Unhas amareladas, grossas e que parecem não melhorar mesmo após várias tentativas de tratamento. Essa é a realidade de quem convive com a onicomicose, infecção fúngica que afeta não só a saúde das unhas, mas também a autoestima e até a rotina de muitas pessoas. Quem nunca deixou de usar uma sandália por vergonha da aparência dos pés?
Foi diante desse cenário tão comum na podologia que a especialista Rafaela Benatti apresentou, durante o 1° Congresso Avançado de Remoção da Beauty Fair 2025, um panorama aprofundado sobre a doença e uma alternativa que vem ganhando força: o tratamento com laser.
Entendendo a onicomicose

A onicomicose, embora não ofereça risco imediato à vida, causa espessamento e descolamento da lâmina ungueal, além de um impacto estético significativo. Os fungos responsáveis se alimentam de queratina, presente em unhas, cabelos e pelos.
Os dermatófitos representam até 70% dos casos, enquanto leveduras e fungos não dermatófitos respondem por uma menor parcela. Como o problema se desenvolve em ambientes úmidos e quentes – chuveiros, piscinas e vestiários -, é mais frequente nos pés, região com menor vascularização e, portanto, mais difícil de tratar.
Outro ponto de destaque levantado por Rafaela foi o esclarecimento sobre a transmissão: diferente do que muitos acreditam, o contágio direto entre pessoas é raro. O grande risco está no compartilhamento de objetos como alicates de manicure e lixas, o que reforça ainda mais a importância da biossegurança nos salões de beleza.
Fatores de risco e desafios dos tratamentos convencionais
A onicomicose tem maior incidência em pessoas com frieira, diabetes descontrolada, idosos, imunossuprimidos, tabagistas ou com doenças como psoríase e problemas circulatórios. Além disso, as recidivas são frequentes, o que torna o tratamento ainda mais desafiador.
Até hoje, as opções convencionais são baseadas em antifúngicos tópicos ou sistêmicos. No entanto, os primeiros apresentam baixa eficácia, menos de 30% de cura micológica, devido à dificuldade de penetração na lâmina ungueal, exigindo uso contínuo por até 12 meses. Já os sistêmicos, embora mais efetivos, trazem riscos de hepatotoxicidade, interações medicamentosas e contraindicações em casos como gestantes e pacientes polimedicados.
Diante dessas limitações, surge o espaço para terapias menos agressivas e mais eficientes, entre elas os lasers, que vêm ganhando destaque como alternativa segura e promissora.
Laser ND:YAG e terapia fotodinâmica: inovação no tratamento

A especialista destacou o papel do laser ND:YAG, que atua por fototermólise seletiva, aquecendo a lâmina ungueal entre 45°C e 60°C e destruindo as estruturas fúngicas. O procedimento é indolor, não apresenta riscos sistêmicos e já proporciona melhora estética visível após poucas sessões.
Outra abordagem é a terapia fotodinâmica (PDT), que combina o uso de fotossensibilizantes ativados por laser vermelho ou infravermelho. Essa técnica gera espécies reativas de oxigênio capazes de destruir seletivamente os fungos, reduzindo a resistência e melhorando a aparência da unha. Associada ao ND:YAG, a PDT amplia os resultados, acelerando a recuperação e oferecendo maior eficácia clínica.
O protocolo envolve registro fotográfico, higienização da unha com produtos específicos e aplicação controlada do laser, geralmente em duas a três passadas. Não há necessidade de cuidados pós-procedimento, além de evitar esmaltes durante o tratamento. Em alguns casos, antifúngicos tópicos podem ser utilizados como complemento.
Impactos para o mercado da beleza e próximos passos
O uso do laser para onicomicose representa uma oportunidade estratégica para clínicas de estética, podologia e salões de beleza especializados. Ao oferecer um tratamento inovador, eficaz e seguro, os profissionais não apenas elevam a qualidade do atendimento, mas também agregam valor aos serviços.
Para Rafaela, o potencial dessa área ainda é pouco explorado, mas já mostra resultados animadores. Além de tratar uma condição clínica comum, o laser devolve a autoestima aos clientes e fortalece a confiança no setor da estética profissional. Ao unir ciência e beleza, a tecnologia amplia horizontes e reafirma que o futuro do cuidado com as unhas vai muito além do esmalte.
