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Uma mulher de blazer senta-se em um balcão enquanto outra mulher de uniforme mostra a ela um tablet com dados sobre cuidados com a pele. Frascos de cosméticos e frascos de amostras de perfume estão sobre o balcão em uma loja moderna.
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4 minutos de leitura

IA avança no setor de beleza e já influencia da operação à descoberta de produtos

Pesquisas mostram uso crescente da tecnologia em atendimento, CRM e personalização, enquanto marcas começam a disputar espaço nas respostas de plataformas como ChatGPT

4 minutos de leitura

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FigCaption Imagem gerada por IA
Por Shâmia Salem em 12/05/2026 Atualizado: 12/05/2026 às 17:14
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A Inteligência Artificial deixa de ser promessa no varejo de beleza e se estabelece como parte integrada das operações, da experiência do consumidor à análise de dados, ampliando desde atendimento e recomendações até CRM, previsão de demanda, gestão de estoque e leitura de comportamento de compra; o setor cresce, com o mercado global de beleza avançando 10% em valor e o e-commerce seis vezes mais rápido que o varejo físico, segundo NielsenIQ. No Brasil, grupos como Boticário, L’Oréal e Natura já utilizam IA em mais de 70 aplicações internas, com exemplos como a assistente de e-commerce que aumentou a conversão em até 46% no primeiro mês, e o Beauty Genius com mais de 400 mil interações nos EUA; a Sephora testa integração com o ChatGPT para recomendações via interface conversacional, com potencial de finalização de compras no ambiente do chat. Além de reforçar a personalização, a IA já influencia a descoberta de produtos, com metade dos consumidores recorrendo a recomendações digitais, e muda a lógica do varejo e da indústria ao exigir descrições de produto consistentes, dados claros e posicionamento bem alinhado, pois a concorrência passa a se definir pela capacidade de ser encontrado, interpretado e recomendado, seja por humanos, influenciadores ou sistemas automáticos.

Resumo supervisionado por jornalista.

Como era previsto, a inteligência artificial deixou de ser uma aposta distante no mercado de beleza. Aos poucos, ela vem se tornando parte cada vez mais presente da operação de varejistas e marcas, seja no atendimento ao consumidor, na recomendação de produtos ou na análise de dados para decisões mais estratégicas.

Se, em um primeiro momento, a tecnologia apareceu de forma mais visível em chatbots, quiz de skincare e campanhas personalizadas, agora ela começa a ocupar também funções ligadas a CRM, previsão de demanda, gestão de estoque e leitura de comportamento de compra. Esse movimento acompanha uma importante transformação do setor: segundo a NielsenIQ, no relatório State of Beauty 2026, o mercado global de beleza cresceu 10% em valor em relação ao ano anterior, enquanto o e-commerce avançou em ritmo seis vezes superior ao do varejo físico.

IA já faz parte da operação das empresas de beleza

Na prática, a inteligência artificial já está integrada a diferentes camadas do negócio, da operação à experiência de compra. No Brasil, o Grupo Boticário aparece entre os players que mais avançaram nesse campo: a inteligência artificial já é utilizada em mais de 70 aplicações internas, que incluem previsão de demanda, recomendação de produtos e suporte à jornada omnichannel.

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Um dos exemplos mais recentes é a assistente virtual de e-commerce, que simula o atendimento de uma consultora de beleza no ambiente digital. A solução utiliza inteligência artificial para recomendar produtos e apoiar a jornada de compra e já registrou aumento de até 46% na conversão de vendas no primeiro mês após a implementação da solução. O grupo busca aproximar a experiência digital do atendimento humano, com mais personalização e contexto nas recomendações.

Já a L’Oréal também vem ampliando sua atuação em beleza digital com o Beauty Genius, assistente que oferece diagnósticos de pele e recomendações personalizadas. A ferramenta já ultrapassou 400 mil interações nos Estados Unidos, e deve ser expandida para outros mercados ao longo deste ano, com possibilidade de integração a canais como WhatsApp.

