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Um homem de terno escuro sorri enquanto conversa com três pessoas em um evento lotado realizado em ambiente fechado. Uma delas usa uma camisa azul com a palavra “potencializ”. Ao fundo, há um grande painel vermelho e uma multidão de participantes.
Home > Artigos > Potencializ: a Beauty Fair dura cinco dias. O crescimento de uma marca começa depois disso

Potencializ: a Beauty Fair dura cinco dias. O crescimento de uma marca começa depois disso

Em artigo, Gustavo Severo, diretor da Potencializ, analisa os desafios da expansão regional e a importância de ir além da distribuição, com leitura de mercado, relacionamento e execução

8 minutos de leitura

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Gustavo Severo

Por Gustavo Severo

Gustavo Severo é diretor da Potencializ, empresa de representação comercial nascida no varejo de beleza e com forte atuação no Nordeste. Em sua atuação na empresa, acompanha de perto a relação entre indústria e varejo, com foco no desenvolvimento de mercados, sell-out, curadoria de mix e execução no ponto de venda. Sua experiência com lojistas e marcas permite uma visão prática sobre as particularidades de cada mercado e sobre os desafios da expansão regional.

Publicado em 24/08/2026 Atualizado: 24/08/2026 às 12:58
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O texto de Gustavo Severo, diretor da Potencializ, analisa os desafios da expansão regional no setor de beleza, destacando que a maturação do mercado exige ir além da distribuição e investir em leitura de mercado, relacionamento e execução; a região Nordeste, antes tratada como fronteira, passa a ser estratégica, porém requer estratégias diferenciadas por cidade, varejo e consumo. A mudança de mentalidade aponta que representar marcas não é apenas vender, mas criar um fluxo de inteligência entre indústria e varejo, promovendo desenvolvimento de mercado, recorrência de compra e reposição, já que o sucesso sustentável depende de presença duradoura e de decisões baseadas em dados reais, não apenas em lançamentos. O texto ainda propõe cinco perguntas-chave para marcas escolherem parceiros comerciais que contribuam para o crescimento a longo prazo, enfatizando que o futuro da expansão reside em entender o mercado, manter relacionamentos sólidos e transformar informações em ações que consolidem a marca ao longo dos anos.

Resumo supervisionado por jornalista.

Todos os anos, milhares de profissionais desembarcam em São Paulo movidos pelo mesmo objetivo: encontrar a próxima grande oportunidade do mercado de beleza.

Em 2026, a Beauty Fair recebe profissionais do setor com acesso exclusivo no dia 4 de setembro e segue de 5 a 8 de setembro. Ao longo desses cinco dias, a feira concentra lançamentos, negociações, encontros entre fabricantes e varejistas, demonstrações de produtos, tendências internacionais e centenas de conversas capazes de mudar o rumo de uma marca.

Para muitos expositores, a expectativa é fechar novos negócios. Para os lojistas, descobrir produtos que possam gerar diferenciação e aumentar o faturamento. Já para distribuidores e escritórios de representação comercial, a feira representa um momento estratégico para fortalecer relacionamentos e construir novas pontes entre a indústria e o varejo.

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É um ambiente onde grandes decisões começam.

Mas quase nenhuma delas termina ali.

Quando os estandes são desmontados, as luzes do pavilhão se apagam e cada empresa retorna à sua rotina, inicia-se uma etapa que recebe muito menos atenção do que deveria. É nesse momento que as marcas deixam de disputar espaço dentro da feira e passam a disputar espaço dentro do mercado. E são poucas as que percebem que essas duas disputas exigem estratégias completamente diferentes.

Conseguir chamar atenção durante cinco dias é importante. Construir presença ao longo dos anos é outra história.

Na expansão regional, um padrão aparece com frequência: marcas chegam a novos mercados impulsionadas por bons produtos, embalagens bem desenvolvidas e campanhas de lançamento consistentes. Algumas conquistam resultados rapidamente. Outras perdem espaço poucos meses depois.

Na maioria das vezes, a diferença não está na qualidade do produto, no investimento em marketing ou no potencial da categoria. Ela está na capacidade de transformar uma boa negociação em uma operação comercial sustentável.

