diferentes canais. A pesquisa mostra que 85% dos consumidores usaram aplicativos de loja nos últimos 12 meses, e os itens de beleza aparecem como o terceiro produto mais adquirido por esse canal (41%), dentro de um tripé formado por moda, farmácia e beleza que reflete tanto frequência quanto grau de digitalização dessas categorias. O aplicativo passou a ocupar um papel relevante na recorrência de compras, segundo os dados da pesquisa.

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As redes sociais, por sua vez, deixaram de ser apenas vitrine de inspiração para operar como canal de transação. Entre os entrevistados, 54% compraram via redes sociais no último ano e 49% concluíram compras dentro de uma plataforma social nos últimos seis meses, com o TikTok à frente (24%), seguido por Instagram (17%) e YouTube (12%). Cosméticos, perfumes e produtos para cabelo formam a segunda categoria mais vendida por esse canal (44%), atrás apenas de moda. Antes de decidir, o consumidor pesquisa preço (64%), comentários de outros compradores (39%) e fotos do produto (39%) – comportamento que aproxima a rede social de uma etapa de consideração, e não só de descoberta.

O WhatsApp reforça seu papel como canal de relacionamento e compras, segundo o comportamento observado na pesquisa. No levantamento, 73% dos consumidores realizaram ao menos uma compra pelo aplicativo no último mês, com média de 2,1 pedidos, e 55% participam de grupos voltados a ofertas exclusivas. A comunicação comercial pelo canal é aceita por 82% dos entrevistados, ainda que a maioria (46%) prefira receber contato apenas para suporte, dúvidas e acompanhamento de entrega, enquanto 30% se dispõem a receber ofertas personalizadas. Os dados sugerem uma jornada em que descoberta, consideração e conversão se distribuem entre canais que cumprem papéis complementares.

Confiança segue determinando a conversão

Mesmo com a multiplicação dos pontos de contato, o que decide a compra permanece ancorado na prova social e em critérios econômicos. Numa escala de 1 a 5, a recomendação de amigos e familiares lidera a confiança do consumidor antes de comprar (4,19), empatada com avaliações de outros clientes (4,14) e selos de segurança e reputação (4,14). A publicidade de influenciadores e celebridades, em contraste, recebe nota 2,89, abaixo do ponto médio da escala. O dado se refere ao comportamento no e-commerce como um todo, não a uma medição específica da categoria de beleza, mas oferece um contraponto relevante à lógica de influência que organiza boa parte da comunicação do setor: no momento da decisão, a prova social orgânica pesa mais do que a mídia paga.

A leitura é compartilhada pelo SPC Brasil. “Os dados mostram um consumidor cada vez mais maduro e exigente no ambiente digital. A busca por recomendações espontâneas e a preferência por conteúdos autênticos revelam que a confiança hoje é construída na prova social e na reputação real das marcas”, afirma o presidente da entidade, Roque Pellizzaro Júnior, que pondera que o avanço em canais como WhatsApp e redes sociais exige do varejo atenção à eficiência logística, “garantindo que o crescimento da frequência de vendas venha acompanhado do cumprimento dos prazos e do alto padrão na experiência de entrega”.

A preferência por autenticidade se confirma no formato de conteúdo. Entre os vídeos de depoimento, 57% dos consumidores confiam mais no material caseiro gravado pelo próprio comprador do que na produção profissional (22%). Já na escolha da loja, o frete grátis é o principal critério (60%), seguido por preço baixo (49%) e promoções (44%). A recompra é expressiva — 95% já compraram novamente no mesmo site ou aplicativo —, o que reforça que a fidelização no digital passa por consistência de preço, entrega e experiência.

Esse conjunto de fatores redesenha as prioridades do varejo de beleza no ambiente digital. Com o aumento da frequência de compra, a eficiência logística passa a ser variável central: o tempo máximo de entrega aceito antes da insatisfação é de 4,5 dias em média, e a incidência de problemas na última compra subiu de 20% para 27%, pressão que tende a acompanhar o crescimento do volume de pedidos. 

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