Léo Cosméticos está estruturando um programa de creators para ampliar a presença no digital, iniciando com uma experiência de live commerce e uma base de cerca de 250 micro e nano influenciadores identificados a partir de um workshop realizado em Londrina em parceria com a Embelleze. A iniciativa não busca copiar modelos prontos, mas desenvolver uma proposta com mentoria para creators alinhada à identidade da marca, consumidores e operação. O movimento surgiu ao transformar o cadastro gerado no evento em uma nova frente de relacionamento e envolver diferentes áreas—marketing, compras, e-commerce, agência digital e equipes das lojas—para construir a plataforma de forma colaborativa. A prática já incluiu a participação das funcionárias das lojas em conteúdos e transmissões, com objetivo de aprender fazendo, testar formatos e usar os dados e a interação com o consumidor como insumos para novos passos.
Resumo supervisionado por jornalista.O primeiro spoiler sobre o novo programa de creators da Léo Cosméticos veio nesta quarta-feira (26 de agosto), durante o workshop realizado pela Embelleze em parceria com a rede, em Londrina (PR). O encontro reuniu criadores de conteúdo para uma imersão em influência digital e contou com a participação de Evelyn Regly, influenciadora e head de social commerce da Embelleze. Ao compartilhar sua trajetória no digital, que inclui uma parceria de longa data com a companhia e sua participação na linha Maxton Delícias, Evelyn também ajudou a criar o contexto para uma novidade da própria Léo: a construção de um programa voltado a creators.
A iniciativa ganhou força a partir de uma movimentação que surgiu com a divulgação do workshop. O interesse foi tão grande que a Léo acabou formando um cadastro com cerca de 250 micro e nano influenciadores da região. Ao perceber o potencial daquela base, a rede identificou uma oportunidade que ia além do evento: transformar uma lista de contatos em uma nova frente de relacionamento.
Segundo Júlio César Rodrigues, gerente de marketing da Léo Cosméticos, a movimentação também mostrou que havia espaço para a rede olhar de maneira mais estruturada para sua relação com os influenciadores. “A gente percebeu que era o momento de dar um olhar especial para esse universo e que um programa de creators poderia ser um caminho para ampliar nossa comunicação com os influenciadores”, afirma.
A proposta é que o programa tenha uma frente de mentoria para creators. O formato está sendo construído, mas a Léo já definiu uma premissa: não reproduzir simplesmente um modelo pronto do mercado, e sim desenvolver uma iniciativa que tenha relação com seus consumidores, sua operação e o perfil dos influenciadores com os quais vem se conectando.
Quando um dado vira oportunidade
O caso dos 250 influenciadores é um bom exemplo de como dados podem deixar de ser apenas registros e se transformar em matéria-prima para decisões dentro do varejo.
A Léo não criou inicialmente uma base de creators com o objetivo específico de lançar um programa. O cadastro surgiu a partir da procura pelo workshop e, depois, passou a ser enxergado de outra maneira pela empresa. Foi a partir desse novo olhar que uma informação gerada pela própria operação revelou uma possibilidade de negócio. “Foi uma oportunidade que apareceu para a gente. Quando vimos o tamanho desse cadastro e a quantidade de pessoas interessadas, começamos a pensar em como poderíamos aproveitar essa conexão de uma forma mais estruturada”, conta Cecília Hori, diretora da Léo Cosméticos.
A partir daí, diferentes áreas passaram a participar das discussões sobre o programa. Marketing, compras, e-commerce, agência digital e equipes das lojas contribuem com ideias e experiências para definir os próximos passos.
Para Cecília, essa construção coletiva é importante justamente para evitar que a iniciativa seja apenas uma reprodução de algo que já existe no mercado. “Quando a gente coloca pessoas de áreas diferentes para pensar juntas, cada uma traz uma visão. É isso que ajuda a construir um projeto que tenha identidade própria e que realmente faça sentido para o nosso consumidor”, afirma.
A live veio antes do manual
O programa de creators faz parte de um movimento maior da Léo para experimentar novas possibilidades no digital. Em meados de agosto, a rede realizou sua primeira live commerce dentro de uma de suas lojas, também sem partir de uma operação digital previamente consolidada.
A apresentação foi conduzida por funcionários da própria empresa. A experiência serviu para testar o formato, entender a dinâmica e identificar oportunidades para as próximas transmissões. “Foi uma experiência importante para a gente entender, na prática, o que funciona, o que precisa ser ajustado e como podemos fazer esse tipo de ação de um jeito que tenha a nossa identidade”, explica Júlio.
A construção também envolveu diferentes departamentos, em uma dinâmica que a Léo pretende manter nos próximos projetos digitais. “Estamos fazendo isso a muitas mãos. Marketing, compras, e-commerce, agência e o pessoal das lojas estão envolvidos, e cada área contribui com aquilo que conhece. É justamente essa colaboração que ajuda a construir iniciativas alinhadas à realidade da Léo”, diz.
A própria equipe das lojas passou a ocupar um papel importante nos testes. Funcionárias que estão na frente de loja, em contato direto com os consumidores, começaram a participar de vídeos e transmissões.
“Quando colocamos as meninas da loja para apresentar, percebemos que elas têm muito potencial. Elas conhecem os produtos, conhecem o consumidor e têm uma forma muito natural de conversar com ele”, afirma Cecília.
Começar para aprender
É nesse ponto que a experiência da Léo pode servir de inspiração para outros varejistas que querem investir no digital, mas ainda hesitam por não dominar as ferramentas ou por acreditarem que precisam primeiro montar uma grande estrutura.
A rede está fazendo o movimento inverso: começa, testa, observa a resposta e usa o aprendizado para aprimorar a próxima iniciativa. Isso não significa abrir mão de planejamento, mas aceitar que parte do conhecimento só aparece quando a operação entra em contato com a prática. “Todo mundo está aprendendo a atuar no digital. A gente também está nesse processo, estudando as plataformas, entendendo as possibilidades e descobrindo o que funciona melhor para a nossa realidade”, afirma Júlio.
Para Cecília, a disposição para experimentar é parte importante desse processo. “A gente não precisa esperar ter tudo perfeito para começar. O mais importante é reunir o time, testar e, a partir do que acontece, ir aperfeiçoando”, diz. “Com um celular e um ring light já é possível fazer uma live. O mais importante é ter as pessoas envolvidas e disposição para experimentar”, afirma.
O programa de creators é, agora, o próximo passo dessa jornada. A partir de uma aproximação que começou com uma ação em parceria com a Embelleze, a Léo identificou uma oportunidade de relacionamento e começou a transformar essa descoberta em uma nova frente de atuação.
Mais do que importar uma fórmula pronta, a rede está usando aquilo que já tem – dados, conhecimento de loja, diferentes áreas e contato direto com o consumidor – para descobrir qual pode ser o seu jeito de fazer digital.