É justamente por isso que a conversa sobre expansão regional nunca foi tão relevante quanto agora.

O mercado de beleza amadureceu. O consumidor mudou. O varejo tornou-se mais criterioso. E a representação comercial deixou de ser apenas um elo entre indústria e loja para assumir um papel estratégico na construção de mercados.

Essa transformação é especialmente importante quando uma marca decide avançar para uma região com características próprias de consumo e de operação.

O mercado não premia apenas quem chega primeiro. Premia quem consegue permanecer.

Durante muito tempo, expandir uma marca significava abrir o maior número possível de clientes. A lógica era simples: quanto maior a cobertura comercial, maior seria o crescimento.

Esse modelo funcionou durante muitos anos.

Mas o mercado mudou.

Hoje, o consumidor conhece um produto pelo Instagram antes mesmo de encontrá-lo na prateleira. Compara avaliações, acompanha influenciadores, pesquisa preços, descobre concorrentes e chega à loja muito mais informado do que há alguns anos.

Ao mesmo tempo, o varejo passou a conviver com um volume crescente de lançamentos. Toda semana surgem novas marcas, linhas, categorias e promessas.

Para o lojista, isso significa uma responsabilidade enorme: decidir quais produtos merecem ocupar um espaço limitado dentro da loja. Cada item que entra no mix precisa justificar sua permanência. E cada espaço ocupado por uma marca precisa contribuir para o resultado da operação.

Nesse cenário, vender um primeiro pedido deixou de ser o grande desafio.

O verdadeiro desafio passou a ser gerar recompra.

Uma marca só consolida sua presença quando continua vendendo depois do primeiro pedido.

É justamente nesse ponto que muitas estratégias de expansão começam a falhar.

Algumas empresas ainda enxergam novos mercados apenas como uma oportunidade de aumentar o volume de distribuição. Mas distribuição, sozinha, nunca garantiu crescimento sustentável.

Produtos podem estar presentes em centenas de lojas e, ainda assim, não construir relevância. Da mesma forma, marcas com uma presença muito mais seletiva conseguem crescer de maneira consistente porque investem em algo que vai além da venda: o desenvolvimento do mercado onde atuam.

Essa mudança de mentalidade talvez seja uma das maiores transformações vividas pela indústria da beleza na última década.

A pergunta deixou de ser:

“Em quantas lojas minha marca está?”

E passou a ser:

“Em quantas dessas lojas minha marca realmente vende, gira e constrói relacionamento com o consumidor?”

É uma diferença aparentemente pequena, mas que muda completamente a forma como uma empresa deve pensar sua expansão.

O Nordeste deixou de ser uma aposta. Tornou-se uma prioridade estratégica.

Durante muitos anos, algumas empresas enxergaram o Nordeste apenas como a próxima etapa da expansão nacional. Era comum que os investimentos mais robustos fossem direcionados inicialmente ao Sul e Sudeste, enquanto a região nordestina era incorporada ao planejamento em um segundo momento.

Hoje, essa lógica já não faz sentido para grande parte da indústria.

O Nordeste reúne um dos mercados consumidores mais relevantes do país, possui um varejo especializado extremamente ativo e demonstra, ano após ano, uma capacidade crescente de absorver novas categorias, marcas e tendências.

Mas enxergar o tamanho da oportunidade não significa tratar a região como um mercado homogêneo.


O Nordeste não é um único mercado. É um conjunto de mercados

Quem percorre diferentes estados da região percebe rapidamente que hábitos de consumo, perfil do varejo, comportamento do cliente e até mesmo o desempenho de determinadas categorias podem variar significativamente entre cidades relativamente próximas.

Uma estratégia que funciona em Fortaleza pode precisar de ajustes para Recife. O que gera excelentes resultados em João Pessoa pode não apresentar o mesmo desempenho em Sergipe. O mix ideal para uma grande rede dificilmente será exatamente o mesmo de uma perfumaria independente.

É justamente por isso que copiar estratégias desenvolvidas para outras regiões nem sempre produz os resultados esperados.

