As pesquisas sobre o Dia dos Pais 2026 apontam que perfumes e cosméticos seguem como segunda principal categoria de presente, atrás de moda, mas chegam com um consumidor mais planejador: pesquisa de preços, atenção a promoções e condições de pagamento ganham peso, tanto no e-commerce (projeção de R$ 10,56 bilhões e 18,49 milhões de pedidos) quanto no varejo físico, que ainda concentra a maior parte das intenções de compra; o gasto médio fica estável em torno de R$ 286 por pessoa, com 1,8 presentes por consumidor, e o cenário é pressionado por fatores como Copa do Mundo e calendário eleitoral. Em Manaus, a situação econômica afeta 80% dos entrevistados, 37% estão com contas em atraso e 73% dos que pretendem presentear estão com o nome negativado, o que explica o recorte: preço de entrada, kits, boas condições de pagamento e promoções pesam mais na conversão, enquanto o canal de compra continua majoritariamente físico, ainda que a pesquisa de preço e a influência digital, via redes sociais e TikTok, ganhem espaço. No conjunto, a beleza mantém posição relevante, disputando o espaço simbólico com foco em afeto, personalização e presentes premium que transcendem o preço.
Resumo supervisionado por jornalista.Os levantamentos mais recentes sobre o Dia dos Pais 2026, marcado para 9 de agosto, apontam na mesma direção quando o assunto é beleza: perfumes e cosméticos seguem entre as categorias mais desejadas para presentear, atrás apenas de moda. O que muda em relação aos anos anteriores não é a posição da categoria no ranking de intenção, e sim o cenário em que ela chega à data. As pesquisas de CNDL/SPC Brasil, Fecomércio-AM e ABIACOM descrevem um consumidor que mantém o hábito de presentear, mas o faz com mais planejamento, pesquisa de preço e sensibilidade a promoções.
O tamanho da data
No comércio eletrônico, a projeção da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (ABIACOM) é de R$ 10,56 bilhões em vendas para o Dia dos Pais 2026, alta de 10,81% sobre os R$ 9,53 bilhões de 2025. O crescimento, no entanto, vem mais do volume do que do valor: a associação estima 18,49 milhões de pedidos, ante 16,76 milhões no ano passado, com ticket médio que deve permanecer estável. Segundo Fernando Mansano, presidente da entidade, o comportamento reflete um consumidor que continua comprando, porém pesquisando preços e priorizando ofertas de melhor custo-benefício. A ABIACOM ainda pondera que 2026 concentra fatores capazes de disputar o orçamento das famílias, como a Copa do Mundo e o calendário eleitoral, o que pode drenar parte dos gastos para viagens, eletrônicos e entretenimento.
No agregado de comércio e serviços, a leitura é mais ampla. A pesquisa CNDL/SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, projeta movimentação de R$ 29,7 bilhões na data. O levantamento estima que 63% dos consumidores pretendem comprar presentes, o equivalente a cerca de 104 milhões de pessoas nas capitais, uma redução nominal de 2,3 milhões de compradores frente a 2025. O gasto médio previsto é de R$ 286 por consumidor, considerando a compra de 1,8 presente em média. Segundo o presidente da CNDL, José César da Costa, a leve retração no número de compradores reflete um consumidor operando no limite do orçamento, ainda que a intenção de presentear siga alta.
Onde a beleza entra
Nas três pesquisas que medem intenção de compra por categoria, beleza aparece de forma consistente logo atrás de moda. Na CNDL/SPC Brasil, roupas, calçados e acessórios lideram com 62% das intenções, e cosméticos e perfumes vêm em segundo, com 27%, à frente de ferramentas (18%), eletrônicos (16%) e artigos esportivos (16%). No recorte regional da Fecomércio-AM, conduzido pelo IFPEAM em Manaus, o padrão se repete: roupas (24%), acessórios masculinos (22%) e perfumes e cosméticos (18%) concentram 64% da intenção de compra, com a categoria de beleza em terceiro. Vale registrar que ambos tratam de intenção declarada e agrupam perfumes e cosméticos numa única categoria, sem abrir por tipo de produto.