Um smartphone exibe a interface do assistente de IA LOréal Paris BeautyGenius. A tela mostra um close-up do rosto de uma mulher com creme para a pele e opções para fazer perguntas sobre cuidados com a pele e beleza abaixo.
Beauty Genius da L’Óreal Paris/Divulgação

No Brasil, Natura também avança no uso de dados e personalização dentro de seu ecossistema digital e da relação com sua rede de consultoras, integrando jornada de consumo, relacionamento e recomendação de produtos.

Sephora leva a experiência de beleza para dentro do ChatGPT

A movimentação também aparece em varejistas globais. Desde março a Sephora vem testando uma integração do seu ecossistema digital com o ChatGPT, em um modelo que permite ao consumidor buscar recomendações de beleza diretamente na interface conversacional da OpenAI.

Na prática, o usuário pode fazer perguntas como “me ajude a encontrar uma base para pele seca” e receber sugestões conectadas ao aplicativo da marca. Caso opte por vincular sua conta Beauty Insider, as recomendações passam a considerar preferências e histórico de compra. No futuro, a experiência também deve permitir finalização de compras dentro do próprio ambiente conversacional nos Estados Unidos.


“Na Sephora, somos apaixonados por ajudar nossos clientes com as melhores dicas e seleção de produtos de beleza, onde e quando eles quiserem. Hoje, isso significa testar o aplicativo da Sephora em novos canais inteligentes, como o ChatGPT. Temos orgulho de apresentar essa experiência no mercado americano, com o objetivo de expandi-la globalmente” – Anca Marola, diretora digital global da Sephora

A gerente geral de e-commerce da Sephora América do Norte, Nadine Graham, reforça a mudança de comportamento do consumidor no uso de inteligência artificial: “Os consumidores de produtos de beleza em todo o mundo estão cada vez mais abertos à orientação por inteligência artificial, já que muitos usam a tecnologia para descobrir marcas, tendências e rotinas. Ao combinar nossa experiência em varejo digital com novas ferramentas de IA, estamos criando novas experiências integradas e conversacionais que são não apenas eficientes, mas também úteis para esses clientes”.

Descoberta de produtos também passa por IA

A influência da inteligência artificial não fica restrita aos bastidores, já que ela também começa a impactar a forma como consumidores encontram e escolhem produtos. O relatório Beauty Reset 2026, desenvolvido pela CEW UK em parceria com a NielsenIQ, mostra que cinco em cada 10 consumidores já recorrem a recomendações digitais e ferramentas baseadas em IA para descobrir produtos de beleza.

Isso mostra que a jornada de descoberta, antes concentrada em redes sociais, influenciadores e lojas físicas, passa a incorporar novas camadas de personalização e recomendação automatizada. Em categorias como skincare e maquiagem, por exemplo, isso se intensifica ainda mais, já que a escolha depende de variáveis individuais como tipo de pele, rotina e preferência por fragrância e textura.

Como a presença digital começa a influenciar a recomendação

À medida que a IA passa a participar da descoberta de produtos, cresce também a atenção das marcas sobre como suas informações são interpretadas por essas plataformas. Uma análise da Business of Fashion aponta que empresas de beleza já monitoram sua presença em respostas geradas por ferramentas como ChatGPT, Claude e Gemini, entendendo que parte da jornada de descoberta pode migrar dos buscadores tradicionais para interfaces conversacionais.

Na prática, isso amplia o papel da estrutura de informação digital das marcas: descrições de produtos mais completas, consistência de dados, presença editorial e clareza de posicionamento passam a influenciar não apenas o consumidor final, mas também sistemas de recomendação automatizada.

O que isso muda na prática para o varejo e a indústria

Para o varejo de beleza, o avanço da inteligência artificial reorganiza parte da lógica operacional. Mix, precificação, campanhas no PDV e reposição passam a ter mais suporte de dados e modelos preditivos. Já para a indústria, o impacto aparece na leitura de mercado, no desenvolvimento de produtos e na forma como as marcas ajustam sua comunicação e posicionamento em diferentes canais.

Diante disso, fica fácil entender porque esse movimento já altera a dinâmica da concorrência no setor. Sim, porque em um ambiente em que produtos se tornam cada vez mais similares em preço e acesso, a diferença passa a estar menos no item em si e mais na capacidade de ser encontrado, interpretado e recomendado para o consumidor, seja isso feito por pessoas, influenciadores ou sistemas digitais.

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