Expandir exige adaptação, leitura constante do mercado e proximidade com quem vive a operação todos os dias.

Na minha experiência acompanhando o mercado de beleza, essa é uma das diferenças que mais aparecem entre marcas que conseguem consolidar sua presença em uma região e aquelas que permanecem em um ciclo de entradas e saídas.

As empresas que mais crescem não são necessariamente as que investem mais. São as que escutam mais: o varejo, o consumidor e o comportamento de cada praça antes de tomar decisões.

Parte desse conhecimento pode até ser transformada em dados e indicadores, mas sua interpretação depende da proximidade com a operação e da capacidade de conectar diferentes sinais do mercado.


Representar uma marca é diferente de desenvolver um mercado

Essa talvez seja a principal mudança de mentalidade que a indústria da beleza vive atualmente.

Durante décadas, o papel da representação comercial esteve fortemente associado à abertura de clientes, negociação de pedidos e expansão da distribuição. Essas funções continuam fundamentais. Mas, sozinhas, já não atendem às necessidades de um mercado muito mais competitivo, conectado e dinâmico.

Hoje, uma marca precisa de parceiros capazes de fazer perguntas que vão muito além do faturamento do mês: como está o giro da categoria? Quais produtos apresentam maior recorrência? Quais lançamentos realmente despertaram interesse do consumidor? Quais dificuldades o lojista enfrenta para vender determinada linha? Existe alguma mudança de comportamento acontecendo naquele mercado?

São respostas como essas que permitem tomar decisões melhores.

É nesse ponto que a representação comercial pode assumir um papel mais estratégico: transformar o que acontece no ponto de venda em informação para a indústria e, no sentido contrário, ajudar o varejo a entender melhor as marcas e categorias que chegam às suas lojas.

Na prática, isso cria um fluxo permanente de inteligência. A indústria passa a conhecer melhor seu consumidor, enquanto o varejo recebe informações que podem apoiar decisões de mix, exposição e reposição. A marca, por sua vez, consegue evoluir com base em informações reais, e não apenas em percepções.

É um modelo que beneficia todos os lados da cadeia.

Talvez esse seja o maior valor da representação comercial moderna: ela continua sendo uma atividade de vendas, mas passa também a cumprir uma função de construção de mercado.


Crescimento sustentável não acontece por acaso

Quando uma marca conquista espaço em uma loja pela primeira vez, existe um sentimento natural de comemoração. Mas o primeiro pedido nunca foi o destino. Sempre foi o ponto de partida.

O verdadeiro crescimento acontece quando aquele produto continua vendendo meses depois, quando o lojista decide ampliar o mix, quando o consumidor retorna para comprar novamente e quando a marca deixa de depender apenas de lançamentos para gerar resultado.

É nesse momento que a expansão deixa de ser um projeto comercial e passa a se tornar uma construção de reputação.

Empresas que conseguem alcançar esse estágio normalmente compartilham algumas características em comum: acompanham indicadores, investem em relacionamento, escutam o varejo, corrigem rotas rapidamente, entendem que diferentes mercados exigem diferentes estratégias e escolhem parceiros que compartilham dessa mesma visão.

A questão, portanto, não é apenas escolher um parceiro com capacidade de vender. É encontrar uma estrutura capaz de acompanhar a evolução da marca, interpretar o mercado e transformar aprendizados da operação em decisões.

Essa diferença pode parecer sutil. Na prática, ela pode determinar quais empresas conseguirão permanecer relevantes nos próximos anos.

Cinco perguntas que toda marca deveria fazer antes de escolher um parceiro comercial após a Beauty Fair

A Beauty Fair é um excelente lugar para iniciar conversas, conhecer novos parceiros e desenhar projetos para os próximos meses. Mas, antes de transformar uma conversa iniciada na feira em uma parceria comercial, vale fazer algumas perguntas que podem influenciar diretamente o futuro da marca.

Não são perguntas sobre preço, comissão ou sobre quem possui a maior carteira de clientes. São perguntas sobre estratégia, capacidade de execução e conhecimento do mercado.