Uma terceira leitura reforça o posicionamento. A pesquisa Google Consumer Survey embutida no Radar Sazonal da Scanntech, realizada em junho de 2025, aponta moda como a categoria de maior intenção de compra (40%), seguida por beleza e perfumaria (24%). O dado converge com os demais, ainda que se refira ao Dia dos Pais do ano passado.
Do lado da venda concretizada, há um indicador que sai da intenção e entra no comportamento real, embora com escopo específico. O Radar Sazonal da Scanntech, medido no varejo alimentar em base same stores, registrou que fragrância foi uma das categorias de maior crescimento na semana do Dia dos Pais de 2025, com alta de 15,9% em faturamento sobre 2024 e destaque também em unidades. O número precisa de contexto: trata-se de sell-out no canal de supermercados e atacarejos, não no canal perfumaria especializado, e numa cesta em que barbeador e itens de churrasco pesam mais no faturamento total. Ainda assim, mostra que a fragrância responde à sazonalidade da data mesmo fora do seu canal natural.
O consumidor cauteloso
A tensão da campanha está na segunda metade dos dados. Em Manaus, 80% dos entrevistados pela Fecomércio-AM reconhecem que a situação econômica influencia a decisão de compra e 49% dizem que influencia muito. A pesquisa da CNDL/SPC Brasil acrescenta um dado de fragilidade financeira: 37% dos que pretendem presentear estão com contas em atraso, e, entre eles, 73% estão com o nome negativado. A especialista em finanças da CNDL, Merula Borges, alerta para o risco de superendividamento entre famílias que optam por priorizar o presente mesmo em situação de inadimplência.
Esse quadro se traduz em escolhas de consumo mais conservadoras. A maioria pesquisa preço antes de comprar – 77% na CNDL/SPC Brasil – e o pagamento à vista predomina: 81% no levantamento nacional, com o Pix respondendo por 52%, e 72% no recorte de Manaus. Na definição do local de compra, promoções e descontos lideram os critérios em ambas as pesquisas. Para o varejo de perfumaria, a leitura prática é direta: preço de entrada, kits e boas condições de pagamento tendem a pesar mais na conversão do que o apelo de lançamento.
Canais em disputa
Apesar do crescimento do e-commerce projetado pela ABIACOM, a loja física ainda concentra a maior parte da intenção de compra. Na CNDL/SPC Brasil, 72% pretendem comprar em canais físicos, com shoppings à frente (27%); em Manaus, as lojas físicas aparecem como principal canal para 45% dos consumidores. A pesquisa de preço, porém, já é majoritariamente digital: em Manaus, 50% consultam redes sociais antes de comprar, à frente das próprias lojas físicas (36%). O TikTok desponta como o meio de maior crescimento de influência na pesquisa nacional, o que sinaliza um deslocamento da descoberta de produto para o ambiente social.
Há ainda uma lacuna que vale acompanhar. A medição de desempenho do canal perfumaria especializado no Dia dos Pais ainda não tem série pública consolidada. A Scanntech passou a mensurar esse canal em D-7 a partir de 2025, em parceria com a Beauty Fair, o que deve permitir, nas próximas temporadas, comparar o comportamento da data no varejo especializado com o do canal alimentar. Por ora, o desempenho da perfumaria na data se lê pela intenção declarada e pelo sell-out do varejo alimentar, não pelo canal onde a categoria é protagonista.
O afeto e o fôlego da categoria
Por trás dos números, os estudos qualitativos descrevem uma mudança de sentido na data. A análise da Globo Gente aponta que a figura paterna está mais diversa – pais solo, padrastos, casais homoafetivos, avôs e cuidadores compartilhados – e que o consumidor passou a valorizar presentes e experiências capazes de transmitir afeto, com a celebração ganhando protagonismo ao lado do produto físico. Setores de serviços, gastronomia e entretenimento disputam o orçamento antes concentrado em bens, o que abre espaço para a beleza se posicionar pelo simbólico: personalização, itens de cuidado pessoal e presentes premium que carregam significado.
É nesse ponto que a beleza tem espaço para disputar a preferência pelo simbólico, e não apenas pelo preço. Para o varejo de perfumaria, o Dia dos Pais de 2026 se desenha, portanto, como uma data de demanda firme, mas conquistada num consumidor que pesquisa mais, gasta com critério e decide no equilíbrio entre preço e afeto.
