consumidor e canais se mesclam, a loja física continua relevante quando integrada ao digital, a concorrência avança por marketplaces e canais diretos, e a estratégia precisa começar pelo consumidor, com foco em novas categorias, serviços e experiências. A confiança construída ao longo de décadas é fundamental, mas sozinha não basta; é preciso mudar mentalidade, modelos de negócio e acelerar a digitalização, além de promover maior diálogo entre varejo, indústria e sociedade.
A partir dessa perspectiva, o artigo de César Tsukuda, CEO da Beauty Fair Co., aponta que a perfumaria não deve apenas vender mais do mesmo, mas identificar necessidades emergentes, aumentar a descoberta e a recorrência por meio de uma relação integrada entre lojas físicas e digitais, permitindo conhecer o produto na loja, comprar pelo celular, retirar online ou pesquisar antes de visitar; reconhecer que a concorrência hoje vem de novos formatos e canais; e encarar a transformação como um canal inteiro, não uma empresa isolada, com a Beauty Fair atuando como espaço de convergência para alinhavar a agenda do próximo ciclo. O caminho, porém, exige coragem para repensar estruturas, acelerar a digitalização e agir nos próximos segundos, não apenas nos próximos anos.
Resumo supervisionado por jornalista.Durante muitos anos, a perfumaria desempenhou um papel fundamental na transformação do consumo de beleza no Brasil.
Foi esse canal que ajudou o consumidor a ampliar sua rotina. Onde antes havia espaço para xampu e condicionador, passaram a entrar máscara, leave-in, tratamentos e tantos outros produtos. A perfumaria não apenas acompanhou a evolução do mercado de beleza. Em muitos momentos, ajudou a construi-la.
Essa força continua existindo, mas é preciso reconhecer que o consumidor mudou. E mudou rápido.
Hoje, a descoberta de um produto pode acontecer em uma rede social. A pesquisa de preço, em um marketplace. A compra, no e-commerce de uma marca. A retirada, em uma loja física. E a próxima compra pode acontecer em outro canal completamente diferente.
Para o consumidor, essas fronteiras estão desaparecendo.
E talvez esse seja um dos principais desafios para a perfumaria daqui para frente: entender que já não basta ser um bom ponto de venda. É preciso fazer parte da jornada do consumidor.
O crescimento do canal está em jogo
Não acredito no discurso de que o digital vai acabar com a loja física. Muito pelo contrário.
A loja continua tendo atributos extremamente importantes para o mercado de beleza. Ela permite experimentação, descoberta, relacionamento, orientação e contato com novos produtos. Poucos ambientes conseguem oferecer tudo isso ao mesmo tempo.
O problema começa quando físico e digital são tratados como dois mundos separados.
Uma loja que ignora os novos hábitos de compra tende a perder espaço. Uma loja física integrada ao digital, por outro lado, pode se tornar ainda mais relevante.
O consumidor deveria poder conhecer um produto na loja e comprá-lo depois pelo celular. Comprar online e retirar fisicamente. Pesquisar antes de visitar. Continuar se relacionando com aquela empresa depois que saiu do estabelecimento.
Não se trata simplesmente de abrir um e-commerce, mas de repensar a relação da loja com o consumidor.
A concorrência também mudou
Durante muito tempo, era relativamente simples identificar quem disputava o mesmo consumidor. Hoje, não é mais assim.
Novos canais ampliam seus portfólios de beleza. Marketplaces aumentam sua participação na jornada de compra. Marcas desenvolvem canais diretos com seus consumidores. Novos modelos de comércio surgem com enorme velocidade.
A disputa pela atenção e pelo consumo de beleza pode vir de lugares que, alguns anos atrás, sequer consideraríamos concorrentes da perfumaria.
Isso exige uma mudança importante de mentalidade. Talvez uma das perguntas que todo empresário do setor devesse fazer hoje seja:
O que fez minha empresa crescer até aqui será suficiente para fazê-la crescer daqui para frente?
Provavelmente, não. E reconhecer isso não significa abandonar tudo o que foi construído.
Significa utilizar esse patrimônio como base para construir o próximo modelo.
Conhecer melhor o consumidor precisa voltar ao centro da estratégia
Existe ainda outra discussão que considero fundamental. Que categorias deverão ocupar as lojas de beleza nos próximos anos?
Essa resposta não pode vir simplesmente daquilo que tradicionalmente sempre vendeu bem. Ela precisa começar pelo consumidor.
Quais necessidades estão surgindo? Que novas rotinas de cuidado estão sendo incorporadas? Quais categorias podem gerar descoberta, recorrência e novos motivos para visitar uma loja?
Durante décadas, a perfumaria foi extremamente competente em ampliar o consumo de beleza. Esse talvez seja novamente um dos seus maiores caminhos de crescimento.
Não apenas vender mais do mesmo, mas identificar novas categorias, serviços, experiências e soluções capazes de aumentar sua relevância na vida do consumidor.
Confiança é uma vantagem. Mas não é uma estratégia completa.
Existe uma razão importante para eu olhar esse cenário com otimismo, porque a perfumaria construiu algo extremamente valioso ao longo de décadas: confiança.
Relacionamentos construídos ao longo de muitos anos entre fabricantes, varejistas, vendedores e profissionais do mercado.
Mas precisamos ter maturidade para reconhecer que confiança, sozinha, não será suficiente. Ela é a base que permite ao canal avançar.
Será necessário enfrentar questões estruturais, rever modelos de negócio, acelerar a digitalização e, principalmente, promover uma mudança de mentalidade nas lideranças.
O que funcionou até hoje pode não funcionar nos próximos meses.
E talvez essa seja uma das maiores mudanças de perspectiva que precisamos fazer.
Durante muito tempo falamos sobre transformação pensando nos “próximos anos”. O mercado atual não nos dá mais esse tempo.
Precisamos pensar nos próximos segundos.
Nenhuma empresa encontrará essa resposta sozinha
Há ainda um último ponto que considero decisivo. Os desafios que estamos vivendo não são de uma empresa. São de um canal.
Por isso, mais do que nunca, precisamos ampliar a conversa entre varejo, indústria e todos os agentes que participam desse mercado.
A Beauty Fair sempre teve também esse papel: reunir o mercado para que essas conversas aconteçam.
Em momentos de transformação, encontros como esse ganham uma importância ainda maior. São oportunidades para ouvir clientes, fornecedores e lideranças, entender o termômetro do mercado e começar a construir a agenda do próximo ciclo.
Não acredito que exista uma resposta simples para o futuro da perfumaria.
Também não acredito que esse futuro esteja condenado. Muito pelo contrário.
O canal possui história, conhecimento, relacionamento e credibilidade suficientes para continuar ocupando uma posição central no mercado brasileiro de beleza.
Mas o futuro não será uma consequência automática dessa história. Precisará ser construído.
E quanto mais rápido começarmos, maiores serão as chances de transformar todas essas mudanças não apenas em desafios, mas em uma nova avenida de crescimento para a perfumaria.
