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Home > Notícias & Tendências > Unilever cresce 4,8% no semestre com volume como motor; beleza avança com inovação e premiunização

5 minutos de leitura

Unilever cresce 4,8% no semestre com volume como motor; beleza avança com inovação e premiunização

Balanço do primeiro semestre de 2026 mostra que companhia vendeu mais produtos, e não apenas praticou reajustes de preço; beleza e bem-estar cresceu 5,9%, impulsionada por Dove, Vaseline e marcas de prestígio

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Por Redação em 02/08/2026 Atualizado: 02/08/2026 às 08:00
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A Unilever revelou, referente ao 1º semestre de 2026, crescimento de vendas subjacentes de 4,8% com 4,2 pontos percentuais vindo de volume e apenas 0,6 ponto de preço, destacando que houve venda de mais produtos, não apenas reajustes. No segundo trimestre, o volume avançou 5,5%, o maior dinamismo trimestral em mais de uma década, impulsionado pelo fortalecimento de marcas como Dove, Sunsilk, Vaseline e linhas de prestige; a divisão Beauty & Well-being cresceu 5,9%, apoiada por inovações e premiumização, com destaque para K18 e a linha Fibre Repair, enquanto Personal Care cresceu 4,8% com Dove em desempenho de desodorantes e sabonetes líquidos. A empresa também sinaliza o peso relevante de mercados emergentes, especialmente América Latina, Índia e Indonésia, e aponta que Home Care foi a melhor performer entre as quatro frentes, enquanto Foods avançou apenas 1,2%. Para o segundo semestre, a Unilever projeta crescimento de USG entre 4% e 5%, com maior contribuição de preços, e expectativa de moderação de volume, mantendo a visão de cerca de 3% de crescimento anual.

Resumo supervisionado por jornalista.

A Unilever divulgou na sexta-feira, 31 de julho, os resultados do primeiro semestre de 2026, com crescimento de vendas subjacentes (USG, na sigla em inglês) de 4,8%. O principal destaque do balanço foi a composição desse avanço: 4,2 pontos vieram de volume e apenas 0,6 ponto de preço. Na prática, a companhia vendeu mais produtos, e não apenas produtos mais caros. No segundo trimestre, o volume avançou 5,5%, melhor desempenho trimestral da companhia em mais de uma década.

A mudança chama a atenção porque contrasta com o cenário recente do setor. Em 2022, por exemplo, a Unilever registrou crescimento de 9,0% nas vendas subjacentes, mas sustentado por um aumento de 11,3% nos preços, enquanto o volume recuou 2,1%. Agora, o crescimento voltou a ser liderado pelo volume, movimento que a companhia atribui ao fortalecimento das marcas, à inovação, à melhora da execução comercial e aos ganhos de participação de mercado. 

O baixo impacto do preço também tem explicação. Segundo a empresa, o resultado reflete uma combinação de comparações com uma base elevada de reajustes no ano anterior, promoções realizadas durante a Copa do Mundo e os efeitos das correções de preços feitas no Brasil em 2025 na divisão de Home Care. Ou seja, a baixa contribuição do preço não significa que a política de reajustes tenha sido abandonada, mas que fatores comerciais reduziram temporariamente seu peso sobre o crescimento. 

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Na estrutura da Unilever, o que o varejo entende como beleza está distribuído em duas divisões: Beauty & Wellbeing (Beleza & Bem-estar), responsável por 25% da receita da companhia, e Personal Care, com 27%. Juntas, representam mais da metade do faturamento do grupo. Entre elas, Beleza & Bem-estar foi a que mais cresceu, com avanço de 5,9%, ficando atrás apenas de Home Care entre os quatro grupos de negócio.

O desempenho foi puxado pelas Power Brands Dove, Sunsilk e Vaseline, que registraram crescimento de dois dígitos liderado por volume, além de aceleração das marcas de prestígio. No total, as Power Brands, que representam 78% do faturamento da Unilever, cresceram 6% no semestre, reforçando a estratégia da companhia de concentrar investimentos em suas principais marcas. 

Cabelos, biotecnologia e premiumização

O cuidado com os cabelos foi um dos destaques de Beleza & Bem-estar, com crescimento de um dígito alto. A Dove avançou dois dígitos, impulsionada por inovações de maior valor agregado, incluindo a linha com tecnologia Fibre Repair. Já a K18, marca de tratamento capilar baseada em biotecnologia e posicionada no segmento ultrapremium, manteve crescimento muito forte, também de dois dígitos, impulsionado por suas inovações. Nos mercados emergentes, Sunsilk e Clear aceleraram ao longo do semestre e registraram crescimento de dois dígitos no segundo trimestre.

