Em uma economia globalizada, é natural e até esperado que conflitos impactem não só os países envolvidos. A atual guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, por exemplo, gerou uma série de instabilidades devido à insegurança na região do Oriente Médio e ao bloqueio de rotas por ar, terra e mar.
Diante desse cenário, empresas de importação, distribuição e logística aqui no Brasil vem tendo que adotar estratégias para não interromper a reposição de produtos. E isso também vale, claro, para o varejo de beleza.
As estratégias da BR Brands
Focar em planejamento e logística foi a chave para a estabilidade das importações da BR Brand Imports, que desde 2023 vem expandindo seu portfólio de perfumes árabes. “Quando o conflito começou, além de termos estoques das fragrâncias, já tínhamos embarques em trânsito marítimo, o que nos deu certa tranquilidade para atravessar esse período inicial”, diz Ivana Menezes, sócia e diretora comercial de marketing da BR Brand.
Os perfumes árabes representavam 15% dos negócios da importadora quando trazidos ao Brasil pela primeira vez, em 2024. Hoje, eles respondem por 30%. E isso com duas marcas trazidas da península arábica, ambas já consolidadas no Brasil, a Khadlaj e a Style & Scents – atualmente, são mais de 35 produtos sob o selo dessas empresas.

As estratégias da BIM Distribuidora
Durante o conflito, um dos maiores pontos de tensão está relacionado ao Estreito de Ormuz, um corredor marítimo que liga o Golfo Pérsico ao oceano aberto, por onde passa parte essencial do abastecimento global.
“Agora, a passagem de produtos árabes está 100% bloqueada. Só o transporte aéreo está sendo possível, porém, ele torna inviável o transporte de perfumes, que são mais pesados e acomodados em caixas grandes”, conta Igor Bacchi, CEO da BIM Distribuidora, que possui 15% a 20% da participação deste tipo de fragrância em seus estoques.
O executivo destaca que os impactos do conflito para o Brasil acabam sendo mais colaterais do que diretos: “Para nós, existe um ganho também, porque o dólar tem baixado, o que acaba gerando algum tipo de compensação”, diz.

Como fica o varejo de beleza brasileiro
Como o noticiário tem mostrado, a guerra parece ainda não ter data para acabar. “Diante da instabilidade no Oriente Médio, acreditamos que as questões produtivas e de logística passarão a ser preponderantes. Não sabemos o impacto no custo e disponibilidade de insumos para os fabricantes, uma vez que estão localizados em Dubai”, afirma Ivana Menezes, da BR Brand.
A executiva acredita que, a curto prazo, a importadora não sofrerá grandes repercussões, justamente pelo estoque estratégico para atendimento do mercado de beleza brasileiro.
Para além dos conflitos, é preciso entender o que acontece em território nacional a médio prazo. Igor Bacchi chama a atenção para a flutuação dos valores de produtos no Brasil: “Nos próximos meses, a gente pode ter algum tipo de sinalização de aumento em função do encarecimento do insumo. Por mais que o produto seja nacional, você tem matéria-prima importada, desde a essência até o frasco ou uma tampa”, diz.
O CEO relata ainda, que neste momento, empresas com produtos árabes em seus portfólios já teriam elevado seus preços.
“A gente tem percebido a movimentação de alguns parceiros em função do aumento de custo de contêiner, frete, seguro. E quem tem estoque está aumentando o preço, e de maneira bem significativo, em torno dos 15% a 20%”, conta Igor Bacchi.
Sinais para o futuro
Em um cenário em que o conflitos se estenda, Ivana Menezes assegura que medidas já estão sendo pensadas: “Diante das incertezas, o que podemos dizer é que nossos parceiros já estão buscando alternativas quanto à produção e fornecimento de seus produtos. O importante é fazermos o possível para garantir a cadeia de suprimento”.
A executiva esclarece que trabalha com um planejamento antecipado junto aos fabricantes no exterior, o que garante à importadora mais previsibilidade. “Com lançamentos organizados com bastante antecedência, se torna mais fácil para a BR Brand manter o calendário”, afirma.
Até o momento, tanto a BIM Distribuidora quanto a BR Brand seguem suas operações normalmente; e seus executivos sentem otimismo em relação ao futuro.
