Empreender sempre foi um desejo de muitos profissionais da beleza e do bem-estar e, na podologia, não é diferente. Mas transformar habilidade técnica em um negócio de sucesso é um caminho que exige mais do que paixão pela profissão. Foi exatamente esse o recado do especialista Luis Cesar Bigonha, durante o Congresso de Podologia da Beauty Fair 2025, que trouxe reflexões e alertas valiosos para quem deseja trilhar essa jornada.
Segundo ele, abrir um CNPJ como MEI pode ser um passo atrativo pela baixa carga tributária, pela emissão de notas fiscais e pelos benefícios previdenciários. No entanto, o especialista foi enfático: “Virar MEI não garante o sucesso de ninguém. É só o primeiro degrau de uma escada longa, que exige preparo e visão estratégica”.
Os números ajudam a entender o cenário: 27% dos MEIs fecham no primeiro ano e 69% não resistem além de cinco anos. Para ele, o grande vilão não é a falta de talento, mas a ausência de preparo para a gestão. “Quando você abre um negócio, precisa estar pronto para cuidar de finanças, marketing, relacionamento com clientes e até das regras da Vigilância Sanitária”, reforçou.
O peso de empreender sozinho
Abrir uma clínica de podologia pode facilmente se transformar em um fardo quando o profissional precisa acumular funções de gestor, contador, estrategista e ainda cuidar do atendimento. “Quem empreende sozinho muitas vezes passa mais tempo cuidando de papéis do que de pés”, alertou Bigonha.
Entre os principais obstáculos estão a dificuldade de fidelizar clientes, a guerra de preços com a concorrência e os custos elevados para manter uma estrutura adequada. Some-se a isso a sensação de isolamento, comum a quem inicia sem rede de apoio.

A importância de parcerias
Para tornar o caminho mais sustentável, Luis defende a construção de alianças estratégicas. Trabalhar dentro de um salão estruturado, se associar a clínicas de estética ou dividir espaço com outros profissionais pode reduzir custos e aumentar a visibilidade. “Empreender exige mais do que habilidade técnica. É na parceria que o processo fica mais fácil e sustentável”, destacou.
A ideia de “empreender dentro do empreendimento” ganhou força em sua fala: usar a estrutura de negócios já consolidados permite que o podólogo foque no que sabe fazer melhor, cuidar da saúde e bem-estar dos pés, sem se perder nas burocracias.
Crescimento sustentável e propósito
Apesar das dificuldades, o profissional garante que empreender na podologia pode ser transformador para quem encara o processo com resiliência e planejamento. “Hoje, empreender é mais difícil do que nunca, mas é justamente esse processo que vai fazer você crescer. A questão é: você está preparado para isso?”, provocou.
Empreender na podologia exige coragem, preparo e visão de futuro. Mais do que dominar a técnica, é preciso desenvolver a capacidade de transformar talento em negócio sustentável, construindo parcerias e enxergando a profissão como uma oportunidade de mercado sólida e estratégica.
