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Dois homens falam em um palco durante um evento da Beauty Fair, sentados e em pé ao lado de cadeiras brancas, diante de uma plateia que os observa. O grande pano de fundo vermelho exibe detalhes do evento e imagens de um homem e uma mulher.
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3 minutos de leitura

IA transforma varejo e cobra nova postura de representantes, apontam especialistas no Encontro de Representantes da Beauty Fair

Em palestra durante o dia exclusivo para profissionais do setor, Tiago Baeta e Alexandre Caramaschi mostraram que a inteligência artificial já não é mais promessa, é o novo chão de fábrica do varejo de beleza, e os representantes comerciais precisam se preparar para uma mudança de rota

3 minutos de leitura

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FigCaption Foto: Gustavo Brait
Por Shâmia Salem em 04/09/2026 Atualizado: 23/09/2026 às 11:49
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IA já é prática no varejo de beleza e exige nova postura dos representantes: o setor precisa se adaptar à operação orientada por IA, com o crescimento de marketplaces — 80% das vendas online nos marketplaces e 8 em cada 10 compras físicas iniciadas por pesquisa digital — e à ascensão do TikTok Shop e do Discovery Commerce, que encurtam a jornada entre conteúdo e venda. Além disso, marketplaces internacionais elevam a competição e alteram a dinâmica entre marcas, varejistas, indústria e consumidores. Com a era B2A, a pesquisa e decisão de compra passam a ocorrer por agentes de IA que atuam em nome do consumidor, tornando essencial a GEO (Generative Engine Optimization) para tornar marcas elegíveis nas respostas de assistentes virtuais. O papel do representante não é substituído, mas reinventado como curador e intérprete de dados e tendências, fortalecendo relacionamento humano e consultoria frente a uma tecnologia que transforma o varejo.

Resumo supervisionado por jornalista.

O Encontro de Representantes, realizado hoje (4 de setembro) dentro da programação exclusiva para profissionais do setor na Beauty Fair, trouxe um alerta que ecoou forte entre os distribuidores, vendedores e lojistas presentes no Expo Center Norte: a inteligência artificial não está chegando, ela já está na operação, e quem não se adaptar corre o risco de ficar para trás.

Comandada por Tiago Baeta, especialista em estratégia digital, e Alexandre Caramaschi, head de estratégia e inovação, a palestra “O futuro da beleza é inteligente: como a IA está transformando a indústria do varejo” foi um dos momentos mais aguardados da programação. E a dupla não decepcionou. Em uma apresentação dinâmica e recheada de dados, os especialistas traçaram um raio-x do momento atual do varejo de beleza e projetaram um cenário em que a tecnologia passa a ser protagonista, inclusive na relação entre marcas, distribuidores e representantes.

O peso do digital e dos marketplaces

Baeta abriu a fala com números que chamaram a atenção da plateia. Segundo ele, 80% das vendas online estão concentradas em marketplaces, um dado que, por si só, já indica uma concentração de poder que o varejo físico não pode ignorar. “O e-commerce ainda representa cerca de 13% do share das vendas, então há muito espaço para crescer”, destacou. Mas o executivo fez questão de ressaltar: mesmo quando a compra acontece na loja física, a jornada começa no digital. “Oito em cada dez vendas no físico começam com uma pesquisa online”, afirmou, citando dados apresentados durante a palestra.

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Outro ponto que chamou a atenção foi o avanço do TikTok Shop e do chamado Discovery Commerce. “O TikTok vem consolidando um modelo em que descoberta, consideração e compra acontecem dentro da própria plataforma, reduzindo etapas e fricções na jornada de consumo”, explicou Baeta. A mensagem para os representantes foi direta: a fronteira entre conteúdo e comércio está cada vez mais tênue, e as plataformas de conteúdo já são, na prática, canais de venda.

A internacionalização dos marketplaces

Baeta também trouxe uma reflexão que acendeu um alerta para a cadeia de valor do setor: entre os cinco maiores marketplaces que atuam no Brasil, todos são internacionais. Isso, segundo ele, aumenta a competição e transforma a dinâmica entre marcas, varejistas, indústria e consumidores. “Isso impacta diretamente a cadeia de valor, aumentando a competição e transformando a dinâmica entre marcas, varejistas, marketplaces, indústria e consumidores”, pontuou.

Para os representantes presentes, a mensagem era clara: o jogo mudou. O mercado já não é mais disputado apenas entre marcas nacionais e redes físicas; há novos players internacionais ocupando espaço, e a capacidade de adaptação passa a ser um diferencial competitivo.

Do marketing à era dos agentes

Se Baeta trouxe o cenário atual, Alexandre Caramaschi levou a plateia alguns passos à frente. Sua provocação central foi sobre o que ele chamou de “fim do marketing como conhecíamos” e a chegada da era B2A, Business to Agents. “Todo mundo faz sua consultoria online para considerar suas compras”, disse Caramaschi, lembrando que a busca por informação, comparação de preços e avaliações já faz parte do comportamento de consumo. A próxima evolução, segundo ele, é que os consumidores passem a delegar essa pesquisa a agentes de IA que atuam de forma autônoma em nome deles. “As marcas não precisarão apenas convencer o consumidor final. Precisarão também ser encontradas, compreendidas, recomendadas e selecionadas pelos agentes de IA que atuam em nome desse consumidor”, explicou.

E é aí que entra o novo desafio para representantes e distribuidores. Caramaschi alertou que não basta mais pensar em SEO; agora é preciso pensar em GEO (Generative Engine Optimization), ou seja, otimizar a presença de marcas e conteúdos para serem “elegíveis” nas respostas de ferramentas como ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity. “Conteúdo, mídia, influência e experiência de marca passam a ter uma nova camada: como tornar seu negócio, sua marca, relevante e elegível para os agentes de IA?”, provocou.

O representante do futuro

A fala de Baeta e Caramaschi deixou no ar uma pergunta que muitos representantes devem estar levando para casa hoje: qual é o papel do representante comercial nesse novo mundo? Se os agentes de IA vão pesquisar, comparar e recomendar produtos, e se as decisões de compra forem cada vez mais mediadas por algoritmos, o que cabe ao vendedor humano?

A resposta, ainda em construção, passou pela ideia de que a tecnologia não substitui o relacionamento, mas o reinventa. A curadoria, a consultoria e a capacidade de interpretar dados e tendências se tornam ainda mais valiosas. Como resumiu Tiago Baeta: “A inteligência artificial está me permitindo fazer nos negócios algo impensado há anos atrás”. E, para os representantes que estiveram no Encontro hoje, o recado foi claro: é hora de abraçar a inteligência artificial não como ameaça, mas como ferramenta para fazer o impensável, e, quem sabe, até o impossível.

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