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Home > Inteligência e Dados > Do crescimento para a maturidade – o que os dados do e-commerce revelam para 2026

4 minutos de leitura

Do crescimento para a maturidade – o que os dados do e-commerce revelam para 2026

Estudo da BigDataCorp mostra que comércio eletrônico entra em nova fase: com menos lojas, mais maturidade e foco em eficiência.

4 minutos de leitura

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Por Redação em 27/03/2026 Atualizado: 28/04/2026 às 23:09
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A 11ª edição do Perfil do E-commerce Brasileiro, da BigDataCorp, revela que o comércio eletrônico está passando por uma maturação, com uma redução de operações ativas de 2,24 milhões em 2024 para 2,1 milhões em 2026, refletindo um mercado mais seletivo e focado em eficiência. Apesar da queda no número de lojas, 86% delas ainda são de pequeno porte, e a presença de e-commerces hospedados localmente cresceu para 26,77%. O estudo destaca a ascensão do vídeo como principal formato de marketing e um aumento na judicialização, refletindo um consumidor mais informado. Para o setor de beleza, esses dados sublinham a importância de uma operação robusta e centrada no cliente para prosperar em um ambiente competitivo.
Resumo supervisionado por jornalista.

A 11ª edição do Perfil do E-commerce Brasileiro, estudo produzido pela BigDataCorp e que acaba de ser divulgado, revela que o setor passou por uma contração de volume: de 2,24 milhões de operações ativas em 2024 para 2,1 milhões em 2026. Mas essa redução não é sinal de crise. É sinal de amadurecimento.

“O e-commerce brasileiro transita de expansão para maturidade, exigindo decisões estratégicas e foco em eficiência operacional”, resume Thoran Rodrigues, CEO da BigDataCorp. 

O ciclo que o país viveu nos últimos anos foi intenso: a pandemia acelerou a digitalização de forma artificial, empurrando para o online negócios que não tinham estrutura para se sustentar ali no longo prazo. Agora, o mercado faz a digestão desse movimento. As operações que não tinham consistência saíram de campo. As que ficam estão mais preparadas para competir.

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O número cai, mas o patamar se estabiliza

O recuo de 2,24 milhões para 2,1 milhões de e-commerces ativos é real, mas precisa ser lido com contexto. A queda foi mais expressiva entre 2024 e 2025 e mais moderada no período seguinte — o que, segundo o estudo, indica a formação de um novo piso, mais estável e saudável para o setor.

O mercado está ficando mais seletivo. A abertura de novas lojas passou a ser mais estratégica, e as operações que continuam ativas têm maior capacidade de execução. 

Para quem já está estabelecido no e-commerce, esse movimento abre espaço. Para quem ainda pensa em entrar, o recado é que a hora de improvisar ficou para trás.

Pequenos negócios dominam 

Uma das descobertas mais relevantes do estudo da BigDataCorp é que, apesar da consolidação, o e-commerce brasileiro continua sendo majoritariamente de pequeno porte. Mais de 86% das lojas virtuais faturam até R$ 5 milhões por ano; uma leve variação em relação aos 88% registrados em 2024, mas ainda um número que confirma o protagonismo dos micro e pequenos empreendedores.

Esse perfil também aparece na estrutura de time: mais de 85% das lojas têm menos de dez funcionários, muitas operadas em modelo familiar ou com equipes bastante enxutas. Em termos de audiência, quase 74% das lojas recebem menos de dez mil visitantes por mês, uma faixa que voltou a ganhar relevância e se aproxima dos índices de 2023.

O estudo mostra que o e-commerce de nicho segue vivo e relevante, que não é necessário ser grande para ser lucrativo. E que o canal continua sendo uma porta de entrada viável para empreender, especialmente no mercado de beleza, em que a fidelização e a especialização têm peso imenso na jornada de compra.

São Paulo concentra mais, e a tecnologia acompanha esse movimento

A consolidação do setor não acontece só em números de lojas, ela tem endereço e plataforma.

No recorte geográfico, São Paulo ampliou sua participação de 48,56% em 2023 para 57,86% em 2026. O Estado já era o polo central do e-commerce nacional, mas o dado reforça uma tendência de reconcentração. Quem opera fora da região precisa compensar com eficiência logística, posicionamento de nicho e domínio do cliente local.

Na camada tecnológica, a tendência é a mesma: em 2021, o estudo mapeou 237 plataformas relevantes de e-commerce. Em 2026, esse número caiu para 89. Menos opções, mais robustez. Os lojistas passaram a priorizar soluções com maior estabilidade operacional, ecossistema de integrações e suporte. O mercado de fornecedores de tecnologia respondeu com seleção natural.

Hospedagem local volta a crescer 

Depois de anos de retração, a presença de e-commerces hospedados em servidores no Brasil voltou a crescer de forma expressiva: de 14,04% em 2024 para 26,77% em 2026. Ainda assim, os Estados Unidos seguem como principal destino de hospedagem, concentrando 59,92% das lojas.

O avanço da infraestrutura local está ligado a fatores como expansão de data centers no Brasil, busca por menor latência e atenção crescente à conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Para marcas de beleza que lidam com dados de clientes e programas de fidelidade, o tema é cada vez mais estratégico.

Segurança e mobile já são padrão 

O estudo traz um painel claro sobre onde o setor evoluiu e onde ainda há muito a fazer.

No campo das boas notícias: 87,99% das lojas operam com certificado SSL (em 2015, eram apenas 20,68%), 82,45% oferecem experiência mobile responsiva e 64,98% aceitam carteiras digitais, percentual que era de 38,09% em 2015. 

No campo do alerta: 97% dos e-commerces apresentam algum tipo de falha de acessibilidade digital, limitando o acesso de pessoas com deficiência. Num mercado que fala tanto em inclusão e diversidade, o dado é um ponto cego que precisa entrar na agenda.

Vídeo virou o idioma do varejo digital 

A disputa pela atenção do consumidor digital mudou de linguagem. O vídeo é agora o formato central do marketing no e-commerce, e os números do estudo confirmam:

  • YouTube aparece em mais de 30% dos e-commerces
  • Instagram é utilizado por 27% das lojas
  • TikTok chega a 25% — praticamente empatado com o Instagram e, pela primeira vez, ultrapassando o X (antigo Twitter) em relevância para lojistas

Para o mercado de beleza, que sempre viveu de demonstração, tutoriais e influência, esse dado reforça o que já se sente na prática: quem não está produzindo vídeo está ficando para trás. 

Judicialização cresce com a maturidade

Os dados indicam que 18,74% das lojas virtuais já enfrentaram ao menos um processo judicial. Entre as judicializadas, 35,09% têm apenas um processo, mas há operações com múltiplas ações simultâneas.

O aumento da judicialização não é necessariamente negativo, é reflexo de um consumidor mais informado e de um mercado mais profissional. Mas, para gestores de e-commerce, principalmente em categorias com alto volume de trocas e reclamações, como cosméticos e dermocosméticos, é um sinal de que compliance e política de atendimento precisam ser tratados como investimento.

O que fica para o mercado de beleza

O estudo da BigDataCorp não fala especificamente do setor de beleza, mas os insights se aplicam com precisão ao canal digital de cosméticos, perfumaria e cuidados pessoais. O mercado está mais competitivo, seletivo e exigente. Crescer em volume sem estrutura ficou mais difícil. Crescer com consistência, foco no cliente e operação eficiente continua sendo um caminho real.
O e-commerce de beleza que vai sair na frente nesse novo ciclo é o que entende que maturidade é a base para crescer melhor.

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