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Neo‑gourmands e cheiros comestíveis: o consumidor quer ser desejado como uma sobremesa?

Delicadamente doce, sofisticadamente complexo: os perfumes inspirados em experiências comestíveis estão redefinindo o sentido do “desejo” olfativo. E as lojas de fragrâncias precisam acompanhar esse apetite por novidade.

2 minutos de leitura

FigCaption Imagem: Reprodução (Internet)
Por Redação em 18/11/2025 Atualizado: 28/11/2025 às 00:14
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A perfumaria gourmet está passando por uma transformação com o surgimento dos neo-gourmands, que combinam notas tradicionais como baunilha e chocolate a ingredientes inovadores, criando aromas que evocam conforto e nostalgia. Essa tendência, especialmente entre a Geração Z, que busca fragrâncias que representem emoções e memórias, está impulsionando o crescimento do mercado de perfumes, que deve atingir US$ 55 bilhões até 2035. Para atender a esse novo consumidor, as lojas de fragrâncias precisam atualizar suas curadorias, focar em storytelling emocional e criar espaços que incentivem a experimentação, transformando perfumes em declarações sensoriais personalizadas.
Resumo supervisionado por jornalista.

A perfumaria gourmet ganhou nova forma. Se os gourmand clássicos, com suas notas de baunilha, caramelo e chocolate, já foram sucesso entre os consumidores, os neo‑gourmands elevam essa proposta. Agora, combinam elementos comestíveis a ingredientes inusitados como arroz tostado, matcha, pistache, leite de coco e creme fresco, criando aromas que despertam conforto, nostalgia e originalidade.

Essa nova categoria aposta em nuances mais sutis e artesanais, que fogem do excesso de doçura e se aproximam de uma sofisticação sensorial, com apelo emocional e cultural cada vez mais forte .

A geração que sente o cheiro da internet

Essa nova preferência tem muito a ver com a forma como a Geração Z se relaciona com a beleza e com o consumo em geral. Jovens entre 18 e 27 anos cresceram conectados, assistindo vídeos de “cheiros que viralizam”, “fragrâncias que te abraçam” e resenhas sinceras no #PerfumeTok, hashtag que já ultrapassa 5,2 bilhões de visualizações no TikTok.

O Vox observa que a Geração Z não busca apenas “cheirar bem”, ela quer “cheirar como uma emoção”. Essa emoção, muitas vezes, está conectada à infância (como baunilha e leite), ao autocuidado (como café com leite) ou à estética da sobremesa (pistache, marshmallow, chantilly). A fragrância é um ponto de expressão pessoal, de performance afetiva e, quanto mais envolvente e única, maior o desejo .

Por isso, não surpreende que perfumes como “Sweet Tooth” de Sabrina Carpenter, “Milk” da Commodity e o brasileiro “Baunilha de Madagascar” da L’Occitane au Brésil estejam entre os mais comentados por esse público. São fragrâncias que traduzem estados de espírito, e não apenas estilo.

Uma tendência com apetite de mercado

O setor de fragrâncias segue em curva ascendente. Segundo a Allure, as vendas de perfumes de prestígio cresceram 12% em valor no primeiro semestre de 2024, acompanhadas por um boom no consumo online, boa parte impulsionado justamente pelos neo‑gourmands e seus derivados .

O mercado global de fragrâncias gourmand foi avaliado em US$ 32,5 bilhões em 2025 e deve atingir US$ 55 bilhões até 2035, impulsionado principalmente pelos jovens consumidores, como destaca o Vox .

O que isso significa para as lojas de perfumes

1- Atualização da curadoria

Ter no portfólio perfumes com notas gourmand atualizadas, menos sintéticas e mais sofisticadas, é essencial para dialogar com o novo público. Ingredientes como leite, creme, baunilha salgada, sândalo amanteigado e nozes torradas são apostas seguras.

2- Storytelling que emociona e informa

Vender um neo-gourmand não é falar sobre o doce, é falar sobre a memória, o conforto, o inusitado. Use isso no treinamento da equipe e na construção da experiência em loja.

3- Espaço para a experimentação

Jovens consumidores querem testar, sentir e compartilhar. Crie espaços instagramáveis na loja, disponibilize testers generosos e incentive reviews, especialmente nas redes sociais.

No fim das contas, o perfume deixou de ser apenas um traço invisível para virar uma declaração sensorial, quase uma sobremesa olfativa servida em frasco. Mas o apelo não está no açúcar. Está na ousadia de transformar conforto em desejo, nostalgia em luxo e ingredientes do cotidiano em assinatura pessoal.

Para quem comanda lojas de fragrâncias, o desafio é entender que esses “cheiros comestíveis” não são infantojuvenis ou óbvios. São sofisticados, complexos, construídos para surpreender e, acima de tudo, para conectar. O consumidor não está apenas buscando um novo perfume. Está buscando um novo jeito de ser lembrado.