1. Esse parceiro conhece apenas os clientes ou conhece profundamente o mercado onde minha marca será inserida?

Existe uma grande diferença entre ter uma lista de contatos e compreender como cada região se comporta. Conhecer o varejo significa entender quais categorias estão crescendo, quais tendências começam a surgir, quais produtos apresentam maior recorrência e quais adaptações podem aumentar as chances de sucesso de uma marca.

2. O relacionamento termina quando o primeiro pedido é faturado?

Uma expansão consistente não acontece no momento da venda. Ela acontece nos meses seguintes. É nesse período que surgem ajustes de mix, oportunidades de reposição, novas ações comerciais e decisões que influenciam diretamente a permanência da marca no mercado.

3. Esse parceiro leva informações do mercado para a indústria?

A comunicação não pode acontecer em apenas um sentido. Assim como a indústria apresenta novidades ao varejo, o varejo também produz diariamente informações valiosas para quem desenvolve produtos. Transformar essas percepções em inteligência é um diferencial competitivo importante.

4. Existe uma estratégia para desenvolver mercado ou apenas para ampliar distribuição?

Distribuir produtos é uma etapa do processo. Desenvolver mercado envolve construir demanda, fortalecer a categoria, gerar recorrência e criar valor para toda a cadeia. Quando essa visão está presente, os resultados deixam de depender exclusivamente de lançamentos ou campanhas promocionais.

5. Essa parceria continuará fazendo sentido daqui a cinco anos?

Talvez essa seja a pergunta mais importante.

Mercados mudam. Consumidores mudam. Categorias evoluem. Marcas surgem todos os dias. Parcerias duradouras são aquelas capazes de evoluir junto com essas transformações. Quando uma empresa escolhe um parceiro pensando apenas no próximo pedido, normalmente obtém resultados de curto prazo. Quando escolhe pensando na construção de mercado, aumenta suas chances de criar uma operação sólida e sustentável.

O futuro da expansão será construído por quem compreender melhor os mercados

A indústria brasileira de beleza vive um cenário de transformação acelerada. Novas marcas surgem em ritmo acelerado, o consumidor está mais informado, o varejo tornou-se mais seletivo e a concorrência aumentou.

Ao mesmo tempo, mercados estratégicos como o Nordeste continuam oferecendo oportunidades relevantes para empresas dispostas a crescer de forma estruturada.

Mas esse crescimento dificilmente será consequência apenas de bons produtos.

Ele dependerá também da capacidade de compreender pessoas, fortalecer relacionamentos e transformar informações em decisões.

É justamente nesse cenário que a representação comercial ganha uma nova dimensão. Ela deixa de ser apenas um canal de vendas para tornar-se um elo estratégico entre indústria e varejo, aproximando quem desenvolve produtos de quem convive diariamente com o consumidor.

É uma mudança que exige, de um lado, uma indústria disposta a ouvir o mercado e adaptar suas estratégias e, de outro, parceiros comerciais capazes de transformar essa proximidade em execução.

Porque produtos podem ser vendidos uma vez.

Marcas fortes são construídas ao longo do tempo.

E mercados sólidos nascem quando indústria, varejo e parceiros comerciais trabalham com o mesmo objetivo.

A Beauty Fair continuará sendo um importante ponto de encontro para o nascimento de novas oportunidades.

Mas o verdadeiro crescimento começa quando a feira termina, as reuniões dão lugar à execução e as decisões deixam o papel para ganhar espaço nas lojas, nas prateleiras e, principalmente, na preferência do consumidor.

No fim, é isso que diferencia uma marca que apenas participou da Beauty Fair de uma marca que realmente transformou aquela experiência em crescimento. Porque oportunidades podem surgir ao longo dos cinco dias de Beauty Fair, mas mercados sólidos são construídos ao longo de muitos anos.

Essa é, na minha visão, uma das principais lições para quem estará na Beauty Fair em setembro: a feira pode concentrar encontros, negociações e oportunidades em poucos dias, mas o resultado dessas decisões será construído no trabalho cotidiano que começa quando o evento termina.

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