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Fórum do Varejo de Beleza antecipa o futuro do setor com dados, tecnologia e negociação

Pesquisa inédita, inteligência de mercado, IA e o papel das emoções nas negociações marcaram o encontro que abriu a Beauty Fair 2025

4 minutos de leitura

FigCaption Imagem: Divulgação Beauty Fair Co.
Por Redação em 05/09/2025 Atualizado: 28/11/2025 às 00:13
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O Fórum do Varejo de Beleza, realizado na Beauty Fair 2025, trouxe à tona importantes insights sobre o futuro do setor, destacando a relevância de dados, tecnologia e inteligência emocional nas negociações. Durante o evento, César Tkusuda, CEO da Beauty Fair Co., apresentou uma pesquisa sobre tendências de consumo, revelando que 85% das mulheres buscam produtos capilares e enfatizando a importância do atendimento ao cliente. Priscila Ariani, da Scanntech, destacou que a gestão baseada em números é crucial para aumentar as vendas, enquanto Piero Franceschi alertou para a urgência de inovação e engajamento no varejo, citando o impacto crescente do TikTok nas compras. O diplomata Daniel Shapiro encerrou o evento abordando o papel das emoções nas negociações, ressaltando a necessidade de criar conexões significativas para transformar adversários em parceiros. O fórum reafirmou a missão da Beauty Fair de impulsionar o setor com dados e reflexões estratégicas.
Resumo supervisionado por jornalista.

Nesta sexta-feira, 5 de setembro, o Fórum Varejo de Beleza by Beauty Fair abriu as portas do Expo Center Norte exclusivamente para lojistas, em um movimento que já se consolidou como aquecimento estratégico da maior feira de beleza das Américas. Além de antecipar conexões e negócios com os estandes em funcionamento, o encontro trouxe uma programação intensa de palestras que combinaram dados de consumo, gestão de sortimento, futuro do varejo e inteligência emocional aplicada à negociação.

O diagnóstico do consumidor: oportunidades na mesa

“Uma liderança forte consegue fazer diferença. Uma equipe engajada é a chave pra gente virar o jogo”, afirmou César Tkusuda, CEO da Beauty Fair Co., ao abrir o encontro. Ele apresentou os resultados de uma pesquisa exclusiva desenvolvida pela Beauty Fair em parceria com a Radar sobre as principais tendências de consumo nas perfumarias e contou com 400 entrevistas em 10 perfumarias, revelando o que as consumidoras realmente buscam:

  • 85% vão em busca de produtos capilares;
  • 77%, de corpo e maquiagem;
  • 65%, de skincare e coloração;
  • 40%, de depilação.

A jornada até a loja também foi mapeada: 55% das pessoas entram na loja para repor produtos, 35% para ver promoções, 24% atrás de novidades e 18% para pesquisar preços. 

“Há receita na mesa”, alertou César, ao destacar que, de cada 100 mulheres que entram na loja, 26 saem sem comprar nada: 11% porque não encontraram o produto desejado e o restante por considerarem os preços altos. Para ele, falhas em sortimento, precificação e experiência ainda barram vendas em um canal de fluxo saudável.

Outro ponto sensível é o papel do atendimento no varejo. Embora 40% das consumidoras gastem mais que o planejado quando bem atendidas, 95% afirmam considerar o contato humano essencial. “Influenciar com informação, não com imposição”, reforçou o executivo, lembrando que maquiagem, coloração e skincare são as categorias mais dependentes de orientação.

Dados que destravam vendas

Imagem: Divulgação Beauty Fair Co.

Priscila Ariani, Diretora de Marketing da Scanntech, reforçou durante o Fórum do Varejo de Beleza a importância da gestão baseada em números. Para ela, o desafio da perfumaria é ser um destino de beleza completo, em contraste com supermercados, focados em higiene básica.

Entre os insights, Priscila mostrou que lojas com maior presença de promotoras venderam até 2,5 vezes mais que aquelas com baixa alocação. “Não é sobre feeling, mas sobre roteirizar presença de acordo com fluxo, praça e categoria”, defendeu.

