A China, segundo maior mercado de beleza do mundo, redefiniu a integração entre marketing e varejo, tornando-a parte essencial do produto. Pioneira em Social Commerce, o país utiliza plataformas como a Shein para transformar compras em entretenimento, e o modelo de live commerce, iniciado pelo Alibaba em 2016, ganhou destaque, especialmente após a pandemia, prevendo-se que até 2026 represente 20% do e-commerce chinês. No setor de beleza, influenciadores impulsionam vendas por meio de lives, com 30 a 40% das vendas sendo digitais. O sucesso do varejo chinês combina dados e comunidade digital, como demonstrado por marcas como Perfect Diary e Florasis. O Brasil, quarto maior mercado global, pode aprender com essa integração para aprimorar suas estratégias de venda e engajamento.
Resumo supervisionado por jornalista.A China, considerada o segundo maior mercado de beleza no mundo, atualizou a definição da junção de marketing e varejo de maneiras supreendentes. No país, a ferramenta é parte integral do produto. Com recordes de vendas e números altos, os chineses têm muito a ensinar para o varejo brasileiro.
Rede sociais e lojas se encontram
Pioneira em Social Commerce, a China detém as maiores plataformas de compras integradas com rede social do mundo. Um dos exemplos mais conhecidos, também disponível no Brasil, é a Shein, gigante do varejo que faz sucesso pela vasta opção de roupas de fast-fashion integrada com uma plataforma onde os consumidores enviam fotos e fazem review de seus produtos.
Este conceito, embora disseminado pelo mundo em outras plataformas e sites de varejo, acaba ganhando uma nova roupagem dada pelos chineses, que transformam a experiência de comprar em verdadeiro entretenimento. O modelo de Social Commerce chinês inaugurou também em seus apps o modelo do live commerce, mais precisamente no ano de 2016, em um app da Alibaba, maior conglomerado de tecnologia do país.
O Taobao live iniciou-se como um esquema simples: uma live conduzida por um influenciador anunciando um produto. Este formato bombou e se disseminou pelo mundo após a pandemia de 2020, e dados da Mckinsey & Company apontam que até 2026 este modelo se tornará detentor de 20% do e-commerce chinês.
Para os empreendedores chineses, é importante que o consumidor não apenas compre, e sim participe. O mercado de beleza possui influenciadores fazendo lives constantemente para testar produtos de skincare e maquiagens, tanto que em 2021, o setor de beleza já era responsável por 7% das vendas de live commerces. Hoje, de 30 a 40% das vendas são impulsionadas pelo digital. Não da pra negar que este modelo de negócios foi muito importante para a expansão do varejo chinês.
Marketing e comunidade ditam a cadeia de produção
Por trás dessas plataformas, estão também os algoritmos e profissionais treinados para fazer leitura das tendências em redes sociais como o TikTok e o Kawaii. Esta ação permite que o modelo chinês integre dados, marketing, logística e produção juntos, fazendo a leitura do que está em alta no momento e rapidamente fazendo desses itens parte do portfólio.
O sucesso deste business não se encontra somente na venda de produtos em massa, como também é gerado pela criação de uma comunidade digital. Algumas marcas aproveitam o gancho da conectividade para impulsionarem conteúdos que remetam a cultura local, gerando uma aproximação do usuário. Como exemplos do varejo de beleza temos a Perfect Diary, marca que investiu em maquiagens acessíveis com um design moderno e se popularizou entre os jovens, criando uma comunidade privada no WeChat (uma versão local do WhatsApp), e a Florasis, que, para promover suas makes de luxo, se apoiou em embalagens inspiradas na dinastia chinesa.
Como o varejo brasileiro pode se beneficiar
O Brasil tem seguido atrás na lista de maiores mercados de beleza do mundo, figurando em quarto lugar. No entanto, a economia deste setor segue impulsionada e entregando cada vez mais resultados. O Marketplace da Shopee, que se assemelha ao ecossistema chinês de compras, já possui mais de 1000 marcas em seu portfólio e resultados comprovam que um terço da população brasileira acessa a plataforma.
No entanto, varejistas do setor de beleza podem se beneficiar do modelo chinês de integração de marketing ao entenderem que esta ferramenta precisa fazer parte do produto, e não vista apenas como uma “estratégia de divulgação”. Em um mercado que é conectado, entender como funcionam as plataformas e seus algoritmos é essencial para que um bom modelo de negócios seja estruturado. Além disso, reconhecer o impacto do live commerce e encontrar maneiras de posicionar seus produtos dentro dele, estimulando a experiência do consumidor e criando uma comunidade engajada.

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