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Uma vitrine com prateleiras repletas de frascos coloridos de perfume, produtos para a pele e uma placa com os dizeres “THE SCENT STATION” na Space NK. No centro, uma tela digital exibe detalhes sobre as fragrâncias, lembrando as tendências modernas do varejo destacadas no artigo de Alice Caetano.
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O varejo físico virou o terceiro lugar da beleza

Alice Caetano, da Inside Beauty, analisa como a loja de beleza ganha um novo papel na jornada de consumo ao combinar experiência, presença e acolhimento

3 minutos de leitura

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Alice Caetano

Por Alice Caetano

Meu nome é Alice Caetano, fundadora da Inside Beauty, plataforma e consultoria de inteligência estratégica focada em beleza, bem-estar e saúde. E nesta coluna mensal para o Negócios de Beleza, quero compartilhar observações, movimentos e reflexões sobre como comportamento, cultura e consumo estão transformando a indústria da beleza no Brasil e no mundo.

Publicado em 01/09/2026 Atualizado: 01/09/2026 às 13:00
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O varejo físico de beleza está se transformando no “terceiro lugar” da jornada de consumo, onde presença, acolhimento e convivência substituem a simples transação; apoiado por dados de que 84% dos brasileiros buscam rotina de autocuidado e que mais da metade elevou esses hábitos no último ano, a matéria destaca ainda a ansiedade antecipatória e o movimento anti-IA como contextos que valorizam o humano. Exemplo disso são iniciativas como Sephora Compras Calmas, com lojas mais tranquilas; Diptyque Paris com um apartamento dividido por cômodos; e Space NK, no London Beauty Playground, que incentivam toque, descoberta e experiência em vez de venda. Em síntese, o espaço físico passa a ser um ambiente de convivência, não apenas de venda.

Resumo supervisionado por jornalista.

Nas últimas semanas, enquanto preparava uma palestra sobre varejo físico, voltei muitas vezes para a mesma pergunta: o que faz alguém escolher entrar numa loja hoje, quando pode comprar o mesmo batom, o mesmo sérum, em três cliques, sem sair do sofá?

A resposta que fui encontrando não tem nada a ver com produto. Tem a ver com presença.

O consumo de beleza no Brasil está mudando de comportamento, não só de canal. Os números mostram o tamanho da virada: 84% das pessoas no Brasil buscam uma rotina de autocuidado, embora só um terço consiga sustentar ela, aponta o Ibope. E, no último ano, mais da metade dos brasileiros aumentou esses hábitos, segundo pesquisa qualitativa que a Inside Beauty fez com consumidores pelo país.

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Ao mesmo tempo, vivemos aquilo que o futurista Rohit Bhargava chamou, numa palestra no SXSW do ano passado, de “ansiedade antecipatória”: ficamos ansiosos antes mesmo do que imaginamos acontecer, de fato, acontecer. Às vezes nem acontece. Essa ansiedade é o fio condutor de um movimento que cresceu junto com o boom da inteligência artificial, o chamado movimento anti-IA, que não é rejeição à tecnologia por rejeição. É lembrete de que encantamento, autoria e cuidado nasceram do humano antes dela.

E é exatamente nesse cruzamento, entre um consumidor que busca pausa e uma indústria de beleza cada vez mais dominada por tela, que o espaço físico está sendo reinventado.

No nosso Beauty Report, batizamos a primeira tendência comportamental de 2026/2027 assim: da pressa de pausa para a pausa com presença. Não basta parar, é preciso estar. E essa pausa precisa de um lugar pra acontecer. Existe um conceito antigo da sociologia que explica bem isso: o terceiro lugar. Casa é o primeiro lugar. Trabalho é o segundo. E a loja de beleza está virando o terceiro, o espaço onde a marca para de vender e passa a acolher.

Interior colorido da loja, com sacolas transparentes nas cores laranja, azul, verde e rosa, dispostas de maneira organizada nas paredes e no teto. Prateleiras circulares exibem itens dobrados. Um grande letreiro com a palavra “PLAY” e distribuidores altos de doces ficam próximos à janela, lembrando os elementos de design lúdicos frequentemente destacados nos artigos de Alice Caetano.
Espaço de Beauty Playground imersivo da Space NK em Birmingham, Inglaterra/Foto: Divulgação

Isso já aparece em iniciativas concretas do setor. A Sephora criou o movimento “Compras Calmas”, horários com luz mais baixa, som mais baixo, menos agito, para tornar a experiência de compra mais inclusiva. A iniciativa já chegou a 47 lojas da rede no Brasil. Lá fora, a Diptyque transformou sua loja em Paris numa espécie de apartamento, onde cada cômodo representa uma linha da marca: em vez de prateleira, o cliente caminha por cômodos, como se estivesse em casa. E a Space NK, rede britânica de beleza, criou dentro da sua maior loja em Londres um espaço batizado de “Beauty Playground”, pensado para estimular toque, descoberta e curiosidade: mais do que comprar, o consumidor é convidado a brincar dentro da loja.

O que esses exemplos têm em comum não é o orçamento nem a geografia. É que todos entenderam que o varejo físico de beleza deixou de ser transação e passou a ser convivência.

Essa é só a ponta do que venho estudando. No dia 4 de setembro, vou estar com o time da Beauty Fair numa palestra dedicada a esse tema, trazendo pesquisa inédita sobre como o consumidor brasileiro está se relacionando, de fato, com os canais de venda da beleza hoje.

Se esse assunto te interessa tanto quanto me interessa, te espero na palestra do dia 4/9, na Beauty Fair.Nos vemos lá.

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