A chegada da inteligência artificial mudou completamente a forma como o consumidor se relaciona com o digital. Somente no Brasil, até o momento, a IA generativa já direcionou mais de 6 milhões de visitas em plataformas de e-commerce, segundo pesquisa da Cadastra.
Se antes as métricas de um site eram definidas por questões como a legibilidade para algoritmos de SEO e configurações em JavaScript, agora, uma formatação direcionada para que o portal seja encontrado pela inteligência artificial se tornou um must dentro da programação.
Essa mudança estrutural na maneira como se utiliza a internet impacta diretamente a forma como se consome, já que as ferramentas generativas redefinem o conceito de busca – e logo, de venda – de produtos.
Os links agora são prontos
O fato do consumidor chegar via inteligência artificial ao site e à marca não significa que métodos como o SEO deixam de ser importantes para o varejo, ou para a programação de um site. O que muda é que, agora, os assistentes virtuais e chatbots passam a recomendar experiências específicas e personalizadas para os usuários de acordo com suas necessidades individuais.
De acordo com o levantamento “The State of AEO/GEO 2026”, da Conductor, 94% das empresas pretendem aumentar seus investimentos na implementação e desenvolvimento destas tecnologias em seus funis de marketing.
Vocabulário da visibilidade
Para tornar esse assunto mais acessível, confira uma explicação de sua evolução:
- SEO (Search Engine Optimization): Método tradicional e clássico de otimização para buscadores tradicionais. Seu foco são as palavras-chaves, backlinks e uma estrutura padrão com foco em ranqueamento de informações.
- AEO (Answer Engine Optimization): Os primeiros assistentes de inteligência artificial, chamados de chatbots. Respondem diretamente perguntas feitas por usuários.
- GEO (Generative Engine Optimization): Uma evolução do AEO, definido como o processo de estruturação do conteúdo digital para se destacar nas respostas de ferramentas de IA.
Importância para o varejo de beleza
Estudo da consultoria de pesquisas norte-americana Accenture realizado com consumidores de beleza revelou que pelo menos 76% deles afirmaram se considerarem abertos para sugestões de produtos feitos por chats de inteligência artificial. Esse dado não só evidencia esta nova maneira de consumir como também estabelece uma nova pergunta chave para o varejista: seu site está pronto para ser encontrado pela IA?
Diante deste questionamento, alguns pontos que devem ser considerados:
1. A vitrine agora é conversacional
A partir dos bots generativos, como Chat GPT, Perplexity, Copilot, Gemini e outros, consumidores enviam prompts com perguntas direcionadas. Essa atitude gera uma resposta que o direciona para um site/notícia, inaugurando a lógica da “zero navegação” no digital.
Exemplo:
Ao perguntar para o Chat GPT “Me dê indicações de bons hidratantes faciais?”, em poucos segundos ele oferece uma gama de produtos de beleza separados de acordo com valor e tipo de pele. Nessa pesquisa, foram destacados cosméticos de marcas robustas como Clinique, Cerave e Bioderma.
A indicação das marcas premium de cosméticos foi impulsionada por uma série de fatores, sendo um deles o de que a inteligência artificial geralmente prioriza conteúdos já muito pesquisados e estabelecidos no mercado. Ou seja, marcas e selos “de peso” acabam ganhando uma prioridade nos rankings destas ferramentas. O que nos leva para o próximo tópico.
2. Autoridade como ativo central
Enquanto o SEO ranqueia as notícias de acordo com a estruturação técnica dos dados apresentados, o GEO por sua vez prioriza fontes consistentes e confiáveis. Marcas com conteúdos bem estruturados e posicionamentos fortes tendem a se beneficiar no processo, figurando entre as principais respostas dadas pelos chatbots.
3. Não aparecer é sinônimo de risco
A disputa das marcas por visibilidade através de inteligência artificial cresce, tornando imprescindível sua implementação dentro de um bom plano de negócios. Não figurar entre uma possível resposta de IA pode fazer com que um consumidor se distancie de uma marca ao não encontrá-la através da ferramenta.
Não é um método simples, porém, também não é um bicho-de-sete-cabeças. Conteúdos claros e objetivos, além de bem estruturados e com fontes robustas, podem ser facilmente encontrados pela inteligência artificial, o que eleva as chances de um conteúdo se destacar entre as respostas dadas por ela.
Para o futuro
Estas novas métricas já são analisadas dentro dos setores de marketing digital das empresas. O tráfego ainda é considerado um fator importante, mas a presença do consumidor se torna o maior destaque, e tudo aquilo que facilite a experiência/encontro dele com a marca tem de ser valorizado.
O mercado de beleza ainda tem muito o que aprender em relação ao GEO, porém, aos poucos, sua implementação deixa de ser considerada um desafio e se torna parte do cotidiano dos empreendedores.

Triskle