Ela já sugere tons de base, analisa o humor da cliente, especifica grupos de públicos para o marketing e antecipa tendências de consumo, tudo em segundos. A inteligência artificial deixou de ser uma promessa distante para se tornar presença real (e cada vez mais estratégica) no mercado da beleza. É fato que essa transformação já começou, mas a verdade é que, nesse setor, ela ainda engatinha.
Apesar do hype em torno da tecnologia, poucos estão realmente preparados para ir além da superfície. De acordo com o relatório State of Beauty 2025, da McKinsey, apenas 10% dos executivos do setor usam IA de forma consistente. A maioria – cerca de 60% – ainda está testando, explorando, tentando entender por onde começar.
O resultado é um cenário fragmentado, onde algumas marcas já apostam em espelhos inteligentes, personalização via IA e análise de comportamento em tempo real, enquanto outras ainda buscam caminhos possíveis para aplicar tudo isso de forma estratégica e, principalmente, viável.
Da teoria à prática: onde a IA já está presente
Entre os que lideram essa transformação, a IA tem sido usada em diversas frentes: desenvolvimento de produtos, previsão de tendências, marketing personalizado e otimização da cadeia de suprimentos. Marcas como Estée Lauder, L’Oréal e Shiseido são exemplos de empresas que já implementam ferramentas avançadas para analisar preferências do público, criar campanhas automatizadas e até desenvolver fórmulas com base em bancos de dados de ingredientes e eficácia.
No Brasil, ainda são raras as iniciativas em larga escala, mas o movimento de digitalização começa a se acelerar, especialmente entre startups de beleza e grandes redes varejistas que buscam ganhar competitividade com dados e automação.
Por que a IA ainda não decolou na indústria da beleza?
Apesar do discurso otimista em torno da transformação digital, a adoção da inteligência artificial na indústria da beleza ainda é pontual e desigual. Segundo a McKinsey, três obstáculos principais ajudam a explicar esse atraso: barreiras técnicas, lacunas culturais e desalinhamento estratégico. Mas o buraco é um pouco mais embaixo.
1- Falta de talentos especializados: muitas empresas ainda não contam com profissionais capacitados em IA e ciência de dados, o que limita a implantação de soluções robustas.
2- Infraestrutura tecnológica defasada: especialmente em mercados emergentes, a digitalização de processos básicos ainda é um desafio.
3- Cultura de negócios tradicional: a beleza é um setor historicamente impulsionado por estética e sensibilidade humana, o que gera resistência na adoção de abordagens baseadas em algoritmos.
Além disso, o estudo aponta que muitas empresas ainda estão testando a tecnologia de forma pontual, seja em pilotos internos ou em parcerias com plataformas, o que contribui para o alto percentual de executivos que se declaram em fase exploratória.
IA como diferencial competitivo
Apesar das dificuldades, a McKinsey reforça que a IA será um fator crítico de diferenciação competitiva nos próximos anos. Marcas que conseguirem integrar a tecnologia em suas operações terão mais agilidade para se adaptar às mudanças de comportamento do consumidor, reduzir custos operacionais e inovar com mais velocidade.
No setor de varejo, por exemplo, a IA já tem sido usada para prever rupturas de estoque, mapear fluxos em loja e criar recomendações de compra personalizadas. Em salões e clínicas, ferramentas de IA generativa podem apoiar na produção de conteúdo para redes sociais, diagnósticos de pele, organização de tarefas e até no relacionamento com o cliente.
O que o profissional da beleza precisa saber agora
Para os profissionais da beleza, do salão à indústria, entender o potencial da IA é essencial para se manter relevante em um mercado que se transforma rapidamente. A capacitação contínua, o uso de ferramentas acessíveis (como assistentes de texto, agendamentos inteligentes, editores de imagem com IA) e a curiosidade para testar novos formatos podem ser grandes aliados na construção de um diferencial competitivo.
Como resume o relatório, o momento é de transição: sair do discurso para a prática. E, embora ainda haja um longo caminho, os que começarem agora estarão mais bem posicionados para liderar a próxima fase da beleza.

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