Em meio às discussões sobre inteligência artificial, automação e personalização que dominam a agenda da NRF Retail’s Big Show, a maior feira mundial de varejo, um tema ganha força entre empresários brasileiros do setor de perfumaria: a transição do modelo baseado em experiência e intuição para uma gestão estruturada por dados.
A mudança foi detalhada por Juvêncio Lessa, executivo do Shopping dos Cosméticos, durante a missão internacional promovida pela Beauty Fair, que reuniu os principais lojistas de beleza do país em Nova York.
Segundo ele, o uso sistemático de informações alterou a forma como a rede define metas, negocia com fornecedores, organiza estoques e constrói relacionamento com clientes. Acompanhe a conversa completa no podcast abaixo:
Fim do “achismo” como eixo central
A principal mudança, afirma o executivo, foi abandonar decisões baseadas exclusivamente em percepção de loja. “A utilização correta dos dados tira você do empirismo. Você passa a estabelecer metas dentro de uma realidade medida. Então isso faz com que você tenha uma assertividade também maior”, afirmou.
Com apoio de ferramentas de leitura de mercado, a empresa passou a acompanhar desempenho de marcas e categorias em nível nacional, participação de mercado por canal e indicadores como margem, ruptura e giro por unidade.
A análise permite estratégias distintas por cidade, loja e cluster socioeconômico. “Não faz sentido aplicar a mesma estratégia em uma loja de público A e em uma loja voltada para classes C e D”, disse.
Relação com a indústria ganha precisão
Na ponta do fornecedor, os dados tornaram a negociação mais objetiva. Ao compreender o share de uma marca e sua performance comparada ao mercado, a rede consegue discutir metas de crescimento com base em indicadores concretos.
“A gente consegue trabalhar tudo isso de forma personalizada por cidade, por loja e também por cluster de lojas, porque não dá para aplicar a mesma estratégia em uma unidade que atende um público socioeconômico mais alto e em outra voltada para as classes C e D. Cada contexto exige decisões diferentes de mix, estoque e abordagem comercial”, alegou.
CRM como ativo estruturante
Do lado do consumidor, a coleta e organização de dados tornou-se pilar do modelo de negócio. A rede, que opera 33 lojas físicas além do e-commerce, registra cerca de metade das vendas digitais no modelo “clique e retire”, integrando operação online e física.
A estratégia de CRM envolve captação sistemática de dados, respeitando a legislação de proteção de dados, e uso dessas informações para segmentação de campanhas, definição de estoque regionalizado e ações conjuntas com indústrias.“Hoje o futuro da empresa passa totalmente pelo CRM”, afirmou o executivo.
Cultura interna, tecnologia e expansão orientada por informação
A adoção de uma estratégia orientada por dados exigiu uma mudança cultural na empresa, com metas mensais de captação de informações por loja, treinamentos e incentivos financeiros para equipes de caixa e gestão. Paralelamente, a rede reestruturou as áreas de tecnologia e marketing, migrou sistemas para a nuvem e integrou plataformas, permitindo que dados de vendas, estoque e CRM fossem analisados de forma unificada e compartilhada por toda a gestão.
Com isso, a informação passou a orientar decisões estratégicas do varejo — da operação diária à expansão, incluindo escolha de novos pontos, definição de sortimento e criação de serviços como cartão próprio — reforçando que o crescimento sustentável do varejo depende cada vez mais de governança e inteligência analítica.
🎧 Para entender em detalhes como essa transformação foi implementada e quais resultados já começam a aparecer, ouça o podcast completo no player acima.

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