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Crise silenciosa nos salões: 40% das vagas para manicures estão abertas no Brasil

Falta de qualificação, desinteresse dos jovens e escassez de cursos acessíveis ajudam a explicar o déficit de profissionais. Como o setor pode reagir?

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FigCaption Imagem: Acervo
Por Redação em 25/07/2025 Atualizado: 28/11/2025 às 00:13
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Uma pesquisa recente revelou que 40% das vagas para manicures no Brasil estão em aberto, destacando uma crise de mão de obra qualificada no setor de beleza, especialmente devido à falta de formação técnica, desinteresse dos jovens e acesso limitado a cursos. Durante o Summit Donos de Salão, César Tsukuda, CEO da Beauty Fair, enfatizou a importância do investimento em capacitação e a criação de programas internos de formação pelos salões, que podem aumentar a retenção de talentos e melhorar o serviço. Além disso, é crucial reverter a percepção negativa da profissão entre os jovens, promovendo parcerias com instituições de ensino e oferecendo incentivos que valorizem e reconheçam os profissionais.
Resumo supervisionado por jornalista.

Uma das maiores dores dos donos de salão de beleza hoje é encontrar profissionais preparados. A escassez de mão de obra qualificada, especialmente entre manicures, tem sido um entrave constante para o crescimento do setor. Quatro em cada dez vagas para manicures seguem em aberto no Brasil. Esse é o alerta trazido por uma pesquisa inédita que mapeia o comportamento dos consumidores e os principais desafios enfrentados pelos salões de beleza no país, apresentada durante a 4ª edição do Summit Donos de Salão, parte do evento Hair Summit 2025.

César Tsukuda, CEO da Beauty Fair, apresentou os dados obtidos em parceria com a Associação Brasileira de Salões de Beleza e destacou a urgência de se investir em capacitação: “O salão precisa investir em educação. Muitos vão dizer que treinaram o profissional e ele foi embora. Mas a outra opção, não investir, é a certeza do fracasso”, disse César.

Embora a área de manicure seja uma das mais procuradas pelas clientes, e frequentemente a porta de entrada nos salões, a dificuldade em preencher essas posições está longe de ser pontual. O setor enfrenta uma crise estrutural, impulsionada pela baixa formação técnica, pela falta de interesse dos jovens pela profissão e pelo acesso limitado a cursos de qualidade. Para os gestores, isso representa uma dor constante que precisa de solução urgente.

Capacitação: o caminho inevitável para mudar o cenário

Diante da dificuldade de encontrar profissionais qualificados, muitos donos de salão se veem diante de um impasse: vale a pena investir na formação da equipe, mesmo correndo o risco de perder o talento depois? Para César Tsukuda, não há dúvidas: “O salão precisa investir em educação. Muitos vão dizer que treinaram o profissional e ele foi embora. Mas a outra opção, não investir, é a certeza do fracasso”.

A boa notícia é que essa consciência começa a ganhar força. Cada vez mais salões estão criando seus próprios programas internos de capacitação, oferecendo desde treinamentos introdutórios até módulos de aperfeiçoamento técnico logo no início da jornada do colaborador. Além de elevar o nível do serviço prestado, essa estratégia fortalece o vínculo com a equipe, aumenta o engajamento e contribui para a retenção de talentos, algo fundamental em um mercado cada vez mais competitivo.

Jovens e formação técnica: reconectar para transformar o futuro

A pesquisa também acende um alerta importante: a profissão de manicure ainda é vista por muitos jovens como passageira ou secundária. Essa percepção afasta novos talentos e contribui para o apagão de mão de obra qualificada no setor. Reconquistar esse público é essencial, e passa por mostrar, de forma clara e inspiradora, que é possível construir uma carreira sólida, rentável e reconhecida dentro do universo da beleza.

Para isso, salões, marcas e instituições têm um papel estratégico. Parcerias com escolas profissionalizantes, ONGs, redes públicas de ensino e até com empresas de cosméticos já começam a abrir caminhos. Iniciativas que oferecem bolsas, formações técnicas acessíveis e programas de incentivo podem ser decisivas para atrair jovens, desenvolver competências específicas e preparar profissionais alinhados com as reais demandas do mercado.

Retenção e valorização: o cuidado que mantém talentos por perto

Imagem: Acervo

Formar profissionais é apenas o primeiro passo. Para mantê-los, é preciso ir além do salário e construir um ambiente onde eles se sintam valorizados, reconhecidos e com possibilidade real de crescimento. A alta rotatividade ainda é uma das dores do setor, e ela não acontece só por melhores propostas financeiras, mas também por falhas no clima organizacional, ausência de plano de carreira e modelos de gestão ultrapassados.

Especialistas apontam que a saída está em uma gestão mais humana e estratégica. Incentivos por performance, trilhas de progressão, cultura de equipe bem definida e reconhecimento genuíno fazem diferença no dia a dia. É fundamental entender que a manicure, em muitos salões, é quem garante o fluxo constante de clientes. Valorizá-la não é apenas uma questão de justiça, é uma estratégia de negócio. Ela precisa ser vista e tratada como um pilar da operação.

Um sinal de alerta, e também de oportunidade

O dado de que 40% das vagas de manicure seguem abertas acende um sinal de alerta para todo o ecossistema da beleza, mas também abre espaço para ações propositivas. A construção de soluções exige diálogo entre salões, escolas, marcas e instituições do setor. Afinal, resolver esse gargalo não apenas melhora a operação dos estabelecimentos, como também movimenta a economia da beleza e amplia a inclusão profissional no país.

Com a demanda por serviços de unhas em alta, e um público cada vez mais exigente, o setor precisa tratar a formação e a retenção de manicures como prioridade estratégica. Quem sair na frente nesse investimento, certamente colherá os frutos em atendimento, fidelização e crescimento sustentável.