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A consumidora que o varejo de beleza subestimou está financiando o próximo grande ciclo do setor

Com poder de compra consolidado, fidelidade alta e uma demanda crescente por produtos desenvolvidos para ela, a consumidora madura se tornou oportunidade estratégica.

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Por Redação em 15/03/2026 Atualizado: 15/03/2026 às 16:00
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A consumidora madura, especialmente mulheres com mais de 40 anos, tornou-se uma força significativa no varejo de beleza, representando uma oportunidade estratégica para o setor. Este grupo, que possui alta fidelidade e renda própria, é responsável por 24% do consumo das famílias brasileiras e prioriza moda e beleza. Marcas tradicionais, como Natura e Eucerin, estão lançando linhas específicas para peles maduras, enquanto marcas digitais, como a Le Moritz, mostram o potencial desse mercado em crescimento. Para se adaptar, os varejistas precisam revisar seu mix de produtos e adotar uma comunicação que respeite e valorize a maturidade, preparando-se para atender a uma demanda crescente e fiel.
Resumo supervisionado por jornalista.

Existe um perfil de consumidora que frequenta perfumarias, compra com convicção, tem renda própria e volta para comprar de novo. Ela tem mais de 40 anos e o mercado de beleza passou décadas tratando-a como invisível.

A população acima de 50 anos representa 24% do consumo das famílias brasileiras e, segundo pesquisas do Data8, os setores de moda e beleza aparecem como os mais prioritários para esse público. Quem está preenchendo esse vácuo, por enquanto, são as marcas digitais  e os números começam a chamar atenção de quem acompanha o setor.

Quem é essa consumidora

O perfil da principal consumidora de skincare no Brasil é formado por mulheres com mais de 40 anos, que trabalham fora de casa e pertencem majoritariamente às classes A e B. Essas consumidoras adquirem, em média, 11 produtos por ano, segundo pesquisa da Kantar. 

No Brasil, oito em cada dez maduros têm renda própria e não dependem exclusivamente da aposentadoria. Entre as mulheres, esse número sobe para nove. 

O segmento etário 50+ é de longe o que mais cresce no Brasil e no mundo, fruto de um novo desenho demográfico em que as pessoas vivem cada vez mais com vitalidade. Até 2050, estima-se que a terceira idade represente 30% dos brasileiros. Em 2060, o público 60+ será maior que o de jovens, fazendo da beleza madura uma das maiores oportunidades de negócios do país nos próximos anos, segundo o Sebrae. 

O que a indústria está fazendo

Grandes marcas com presença consolidada no varejo físico aceleraram o desenvolvimento de linhas específicas para pele madura nos últimos dois anos.

No varejo monomarca, a Natura relançou sua linha histórica de cuidados antiidade com uma virada de posicionamento significativa. A Natura Chronos passou a se chamar Chronos Derma, entrando oficialmente no mercado de dermocosméticos, com formulações que atendem desde os 30 até os 80 anos, segmentadas por faixa etária.

Já nos pontos de venda multimarcas a Eucerin mantém a linha Hyaluron-Filler + Elasticity como referência para peles maduras. O creme noturno da linha, desenvolvido especialmente para peles em fase de menopausa, combina ácido hialurônico, óleo de argan, arctiin, dexpantenol e silymarin.

A L’Oréal Paris, com a linha Age Perfect voltada para mulheres entre 50 e 60 anos, a Labotrat, com a linha Dermo Skin Retinol e a Hidrabene com a linha Pele Madura  também estão entre as marcas que apostam em alta concentração para peles maduras, com texturas específicas para absorção rápida e efeito sequinho.

O digital sinalizou o tamanho do mercado 

Enquanto as grandes marcas aprimoram portfólios, um outro sinal veio do digital: a Le Moritz, marca nativa digital fundada em 2022 com foco exclusivo em mulheres a partir dos 40 anos, acumulou mais de 200 mil clientes e projeta faturamento de R$ 70 milhões em 2026, operando sem lojas físicas e sem investidores externos. O crescimento da marca, sustentado por uma rede de revendedoras digitais e pelo boca a boca dentro do público maduro, é a prova de que existe demanda organizada, fidelizada e mal atendida pelo varejo especializado.

O ponto central que a Le Moritz evidencia é o tamanho do apetite dessa consumidora por produtos pensados para ela. Quando — e se — esse tipo de marca chegar ao varejo físico, a prateleira estará disputada. A pergunta para o lojista é se ele vai estar preparado.

O que o varejista precisa rever agora

O primeiro passo é atentar para o mix. A gôndola de skincare não pode tratar o público maduro como uma extensão do skincare genérico. As peles acima dos 50 anos ficam mais finas, ressecadas e com rugas mais profundas e precisam de cremes com ativos hidratantes e tensores mais potentes, com concentrações mais altas de retinoides, ácido glicólico, ácido lático, ácido hialurônico, vitamina C e vitamina E. 

O segundo passo é a comunicação. A linguagem anti-aging, que prometia apagar o tempo, perde espaço para o conceito pro-aging, que acolhe a maturidade sem negá-la. As marcas já fizeram essa transição. O varejo precisa acompanhar, tanto na forma de expor os produtos quanto no treinamento da equipe de vendas.

Produtos premium estão se expandindo a uma taxa composta de 7,89% ao ano até 2030, superando o segmento de massa conforme consumidores urbanos migram para formulações avançadas, segundo a Mordor Intelligence. A consumidora madura, com renda própria e disposição para investir em resultado, está no centro desse movimento.

O mercado de pele madura já está acontecendo. O varejo que souber recebê-las tem à frente um dos públicos mais rentáveis e fiéis do setor.