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Relançamento Avon

Avon se reinventa como FemTech em toda sua operação na América Latina

O relançamento histórico transforma a centenária marca de cosméticos em uma startup tecnológica do feminino.

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Por Redação em 12/03/2026 Atualizado: 12/03/2026 às 14:52
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A Avon anunciou uma transformação histórica, reposicionando-se como uma “FemTech” e se reinventando em toda a América Latina, destacando seu legado de inovação e empreendedorismo feminino desde 1886. Com um novo logotipo e um modelo operacional que reduz o ciclo de lançamentos, a empresa visa atender a consumidora “Glow Getter”, focando em mulheres das classes C e D em busca de produtos de alta performance a preços acessíveis. A estratégia inclui a eliminação de itens de baixa margem e a transformação de suas Consultoras de Beleza em influenciadoras digitais, com o objetivo de revitalizar a marca e conectar-se com seu passado icônico através do conceito de “Newstalgia”.
Resumo supervisionado por jornalista.

São Paulo, 10 de março de 2026. A mais de 100 metros de altura, com o skyline paulistano como pano de fundo, a Avon anunciou ao mundo que não é mais a mesma empresa. O evento reuniu parceiros estratégicos e formadores de opinião para oficializar uma transformação que a companhia define como uma reprogramação completa. O resultado é o que a empresa chama de FemTech: “a startup do feminino”.

Uma empresa de tecnologia desde 1886

A narrativa pode soar arrojada, mas a Avon tem argumentos históricos para sustentá-la: fundada em 1886, a marca afirma ter promovido o empreendedorismo feminino 62 anos antes de a Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU reconhecer formalmente a igualdade de gênero. Hoje, o acervo da companhia soma mais de mil patentes, e é justamente esse legado que alimenta o novo posicionamento.

Na visão de Tatiana Ponce, CMO e vice-presidente de Inovação de Natura e Avon, esse histórico sempre escondeu uma identidade tecnológica que o mercado ainda não havia nomeado: “A maior força da Avon reside em seu pioneirismo histórico. Ao analisarmos profundamente nossa trajetória global, percebemos que a Avon sempre foi uma marca à frente de seu tempo. São mais de mil patentes acumuladas que revelam uma essência típica de uma empresa de tecnologia. No nosso caso, uma ‘femtech atemporal'”.

Entre os marcos citados estão ser a primeira a isolar a Vitamina C pura, democratizar o uso do Retinol e criar o Protinol, sua exclusiva tecnologia antissinais.

“Segundo a Kantar, 75% do impacto de marca vem de pontos de contato que não envolvem mídia paga. Nesse contexto, as marcas precisam ser vistas como sistemas, capazes de conectar-se com pessoas em um cenário hiper-fragmentado de mídia”, diz Mariana Balestra, COO da 404 Innovation Studio, que assina o rebranding da Avon

O sistema operacional em atualização

A mudança vai além do visual. O novo logotipo, inspirado nos símbolos > e < da linguagem de algoritmos digitais, uma tecnologia atribuída à matemática Ada Lovelace, é apenas a ponta do iceberg. “O reposicionamento não é apenas estético, trata-se de uma atualização do ‘Sistema Operacional’ da Avon. As necessidades das mulheres são o nosso principal dado de entrada para o desenvolvimento ágil de produtos”, explica Ponce.

A executiva resume a virada em uma frase direta: “Não estamos apenas sendo relançados; estamos sendo reprogramados.”

O novo modelo opera com squads multidisciplinares que unem P&D, marketing e suprimentos, reduzindo o ciclo de lançamentos de 18 meses para “uma janela de 4 a 6 meses em projetos de baixa complexidade”. A prova do conceito veio com a coleção em parceria com Ana Castela, em 2025: desenvolvida em cinco meses, o lançamento superou as metas de venda e atraiu consultoras mais jovens para a base da empresa.

Para acelerar ainda mais a operação, a Avon construiu 20 agentes de inteligência artificial, usados principalmente para minerar e repaginar o vasto banco de dados da marca em vez de produzir conteúdo do zero.

A consumidora no centro: a Glow Getter

Todo esse aparato tecnológico converge para um único alvo. A nova persona da Avon é a Glow Getter: a mulher latina das classes C e D, hiperconectada, que “corre atrás dos seus sonhos com brilho nos olhos e brilho labial”. Ela busca o que a empresa chama de valor percebido”: alta performance a preços competitivos.

A escolha desse público não é casual. A Avon possui reconhecimento de marca que chega a 90% na América Latina, e o desafio central da renovação é converter essa notoriedade em vendas. O reposicionamento é autofinanciado.

A empresa planeja ainda revisitar ícones do seu passado, relançando-os com tecnologia e estética contemporâneas — um conceito que batizou de Newstalgia. “Vamos nos reconectar com o nosso passado icônico para fomentar um futuro próspero”, define Ponce.

Portfólio enxuto e tecnologias navegáveis

A nova Avon aposta em estratégia de master brand — sem submarcas — e trata a inovação como “Tecnologias navegáveis”: soluções de uma categoria que migram para outras. O exemplo mais concreto é a linha Power Stay, originalmente ícone da maquiagem de longa duração e que, ao ser transposta para a perfumaria, gerou desempenho 180% acima das metas projetadas.

O plano prevê também a eliminação de itens de baixa margem, com diferenças locais representando apenas 20% a 30% do mix de produtos, aproveitando sinergias para sanear o negócio e garantir uma operação eficiente e lucrativa.

Presença no varejo

A nova Avon busca a unificação total entre o físico e o digital. A marca está expandindo sua capilaridade para que a consultora de beleza (são 1,5 milhão na América Latina) atue como uma influenciadora digital e ponto de conexão física.
A marca está presente em mais de 1.200 pontos de venda por 14 parceiros estratégicos, como Soneda e Sumirê, e vai ampliar sua presença no canal farma até o fim de 2026.

Para Ponce, o movimento recente da indústria em direção ao feminino, ainda que tardio, só confirma o que a Avon defende há mais de um século: “Um mundo melhor para as mulheres é um mundo melhor para todos.”