O que faz da BIM uma referência na distribuição de perfumes no Brasil?
Posso destacar quatro pontos principais. O primeiro tem a ver com o tempo de atuação: ano que vem a BIM completa 30 anos, um período que passa credibilidade para o cliente, especialmente em um mercado como o de perfumes no Brasil, em que ainda há muito contrabando de importados. Temos três décadas de trabalho correto, legal, feito diretamente com os importadores e os donos da marca. Outra coisa que nos torna referência é o fato da nossa distribuição ser nacional: atuamos em todos os Estados do país, tanto com um time de sell-in como de sell-out. O terceiro fator está na localização dos centros de distribuição: temos quatro, sendo um em São Paulo, um em Minas Gerais, um em Goiás e o outro em Pernambuco. Isso nos dá muitas vantagens competitivas em relação a preço e, principalmente, na questão da logística. Por fim, destaco a nossa capacidade de execução: seguimos literalmente as exigências das marcas, principalmente das grandes marcas de perfumaria seletiva, que têm guides bastante rígidos quanto à forma de execução nos pontos de venda. Para completar, temos o projeto On Demand, em que construímos a categoria de perfumaria seletiva dando aos clientes toda a consultoria e levando nosso know-how e expertise na categoria de perfumaria.
Quais as estratégias para manter a grandiosidade?
Acredito que a principal é a nossa força de vendas por todo o Brasil, que permite um atendimento presencial enquanto na maioria das empresas ele acontece via telefone ou WhatsApp, por falta de equipe. Some aí as inovações que trazemos para o canal de perfumaria: como atendemos pequenos e médios clientes que não têm apoio nem condições de contratar uma agência, a gente cria campanhas e entrega prontinho para eles nas cinco maiores datas dentro do calendário de fragrâncias, que são dia das mães, dos namorados, dos pais, Natal e Black Friday; e fazemos materiais de PDV e brindes para ajudar no sell-out.
Como está dividido o portfólio da BIM?
Apesar de termos um grande parceiro nacional, que é o Boticário, 70% do nosso portfólio é formado por perfumes importados.
Quais os maiores desafios de trabalhar com perfumes importados?
Cabe ressaltar que mesmo um perfume não sendo importado, ele sofre os impactos da oscilação do dólar e de outros movimentos do mercado internacional porque boa parte da matéria-prima, dos frascos e das essências vêm de fora do país. Por isso é que, para nós, foi uma virada de chave quando as quatro maiores multinacionais montaram operação no Brasil – L’Oréal, Pucci, Coty e LVMH representam quase 80% do que temos hoje no mercado, e elas manterem filial aqui nos dá uma vantagem competitiva bastante grande pela redução do risco em relação ao câmbio e uma série de outros fatores.
Como está a questão da previsibilidade de vendas, especialmente com a influência das redes sociais?
A previsibilidade de vendas acaba sendo hoje o nosso maior desafio, maior até do que o câmbio. Basicamente, podemos enfrentar o excesso ou a falta de produtos. Isso geralmente acontece por dois motivos: muitas vezes, porque a gente ou os próprios fornecedores acreditam que um lançamento vai estourar, e se o tempo de reação dele for um pouco longo, de 60 a 90 dias, exige a correção de alguma demanda; por outro lado, com a questão das mídias sociais, às vezes um perfume viraliza no TikTok ou no Instagram tornando difícil atender o volume de pedidos.
Quais são os principais canais de varejo com os quais a BIM estabelece parcerias?
O principal é a perfumaria, claro. Mas, quando a gente fala em desenvolver a categoria de perfumes, existem mais três canais importantes, com características totalmente diferentes, e o nosso plano para cada um deles se adequada desde a parte de mix de produtos até o tipo de trabalho feito no PDV. Um deles é a chamada perfumaria de hair care, que são as perfumarias que têm como principal negócio as linhas capilares e que agora estão iniciando um trabalho bastante interessante com perfume. É o caso da Me.linda e da Soneda, por exemplo. Depois, temos as lojas de departamento, não só as grandes redes, mas também as regionais, que têm tido um papel importante na distribuição; e as farmácias, que têm respondido muito bem apesar de não ser o canal destino para o perfume.
Vocês preveem alguma tendência em perfume se aproximando e com potencial para ganhar força como a febre dos perfumes árabes?
A gente ainda vem colhendo bons frutos dos body splashes, que ganharam projeção com o TikTok; e também temos muito a aproveitar dos perfumes árabes, uma onda que está apenas começando. Se fosse para apostar nas próximas tendências, eu arriscaria falar das fragrâncias para casa: muitas empresas vêm investindo pesado nesse segmento, que ainda é dominado por marcas seletivas, porém, penso que logo esses produtos vão estar mais acessíveis ao público. Importante é lembrar que toda tendência vem e deixa um residual, e é isso que faz a perfumaria crescer e se desenvolver.
(frase de destaque)
“Acredito que o grande momento que a gente está no país hoje é o de ter grandes players investindo na perfumaria, trazendo novidades, inovação e, principalmente, construindo uma categoria que para o varejo ainda é só o começo” Igor Bacchi, CEO da Bim Distribuidora

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