Em 2009, eu embarquei para Nova York para participar da NRF – a maior conferência de varejo do mundo – com um misto de empolgação e medo. Naquele momento, o Mundo do Cabeleireiro tinha apenas cinco lojas. Eu me sentia, literalmente, pequenininha diante de gigantes globais do varejo. Mas também carregava uma certeza silenciosa: eu precisava estar ali.
Não foi uma decisão simples. Era minha primeira viagem internacional sozinha. Precisei convencer meu marido, meu pai, e a mim mesma, de que aquela não era uma viagem de lazer, mas um passo sério de desenvolvimento pessoal e profissional. Lembro até hoje do nervosismo no aeroporto, da vontade de desistir, do frio na barriga. Mas também lembro da sensação de vitória ao pousar. Eu tinha ido. E aquilo mudou tudo.
A NRF como ponto de virada
Desde então, a NRF se tornou, para mim, o verdadeiro “start do ano”. É onde organizo minha cabeça, revisito estratégias e amplio meu olhar. Nem tudo o que vemos lá é aplicável diretamente ao Brasil, e tudo bem. Aprendi a “tropicalizar” ideias: adaptar tecnologias, ferramentas, conceitos de atendimento e, principalmente, o storytelling e os princípios por trás das grandes marcas.
Mais do que tendências ou aplicativos, a NRF me ensinou a observar o que está por trás das empresas que crescem: cultura, clareza de propósito, uso inteligente de dados e respeito pelo cliente. Muitas das mudanças que implementamos no Mundo do Cabeleireiro nasceram dessas reflexões.
Um negócio de família, com valores muito claros
Nossa história começou bem antes de mim. O Mundo do Cabeleireiro foi fundado em 1993 pela minha mãe, em um momento delicado da nossa família, para ajudar meu pai financeiramente. Até hoje ela está presente na operação, sendo uma grande guardiã da cultura da empresa. Valores como limpeza, organização e cuidado com o espaço não são detalhes, são princípios.
Eu sou a filha mais nova. Entrei no negócio aos 17 anos, passando por praticamente todas as funções possíveis: operadora de caixa, estoquista, cadastro de produtos quando o sistema foi implantado. Conhecer a operação desde a base fez toda a diferença na forma como lidero hoje.
Ao longo dessa jornada, meu irmão Celso sempre foi meu grande parceiro. Ele cuidava da gestão financeira; eu, da frente de loja, da estratégia e das equipes. Somos diferentes, eu mais emocional, ele mais racional, mas sempre tivemos um acordo claro: decidir com base no que é melhor para a empresa, não para o ego.
Crescer também dói
Entre 2009 e hoje, crescemos de cinco para 64 lojas. Mas o crescimento trouxe um choque de realidade: chega um momento em que não dá mais para fazer tudo sozinho. Quando ultrapassamos a marca de 20 lojas, entendemos que precisávamos de ajuda externa.
Foi aí que a Vince Partners entrou na companhia. Não queríamos capital, queríamos conhecimento, processos, visão de tempo e dados. Esse talvez tenha sido um dos maiores desafios da minha vida profissional: aprender a delegar, abrir mão de controle, aceitar que crescer exige dividir decisões e poder.
Precisei desenvolver habilidades novas, fazer coaching para apresentações em conselho, aprender a separar os papéis que eu exercia — irmã, sócia, executiva, filha — e lidar melhor com minhas próprias emoções. Crescer a empresa exigiu, antes de tudo, crescer como pessoa.
Da insegurança à tranquilidade
Quando olho para trás, vejo duas Marinas muito diferentes. A de 2017, insegura, com medo, enfrentando uma jornada solitária. E a de hoje, mais tranquila, mais segura, consciente de que não preciso ter todas as respostas, mas preciso fazer as perguntas certas.
Se conto essa história, é porque um dia eu também me inspirei ouvindo trajetórias que pareciam grandes demais para mim. Hoje, se minha caminhada puder mostrar a outros pequenos empreendedores que é possível crescer sem perder a essência, então tudo fez ainda mais sentido.
Crescer não é deixar de ser pequeno. É não deixar de sonhar grande.
