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K-beauty como soft power: Coreia do Sul transforma skincare em ativo diplomático e atrai profissionais brasileiros

Entre diplomacia cultural, inovação cosmética e influência do k-pop, a Coreia do Sul transforma o skincare em motor de turismo, negócios e soft power global.

3 minutos de leitura

FigCaption Imagem: Victoria Damasceno/Folhapress
Por Redação em 30/12/2025 Atualizado: 30/12/2025 às 11:49
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A Coreia do Sul utiliza a k-beauty como uma ferramenta de soft power, transformando o skincare em um motor de turismo e negócios, especialmente atraindo profissionais e consumidores brasileiros. Com clínicas especializadas e um roteiro que combina consultas dermatológicas e experiências de compra, Seul se torna um destino para aqueles interessados em cosméticos e cuidados estéticos. O sucesso da indústria é impulsionado por uma política governamental estruturada, que inclui eventos internacionais, e pela influência da cultura pop, com artistas coreanos promovendo marcas de beleza. Em 2024, o país recebeu aproximadamente 1,7 milhão de pacientes estrangeiros, o que representa um crescimento significativo. Para o Brasil, a expansão da k-beauty oferece lições sobre inovação, valorização da experiência do consumidor e a importância da integração entre indústria e cultura.
Resumo supervisionado por jornalista.

A Coreia do Sul encontrou na beleza um dos seus instrumentos mais eficazes de influência global. O fenômeno da k-beauty deixou de ser apenas uma tendência de consumo para se consolidar como uma estratégia de diplomacia cultural, impulsionando o turismo, fortalecendo exportações e atraindo cada vez mais profissionais e consumidores brasileiros interessados em skincare, procedimentos estéticos e negócios no setor.

Nos últimos anos, Seul passou a integrar o roteiro de dermatologistas, esteticistas, empresários da beleza e fãs da cultura coreana. A cidade reúne clínicas altamente especializadas, varejo de cosméticos em larga escala e experiências pensadas para estrangeiros que buscam entender — e vivenciar — a lógica da beleza coreana.

Turismo de skincare: da rotina ao modelo de negócios

A jornada de quem desembarca na capital sul-coreana costuma seguir um roteiro quase padronizado: consulta dermatológica, definição de um protocolo personalizado e, em seguida, visitas guiadas às principais lojas e marcas de cosméticos. Esse fluxo, que combina saúde, consumo e experiência cultural, vem sendo acompanhado por profissionais especializados que fazem a ponte entre os visitantes e o mercado local.

É o caso de consultores que orientam brasileiros interessados tanto em aprimorar a própria rotina de cuidados quanto em conhecer fornecedores, tecnologias e novidades diretamente na origem. O perfil do público é diverso: vai de profissionais de saúde que buscam atualização técnica a consumidores finais fortemente influenciados pelo k-pop e pelos doramas.

Cultura pop como vitrine global da indústria cosmética

O sucesso internacional das produções audiovisuais coreanas desempenha um papel central nessa engrenagem. Nos doramas, a presença de marcas é estratégica e integrada à narrativa. Produtos aparecem de forma recorrente, associados a atores e atrizes que se tornam referências de beleza para públicos internacionais.

Esse movimento fortalece o brand awareness e acelera a decisão de compra, muitas vezes antes mesmo do consumidor ter acesso ao produto em seu país de origem. Não por acaso, artistas do entretenimento coreano assumem com frequência o papel de embaixadores globais de marcas de skincare e dermocosméticos.

Ação coordenada do governo impulsiona o setor

A expansão da k-beauty não acontece de forma espontânea. Ela é sustentada por uma política pública estruturada. O governo sul-coreano, por meio do Ministério da Saúde e do Instituto Coreano da Indústria Cosmética, promove anualmente feiras, rodadas de negócios e eventos voltados à atração de compradores, jornalistas e investidores estrangeiros.

Em 2024, essas iniciativas incluíram ações exclusivas para a imprensa internacional e a criação de lojas e espaços de experiência voltados especificamente a visitantes estrangeiros, reforçando o posicionamento da Coreia como hub global de beleza e tecnologia cosmética.

Procedimentos estéticos: crescimento com atenção à segurança

Além dos cosméticos, os procedimentos dermatológicos e estéticos fazem parte do pacote de interesse dos turistas. Dermatologia e cirurgia plástica estão entre as especialidades mais procuradas por estrangeiros, especialmente em Seul, que concentra a maior parte das clínicas certificadas.

Autoridades locais reforçam a importância da transparência na comunicação, da qualificação dos profissionais e da orientação detalhada sobre técnicas, riscos e resultados. Há recomendações formais para que pacientes estrangeiros só avancem com procedimentos após consultas completas, com informações claras sobre credenciais, preços e acompanhamento pós-tratamento.

Números que reforçam a força do mercado

De acordo com dados oficiais do Ministério da Saúde da Coreia do Sul, cerca de 1,7 milhão de pacientes estrangeiros visitaram o país em 2024, um crescimento de aproximadamente 93% em relação ao ano anterior. A dermatologia lidera a demanda, seguida pela cirurgia plástica e pelos cuidados clínicos gerais. Seul responde por cerca de 85% desse fluxo internacional.

Oportunidades para o mercado brasileiro

Para profissionais, varejistas e marcas brasileiras, o avanço da k-beauty oferece aprendizados valiosos: integração entre indústria, governo e cultura; valorização da experiência do consumidor; investimento contínuo em inovação e ciência; e construção de marcas com forte apelo global.

Mais do que uma tendência estética, o skincare coreano se consolida como um modelo de negócio, e um case estratégico, que reforça como beleza, cultura e economia caminham juntas em um mercado cada vez mais competitivo e globalizado.

Fonte: Folha de São Paulo