A manicure, que por muito tempo era vista apenas como prestadora de serviço dentro do salão, agora ocupa espaço de destaque no mercado de beleza. Redes sociais como Instagram e TikTok transformaram-se em vitrines poderosas, onde unhas bem feitas não são só resultado, mas também conteúdo, identidade e negócio.
Essa mudança abriu caminho para que manicures passassem a ser reconhecidas como criadoras de tendência, educadoras e até empresárias. Quem soube entender esse movimento conquistou não apenas seguidores, mas contratos com grandes marcas, convites para eventos e uma carreira que vai muito além da cadeira de atendimento.
Exemplos que inspiram uma geração
Esse movimento ganhou rosto e voz em profissionais como Ana Paula Vilar, que transformou sua trajetória em um império digital. Com milhões de seguidores, ela cruza fronteiras com cursos e palestras, consolidando a manicure brasileira como referência global em nail art. Já a Manicure Sincera mostrou a força da autenticidade: com bom humor e linguagem acessível, viralizou ao traduzir a rotina de salão em conteúdos que se conectam com milhares de mulheres.

Enquanto Ana Paula personifica o lado educacional e técnico do fenômeno, a Manicure Sincera revela o poder de engajamento e proximidade. Duas estratégias diferentes que chegam ao mesmo resultado: a manicure como protagonista no ecossistema de influência digital
Ana Paula Villar: pioneira do digital
Poucas traduzem essa virada tão bem quanto Ana Paula Villar. Com mais de quatro milhões de seguidoras, ela foi uma das primeiras manicures a enxergar o potencial da internet. “Logo no Facebook, em 2011, percebi que o digital poderia ser um negócio. Em poucos meses, já tinha milhares de acessos e pedidos de cursos. Quando lancei o Cola na Villar no YouTube, em sete meses já estávamos monetizando”, relembra.
A trajetória de Ana Paula mostra como as redes sociais deixaram de ser apenas canal de divulgação e se consolidaram como um braço financeiro. Ao lado do salão e dos cursos, as parcerias com marcas se tornaram outra fonte de renda, inicialmente em forma de permuta, mas rapidamente convertidas em contratos comerciais. “Praticamente mudei de vida em todos os aspectos”, resume.
Hoje, ela incentiva outras manicures a usarem o digital como vitrine de seus trabalhos. “O mundo está na palma das nossas mãos. Precisamos aproveitar esse crescimento em nosso favor.”
Michele Santos: confiança como marca registrada
Assim como Ana Paula, Michele Santos encontrou nas redes o trampolim para expandir sua atuação. Mas o caminho que percorreu foi marcado pela proximidade e confiança. Ela rodou o Brasil com cursos presenciais e fez do ensino acolhedor seu maior diferencial. “Sempre tive esse estilo de pegar na mão e ensinar com coração. Isso gerou credibilidade que se espalhou entre alunas, profissionais e até marcas.”

Esse posicionamento, longe de polêmicas e com incentivo à união da categoria, ajudou Michele a construir autoridade. Para ela, o segredo está em reconhecer que o cenário mudou: “Trabalho bonito por si só não é mais um diferencial como foi anos atrás. Hoje, o que te coloca em destaque é como você se posiciona online.”
Redes sociais como trampolim de carreira
Tanto Michele quanto Ana Paula concordam: estar no digital não é mais opção, é necessidade. A manicure que deseja lotar a agenda ou ministrar cursos precisa se conectar com o público, mostrar bastidores e construir confiança.
Nesse contexto, Instagram e TikTok se transformaram em extensões do portfólio, são tão importantes quanto o próprio trabalho realizado no salão. Fotos, vídeos e stories não apenas exibem resultados, mas validam autoridade e criam laços com a audiência.

O desafio de equilibrar papéis
A influência trouxe também uma nova rotina. A manicure contemporânea precisa equilibrar atendimentos, criação de conteúdo e, muitas vezes, cursos ou mentorias. Michele lembra que, no início, abriu mão do salão para se dedicar ao digital e hoje ensina suas alunas a enxergarem o conteúdo como parte da rotina. “Se existe energia para ver reels e TikTok, também existe para investir em criar autoridade profissional.”
Já Ana Paula defende que cada profissional encontre seu próprio jeito de ocupar as redes, respeitando limites e preferências. Para ela, o importante é estar presente e usar o digital como ferramenta para atrair clientes e vender serviços.
Um novo protagonismo
O resultado dessa transformação é claro: a manicure deixou de ser vista como coadjuvante e passou a protagonizar o mercado de beleza. Seja com a didática de Michele, a autenticidade da Manicure Sincera ou a visão pioneira de Ana Paula Villar, essas profissionais mostram que a influência digital não é tendência passageira, mas parte estruturante da profissão.
Hoje, a manicure que aposta nas redes não apenas embeleza unhas. Ela inspira, educa, movimenta comunidades e mostra que também pode ser empresária, criadora de tendências e voz ativa do setor.

Triskle