Parece que foi ontem, mas já faz um ano que a ousada proposta de Murilo Reggiani foi aceita sem ressalvas pela Itely, marca italiana de cosméticos genuinamente profissionais. “Achei que os executivos pudessem ter alguma resistência a criar um linha Itely Varejo no Brasil em vez de seguir o já bem sucedido modelo de negócio de abastecer os salões – método que a empresa tem adotado ao longo de toda a sua história de quase 40 anos, nos mais de 90 países em que atualmente está presente e no período de sucesso em que estiveram no Brasil”, diz.
Acreditando no potencial do mercado brasileiro de beleza, o terceiro maior do mundo, a diretoria não só aceitou a ideia, como deu carta branca para colocar em ação o projeto piloto: “Desenvolver uma linha exclusiva para venda direta ao consumidor, desenhada para atender as demandas da brasileira e seguindo a tendência de usar cosméticos para home care com performance profissional”, conta Murilo Reggiani, que saiu da reunião como sócio-diretor de varejo para Brasil e detentor de 80% da operação no Brasil contra 20% do G.V.F., grupo do qual a Itely faz parte.
Prestígio na prateleira
Ávido por voltar ao mercado de beleza depois de sete anos de non compete por vender sua Vult ao Grupo Boticário, o executivo desenvolveu a nova linha Itely Varejo com a curadoria dos italianos e a expertise de profissionais brasileiros em apenas quatro meses. “Era o tempo que eu tinha para conseguir lançar em primeira mão na Beauty Fair. Apostei que daria certo porque os lojistas tinham uma memória afetiva da Itely e associavam a marca à qualidade profissional. A recepção foi melhor do que eu esperava, tanto que conseguimos exposição de prestígio para os produtos em algumas das principais redes de perfumarias do Sudeste ao Nordeste. Uma conquista relevante, porque a gente sabe que hoje em dia não existe espaço vazio em prateleira; e que para um cosmético entrar, outro precisa sair”, diz o sócio-diretor.
Status da perfumaria nacional
Passado um ano do lançamento de Itely Varejo, Murilo Reggiani reflete: “Como agi com muita pressa, algumas coisas não saíram como eu pensava, claro. Mas tenho encarado tudo isso como um período de aprendizado. Até porque eu sabia da transformação da perfumaria nesse meu sabático, só não tinha ideia de que ela tinha sido tão profunda. Me surpreendi ao descobrir que redes que tinham 15, 20 lojas agora estão com 50, em como a jornada do consumidor vem sendo desenhada com inteligência, a forma como os dados são usados para ajudar na tomada de decisões mais rápidas e acertadas, no investimento em experiência e atendimento do consumidor… Esse nível de profissionalismo do varejo de perfumaria multimarcas no Brasil dá aula para Ásia, Estados Unidos e Europa”.
Novidades em breve
O mergulho no mercado nacional também tem feito o executivo repensar algumas estratégias, como a de reposicionar a marca tal qual ela merece e tem potencial e oferecer uma assistência ainda mais próxima aos primeiros parceiros que lhe abriram as portas. “No início, quando você tem dois, três clientes em alguns Estados não consegue dedicar a atenção devida, nem tem musculatura para impulsionar a marca em todos eles simultaneamente. É preciso acertar a distribuição local para poder crescer executando o trabalho como deve ser feito. Por isso decidi reduzir um pouco a marcha, repensar a rota e me reestruturar, inclusive em relação ao mercado digital. Uma vez que tudo estiver redondo nos clientes que já nos prestigiam, começo o processo de expansão com o cuidado e atenção que os amigos de outras regiões merecem. Na verdade, era disso o que eu estava com saudade”, entrega Murilo Reggiani. Spoiler: as primeiras mudanças serão vistas já no início do segundo semestre.

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