SPIW 2026 consolidou-se como um dos principais encontros de tecnologia, inovação e empreendedorismo do país, com IA como eixo transversal que posiciona o trabalho humano para tarefas mais estratégicas e criativas, especialmente no varejo de beleza, onde personalização em escala, assistentes digitais, QR Codes com rastreabilidade e WhatsApp como plataforma operacional ganham espaço, promovendo eficiência sem perder proximidade. Resumo: Encerrada em 15 de maio, a SPIW 2026 reforçou a liderança do evento no debate sobre transformação digital, reunindo debates sobre varejo, consumo, sustentabilidade, cultura, educação e saúde, com a IA surgindo como elemento central para reposicionar o trabalho humano ao assumir tarefas operacionais. No varejo de beleza, a IA é vista como aliada para reduzir sobrecarga e manter a experiência consultiva, com exemplos como diagnósticos de pele, recomendações de produtos e jornadas personalizadas via Beauty Genius da L’Oréal Paris; o uso de agentes de IA para operações (vendas, atendimento, finanças, marketing) ganhou espaço, destacando a possibilidade de um modelo de produtividade que faz mais sem aumentar a equipe. Os QR Codes, integrados ao padrão GS1, passam a trazer dados de autenticidade, validade, estoque e informações técnicas, facilitando consumo autônomo e fortalecendo o relacionamento com a marca. O WhatsApp se firmou como núcleo operacional do varejo, com IA promovendo triagens, respostas e acompanhamento de pedidos, permitindo que as equipes se concentrem em atendimento consultivo, consolidando um modelo híbrido entre tecnologia e toque humano.
Resumo supervisionado por jornalista.Encerrada em 15 de maio, a São Paulo Innovation Week 2026c (SPIW) consolidou mais uma vez sua posição como um dos principais encontros de tecnologia, inovação e empreendedorismo do país. Ao longo de três dias, o festival reuniu especialistas, executivos, startups, estudantes e profissionais de diferentes setores para discutir a transformação digital em áreas como varejo, consumo, sustentabilidade, cultura, educação e saúde.
Em meio a inúmeras discussões que atravessaram a programação do evento, a inteligência artificial apareceu como um eixo transversal praticamente inevitável. Dos debates sobre comportamento às conversas sobre negócios, produtividade e experiência do consumidor, a IA esteve no centro das reflexões sobre o o futuro das empresas e, principalmente, sobre o futuro do trabalho.
Uma das principais ideias defendidas nos painéis foi a de que a tecnologia não deve substituir o trabalho humano, mas reposicioná-lo. Ao assumir tarefas operacionais e repetitivas, a IA pode liberar profissionais para funções mais estratégicas, criativas e relacionais, valorizando competências humanas em vez de eliminá-las.
No varejo de beleza, a discussão encontra terreno fértil, já que o setor convive há anos com equipes enxutas, acúmulo de funções e crescente pressão por produtividade, ao mesmo tempo em que precisa manter um atendimento consultivo e experiências cada vez mais personalizadas. Nesse cenário, a IA começa a ser vista como uma ferramenta capaz de aliviar a sobrecarga operacional sem comprometer a experiência do consumidor.
Da gestão de estoque ao atendimento digital, passando pela criação de campanhas e análise de dados, ferramentas de inteligência artificial começam a ganhar espaço na rotina operacional do setor. Mais do que acelerar tarefas, a proposta debatida no SPIW aponta para um novo modelo de produtividade no varejo: um em que a inteligência artificial ajuda negócios de beleza a fazer mais sem necessariamente exigir mais das equipes.

Foto: Werther Santana/ Estadão
Como a IA pode aliviar a rotina no varejo de beleza
Na prática, a inteligência artificial começa a assumir aplicações práticas no varejo de beleza, especialmente em áreas que tradicionalmente consomem tempo das equipes. Uma das frentes que mais avançam é a da chamada personalização em escala, em que ferramentas de IA já conseguem realizar diagnósticos de pele, interpretar hábitos de consumo e recomendar produtos de forma automatizada, criando jornadas mais rápidas e individualizadas sem exigir dedicação integral de promotoras em todas as etapas desse processo.
A L’Óreal Paris ampliou recentemente sua atuação digital com o lançamento do Beauty Genius, assistente virtual que oferece recomendações personalizadas de produtos a partir de diagnósticos realizados pelo próprio usuário. A ferramenta já ultrapassou 400 mil interações nos Estados Unidos e deve chegar a novos mercados ainda este ano, incluindo o Brasil.
