Artigos

7 pontos importantes para profissionais de beleza na era digital

É evidente que conhecimento técnico tem importância na construção da sua autoridade profissional, mas ele não pode servir para você negligenciar alguns aspectos comportamentais básicos – muitas vezes, de forma inconsciente.

Democratização da beleza
Cesar Tsukuda
Por Cesar Tsukuda em 17 de maio de 2021
Diretor Geral na Beauty Fair

O fenômeno do Doutor Google transformou não apenas a dinâmica entre médicos e seus pacientes: o mercado da Beleza também foi profundamente impactado pela democratização do acesso à informação.

Em um país hiper conectado às redes sociais como é o Brasil, não é de se surpreender que cada profissional de salão, cada empreendedor e cada executivo do nosso setor já tenha vivido em algum momento (ou ainda vive!) os desafios desse novo contexto.

Para quem está imerso no mercado da Beleza – como estou há mais de vinte anos -, parece que era “outro dia” quando as clientes chegavam no salão ou na loja com duas, três referências do produto ou serviço que buscavam.

A indústria, as marcas, os donos de salão, os profissionais de beleza e as clientes bebiam das mesmas fontes, isto é, as demandas surgiam a partir de um número restrito de grandes revistas e de novelas campeãs de audiência.

Em um piscar de olhos, essa realidade se transformou. Hoje o consumidor tem acesso a milhares de novas inspirações na palma da mão, a poucos toques de distância.

A era do conteúdo digital chegou sem pedir licença, abrindo um universo de possibilidades infinitas com suas séries, filmes, reality shows, influenciadoras, cursos e lives.

De repente, aquelas duas ou três referências se multiplicaram para incontáveis opções de cada produto ou serviço.

E a quantidade não é o único desafio: a velocidade de mudança das tendências só aumenta a cada ano.

O resultado dessa transformação é que o consumidor final do mercado de beleza hoje tem novos comportamentos, novas exigências e o principal:

Uma nova forma de se relacionar – não só com os profissionais do salão, mas também com as marcas e os produtos.

Todo consumidor de beleza, independentemente de gênero, faixa etária, cidade ou classe social, hoje se sente mais empoderado do que nunca no que tange a conhecer (ou, às vezes, a achar que conhece) os prós e contras de cada produto ou serviço.

Isso aconteceu tão rápido que muitos de nós perdemos o timing. É claro que houve exceções – e esses profissionais já foram justamente recompensados.

Se este é o seu caso, parabéns! Mas a minha responsabilidade, como líder da Beauty Fair, é olhar para o mercado como um todo, e não para os pontos fora da curva.

Temos a convicção de que podemos ser ainda mais fortes, o que passa pelo desenvolvimento e capacitação profissional de todos os elos da nossa cadeia. É por isso que investimos continuamente em conteúdos educativos para toda nossa comunidade.

O que virá a seguir foi pensado especialmente para você – dono de salão, executivo da indústria, empreendedor ou profissional de beleza – que se sente confuso ou ansioso com esse novo modo de relacionamento com os clientes hiper conectados.

A ideia é compartilhar a minha visão, como Diretor Geral da Beauty Fair, sobre o tema e propor caminhos de ordem prática que contribuam para uma solução.

Vamos lá? Pegue papel e caneta ou abra o seu editor de texto, porque ao fim desse texto você estará muito mais preparado para:

  • construir relacionamentos prósperos no mercado da beleza;
  • fazer bons negócios de forma profissional;
  • e, então, transformar a sua marca – pessoal ou jurídica – num ativo reconhecido e de alto valor.

O primeiro conceito que quero apresentar é simples e muito poderoso: você não precisa saber de tudo!

Não faz sentido colocar em seus ombros a pressão de ter que conhecer e dominar 100% das tendências e tecnologias do seu nicho.

Antes de qualquer coisa, lembre-se que trocas comerciais acontecem, em última instância, entre seres humanos.

É evidente que conhecimento técnico tem importância na construção da sua autoridade profissional, mas ele não pode servir para você negligenciar alguns aspectos comportamentais básicos – muitas vezes, de forma inconsciente.

Além de ser humanamente impossível estar sempre atualizado sobre tudo, não é isso que vai fazer o cliente confiar de olhos fechados em você e no seu trabalho.

Para isso acontecer, na minha visão, todo profissional do nosso setor deve desenvolver os sete pontos a seguir:

1. Empatia

Importe-se de verdade com o ser humano a sua frente, para além do dinheiro da transação comercial. Quando ele falar, ouça-o atentamente.

2. Transparência

Nunca minta para o seu cliente; seja franco quando você errar ou quando não souber dar uma resposta de prontidão. Vulnerabilidade conecta.

3. Cumplicidade

Seja ousado, mas nunca assuma riscos maiores do que o seu cliente estiver disposto a tomar. Tenha com ele a mesma prudência que você teria consigo ou com um ente querido. Seja rigoroso ao escolher as suas fontes de conhecimento.

4. Clareza

Comunique-se com simplicidade e objetividade. Se notar que o cliente não entendeu, repita ou explique melhor até que os dois estejam totalmente alinhados. Atenção para não se tornar chato ou repetitivo.

5. Visão de Longo Prazo

Ninguém gosta de se relacionar com quem é movido pelo imediatismo. Mostre ao seu cliente que você ama o que faz e que está numa jornada de aprimoramento contínuo.

6. Coerência

Não prometa o que você não pode entregar, não opine sobre temas que você não domina. Fale apenas sobre o que você se garante na hora de executar.

7. Pensar Grande

Fundamentalmente, sonhar grande dá o mesmo trabalho que sonhar pequeno. Bons clientes gostam de quem visa alcançar objetivos ousados.

A construção desses sete comportamentos pode não ser uma missão fácil para você, assim como não foi para mim.

Eu errei muitas vezes nesses vinte anos, mas sempre com a consciência de que os erros são parte do desenvolvimento profissional e pessoal. Por fim, o importante é sempre ter:

  • a intenção de acertar;
  • a humildade para aprender com os erros;
  • a consciência de que nunca é tarde para corrigir ou melhorar comportamentos.

Foi assim que construí relacionamentos de confiança por onde passei. Espero que essas ideias façam sentido para você e que possam contribuir para o crescimento da sua marca ou da sua carreira na Beleza.

Sinta-se à vontade para comentar abaixo.