As promoções também foram colocadas sob análise: 60% não trazem resultado quando não têm objetivo claro. Em contrapartida, um case apresentado mostrou que, ao ajustar preço e ativar promoções bem calibradas, uma rede de perfumaria recuperou mais de R$ 200 mil em faturamento. “Promoção tem que ser alavanca de cesta, não só de item”, destacou.

O sortimento foi outro ponto crítico: apenas 53 SKUs respondem por 30% do faturamento em tratamento capilar, mas rupturas nesses itens corroem o caixa. Priscila mostrou exemplos em que a simples inclusão de quatro SKUs críticos gerou crescimento de 30% na categoria.

A urgência da reinvenção

Imagem: Divulgação Beauty Fair Co.

A manhã também foi marcada pela fala provocativa de Piero Franceschi, Partner e CEO da StartSe, que trouxe uma leitura dura sobre o risco da irrelevância. “Se a loja não cria valor, ela vira apenas um estoque avançado”, disparou.

Para ele, a fidelidade à marca é coisa do passado: 81% dos consumidores consultam diferentes canais antes de comprar, e 59% usam ao menos três. Mais da metade já comprou em um canal inédito nos últimos 30 dias. “O consumidor busca conveniência. Quem não criar um modelo de engajamento real vai perder espaço.”

Piero também destacou a ascensão do TikTok como plataforma de compras, lembrando que, nos Estados Unidos, 44% das vendas de beleza já acontecem dentro do app. “Na China, toda loja é um set de filmagem e todo vendedor é um influenciador. O live commerce não é tendência, é realidade.”

Outro eixo de sua fala foi a inteligência artificial, que ele definiu como o “novo sistema operacional da vida”. “Três anos atrás, a IA era pior que você. Hoje já está no mesmo nível de inteligência. Daqui seis meses terá lido todos os livros da humanidade. Ignorar isso é como nunca ter aprendido Excel nos anos 90.”

Negociação com emoção

Encerrando o dia, o evento contou com a presença internacional de Daniel Shapiro. O Diplomata, professor de Harvard e fundador do Programa Internacional de Negociação trouxe uma perspectiva diferente: o papel das emoções no processo de negociação. “Estamos negociando o tempo todo, desde o momento em que nascemos”, disse.

Shapiro apresentou seu framework dos Five Core Concerns (Apreciação, Autonomia, Afiliação, Status e Papel), que, quando bem trabalhados, transformam a relação entre as partes. “Negociação não é só troca de argumentos, é sobre lidar com emoções, as suas e as do outro.”

Para ele, reconhecer o valor do outro e criar afiliação podem transformar adversários em parceiros. “Quando você pede conselhos, mostra respeito, valoriza a visão do outro e abre espaço para colaboração. É simples, mas poderoso.”

Um fórum de provocações e caminhos

Entre dados concretos, provocações sobre tecnologia e reflexões emocionais, o Fórum Varejo de Beleza deixou um recado claro: o futuro do setor exige disciplina comercial, inteligência de dados, inovação digital e liderança humana. Como sintetizou Piero, “só viverá para sempre quem tiver coragem de morrer um pouco todos os dias.”

O Fórum do Varejo de Beleza cumpre a missão da Beauty Fair de provocar o mercado com dados, tendências e reflexões que impactam diretamente o dia a dia do negócio. Como destacou Deborah Huff, Diretora de Marketing da Beauty Fair, “o Brasil ocupa a terceira posição no ranking mundial do varejo de beleza e, nesse cenário, o que ontem foi diferencial, amanhã já não serve mais. Precisamos compreender como a tecnologia e as mudanças de comportamento vão impactar o setor”.

Em seus 20 anos de história, a Beauty Fair se consolidou como plataforma estratégica de conexão entre varejo, indústria e profissionais, promovendo encontros como o Fórum para antecipar movimentos e gerar competitividade. Assim como o portal Negócios de Beleza segue como ferramenta gratuita e contínua de informação, ajudando líderes a tomar decisões mais assertivas ao longo do ano.