Nesse modelo, a IA atua como um primeiro nível de atendimento e descoberta. O consumidor inicia sua jornada digitalmente, recebe sugestões alinhadas às suas necessidades e chega ao ponto de venda mais informado, permitindo que vendedores concentrem esforços em atendimentos mais aprofundados e consultivos.
O avanço dos assistentes digitais
Entre os temas mais debatidos durante a SPIW esteve a relação entre produtividade e sobrecarga de trabalho. No varejo de beleza, essa realidade aparece de forma especialmente intensa. Há profissionais que transitam entre atendimento presencial em loja, suporte via WhatsApp, reposição de estoque, organização operacional, redes sociais, acompanhamento de clientes e relacionamento com consumidores. Em muitos negócios, especialmente os independentes, a mesma pessoa precisa responder mensagens, produzir conteúdo, emitir cobranças e acompanhar resultados comerciais simultaneamente.
É dentro desse cenário que começam a ganhar espaço os chamados agentes de IA: sistemas integrados para executar tarefas operacionais de forma autônoma e contínua. Recentemente, o portal Negócios de Beleza visitou a Squad e mostrou como essa nova solução desenvolvida pela Inner AI reúne agentes especializados em diferentes áreas de operação, como vendas e atendimento via WhatsApp e Instagram; gestão financeira, geração de links e alertas de pagamento; e marketing, com criação de campanhas, resposta a comentários e acompanhamento de consumidores.
Segundo Bernard Braun, diretor de marketing da Squad, a proposta surgiu a partir da percepção de que muitos empreendedores operam em estado constante de exaustão ao tentar administrar múltiplas funções ao mesmo tempo.
QR Code deixa de ser apenas recurso promocional
Outra transformação que começa a ganhar espaço no varejo de beleza envolve o uso estratégico dos QR Codes. Se durante anos eles foram utilizados principalmente para promoções e direcionamento para redes sociais, agora passam a integrar uma camada mais ampla de informação e rastreabilidade dentro da operação da perfumaria.
Com o avanço do padrão GS1 (sistema global de identificação de produtos), os QR Codes conseguem reunir dados relacionados à autenticidade, validade, lote, estoque e informações técnicas dos produtos. No varejo, isso cria uma jornada mais autônoma e fluida para o consumidor.
Na prática, o cliente pode acessar detalhes sobre composição, benefícios, modo de uso e procedência diretamente pela embalagem, sem depender do atendimento presencial para dúvidas mais simples. Isso reduz parte da demanda das equipes em loja e libera vendedores para interações de maior valor agregado, como consultoria e experimentação.
Além de apoiar o atendimento, os QR Codes também ampliam a conexão entre marcas e consumidores após a compra, transformando embalagens em canais permanentes de relacionamento digital.
Whatsapp se consolida como central operacional do varejo
Outro movimento acelerado pela inteligência artificial é a transformação do Whatsapp em uma plataforma de operação contínua para o varejo de beleza. O aplicativo, que antes funcionava principalmente como canal complementar de atendimento, hoje concentra vendas, relacionamento, suporte e comunicação em tempo real com consumidores. Segundo o Chat Commerce Report 2026, da OmniChat, 96% das conversas de comércio conversacional realizadas em 2025 aconteceram dentro do WhatsApp. O dado reforça o protagonismo da ferramenta em estratégias de relacionamento e conversão.
Com a integração de recursos de IA ao WhatsApp Business, empresas passaram a automatizar triagens, respostas iniciais, acompanhamentos de pedidos, recuperação de vendas e suporte básico ao consumidor.
Para negócios menores, isso representa importante ganho de produtividade sem necessariamente ampliar equipes. Enquanto sistemas automatizados dão conta de demandas repetitivas, vendedores e promotoras conseguem dedicar mais tempo a interações consultivas e à construção de relacionamento, um aspecto decisivo no consumo de beleza.
Mais do que substituir equipes, a tendência aponta para um modelo híbrido, em que tecnologia e atendimento humano passam a operar de forma complementar dentro da experiência de consumo, ajudando o varejo de beleza a ganhar eficiência sem abrir mão da proximidade e da personalização que caracteriza o setor e, em especial, a loja física.