Cinco produtos para os cabelos da linha Dove Bond Intense Repair dispostos sobre uma superfície branca com fundo holográfico. Inclui um tubo, um pote, dois frascos e um spray, todos com embalagens nas cores branca, dourada e iridescente.
Foto: divulgação

Em cuidados com a pele, o crescimento foi de um dígito baixo, sustentado por volume. A Vaseline registrou crescimento de dois dígitos apoiado por lançamentos de maior valor agregado, enquanto as marcas de prestígio aceleraram ainda mais no semestre, reforçando a estratégia da companhia de ampliar a participação de produtos premium em seu portfólio.

A frente de bem-estar também contribuiu para o resultado, com crescimento de um dígito baixo liderado por volume. O desempenho de marcas como Liquid I.V., Olly e Nutrafol mostra a continuidade da expansão da Unilever em categorias ligadas à hidratação funcional, suplementação e saúde capilar.

No conjunto, o desempenho de Beauty & Bem-Estar reforça uma estratégia baseada na combinação de inovação, fortalecimento de marcas e produtos de maior valor percebido, uma lógica que aparece em diferentes categorias e ajuda a explicar o crescimento da divisão. 

Personal Care

O segundo pilar de beleza da Unilever, Personal Care, cresceu 4,8% em vendas subjacentes, com 4,1 pontos de volume e 0,7 de preço. A Dove, a maior marca da companhia, avançou um dígito alto, com desempenho positivo em desodorantes e limpeza corporal. Nesta última categoria, o crescimento foi impulsionado pelo sabonete líquido Serum Body Wash, enquanto a Lux avançou com inovações de maior valor agregado.

O desempenho da divisão foi apoiado, no segundo trimestre, pelas campanhas e ativações ligadas à Copa do Mundo FIFA 2026, utilizadas como plataforma global de marketing. Em desodorantes, o Brasil cresceu um dígito alto no período, liderado por volume, após ações para melhorar o mix de formatos e reorganizar o espaço da categoria nas prateleiras. 

Além do desempenho das categorias, o balanço reforça a relevância dos mercados emergentes para a estratégia da Unilever. A América Latina acelerou para crescimento de 8,9% no segundo trimestre, ao lado de Índia e Indonésia entre os principais vetores de expansão, reforçando o papel da região para os negócios de beleza e cuidados pessoais. 

Home Care puxa o grupo; Foods avança em ritmo mais lento

Fora do território de beleza, Home Care foi a divisão de melhor desempenho da Unilever no primeiro semestre, com crescimento de 7,6% em vendas subjacentes, dos quais 7,4 pontos vieram de volume. O avanço foi amplo entre categorias e regiões, com destaque para Índia e Brasil. 

Já Foods apresentou o crescimento mais moderado entre os quatro grupos de negócio, com alta de 1,2%, sustentada por volume e preços estáveis. No segundo trimestre, o ritmo desacelerou para 0,2%, refletindo condições mais fracas nos mercados desenvolvidos e maior concorrência em condimentos nos Estados Unidos.

O que o balanço sinaliza para o mercado 

Para o varejo e a indústria de beleza, o resultado da Unilever reforça quatro movimentos. O primeiro é a volta do volume como principal motor de crescimento, em contraste com os últimos anos, quando o avanço das grandes multinacionais de bens de consumo foi fortemente influenciado por reajustes de preços. 

O segundo é a força da inovação e do fortalecimento de marcas como pilares de expansão. Ao longo do balanço, a companhia associa o desempenho de Dove, Vaseline, Sunsilk, K18 e suas marcas de prestígio ao lançamento de produtos, ampliação de portfólio e maior valor agregado.

Um pote de 13 onças de Vaseline Original Healing Jelly com tampa e rótulo azuis, indicando que é recomendado por dermatologistas, contém petrolato 100% branco e é um protetor da pele.
Foto: divulgação

O terceiro é a continuidade da estratégia de premiunização, com consumidores respondendo a produtos de maior valor percebido em diferentes categorias. O quarto é o peso dos mercados emergentes, especialmente a América Latina, que aparece entre os principais vetores de crescimento ao lado de Índia e Indonésia.

Para o segundo semestre, no entanto, a Unilever espera uma mudança na composição do crescimento. A companhia projeta que as vendas subjacentes avancem entre 4% e 5%, com maior contribuição de preços, diante da alta dos custos de commodities, do fim das promoções ligadas à Copa do Mundo e da normalização das políticas comerciais. Com isso, a empresa prevê alguma moderação no volume, mantendo a expectativa de cerca de 3% de crescimento para o ano.

Para o setor de beleza, a principal mensagem do balanço é que marcas fortes, inovação e execução comercial continuam sendo os principais motores de crescimento, mas o ambiente de custos deve recolocar o preço como um fator mais relevante nos próximos meses.


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