O sucesso do engajamento de produtos de beleza depende, muitas vezes, de um storytelling que se apoia na sensorialidade: luzes, cores, aromas, texturas e sons que acionam sentidos e emoções, transformando visitantes em compradores. Uma pesquisa da Globo Gente de 2026 mostra que 78% dos consumidores gostam de experimentar itens no PDV e 91% comparam marcas, tornando essencial um plano sensorial que aproxime o físico do digital. A geração Z privilegia o apelo visual e a satisfação instantânea, o que levou marcas como YSL Beauty a criar espaços para registro de conteúdo com iluminação e cores valorizando a autoexpressão. Aromas, como os de Lush, atuam como memória sensorial e podem aumentar o ticket médio, desde que observada a cautela para evitar poluição olfativa. Sons influenciam o ritmo da compra, com playlists bem curadas na Sephora contribuindo para uma experiência agradável. O toque também importa: testers e a possibilidade de sentir a textura dos produtos fortalecem a decisão de compra, especialmente no varejo físico. Além disso, a IA já é utilizada para orientar escolhas e ofertas: L’Oréal Paris lançou um testador virtual; Grupo Boticário e Natura desenvolvem soluções de CRM e assistentes digitais. Por fim, a temática será destaque na in-cosmetics Latin America 2026, com o Sensory Bar para experimentar texturas e fragrâncias e premiar inovações sensoriais.
Resumo supervisionado por jornalista.O sucesso por trás do engajamento de um produto, seja ele no PDV ou no digital, se dá muitas vezes por conta de um bom storytelling. Afinal, uma história bem contada pode cair nas graças do público e fazê-lo se apaixonar verdadeiramente pelo que consome. E, a partir disso, as marcas da beleza têm apostado cada vez mais em um elemento importante: a sensorialidade.
Luzes, cores, sabores, aromas, texturas e sons são responsáveis por ativar no indivíduo capacidades sensoriais como visão, audição, tato, paladar e olfato. Por trás desses sentidos emergem-se as emoções.
Uma pesquisa do Globo Gente de 2026 revelou que 78% dos consumidores brasileiros de beleza gostam de visitar lojas físicas para experimentar seus produtos pessoalmente. No ponto de venda, qualquer dúvida pode virar uma certeza. Diante deste cenário, arquitetar um plano sensorial instigante para o ponto de venda passa a ser essencial para transformar visitantes em compradores fiéis e aumentar o número de conversões.
Fatores sensoriais que instigam
Luz e cor criam cenários cativantes (e instagramáveis)
O levantamento da Globo Gente revelou também que 91% das pessoas comparam marcas antes de realizar a compra. Esse comportamento do consumidor está relacionadoa ao valor que ele agrega à marca e sua identidade. E, mais do que financeiro, fatores visuais e de influência também são grandes protagonistas em sua escolha.
A geração Z, imediatista e muito conectada, inicialmente analisa o potencial de um item através das redes sociais, e aqueles que destacarem o appeal visual de seus produtos, seja através das embalagens ou a maneira como eles são dispostos nas gôndolas, pode gerar altos valores de conversão.
A YSL Beauty, entendeu que esse consumidor aliado ao digital busca gratificação instantânea dentro do varejo de beleza. Segundo uma pesquisa da ICSC (Innovating Commerce Serving Communities), 97% dos jovens compram no varejo físico buscando sentir algum tipo de satisfação. Seguindo neste caminho, a marca de luxo desenvolveu espaços conceituais para registro de conteúdo em redes sociais, com luzes e cores que valorizam a auto expressão.
Aroma também é memória sensorial
O mercado da perfumaria também foi impactado pelos desejos de consumo imediatistas dos jovens da geração Z e os millenials. Os cheiros têm o poder de evocar memórias e propôr experiências sensoriais de qualidade para o consumidor.
As lojas da Lush Cosmetics, grande varejista internacional de produtos para cuidados com a pele, emite os cheiros de suas essências antes mesmo do consumidor entrar na loja. Com um varejo físico altamente perfumado, a marca cria um convite sensorial para o cliente.
Há evidências consistentes de que os aromas influenciam o comportamento. E, na prática, a essência também é o produto. Então, o ato de aplicar fragrâncias ambientais (leves ou cítricas) na entrada dos pontos de venda pode sim instigar o cliente significativamente.
Produtos no PdV com cheiros agradáveis atraem atração espontânea e são capazes de influenciar na decisão de compra, aumentando em muitos casos o ticket médio do cliente no estabelecimento. Porém, esta ação exige cautela e muitos testes, já que a poluição olfativa (excesso de odores) pode causar o efeito contrário.

Os ritmos e sons que vêm da música
Muita gente sabe de cor as músicas que tocam em lojas de departamento, em muitos casos isso gera uma lembrança positiva em relação ao local e pode surtir efeito benéfico na hora de compra. Porém, também é fato que sons muito agitados, em horários de pico, podem causar estresse no consumidor, o que prejudica a experiência e diminui o ticket médio.
O som, por funcionar como um modulador de comportamento, pode ajudar a ditar o ritmo da compra e até mesmo a energia. A Sephora, por exemplo, é uma das varejistas que se destaca por suas playlists enérgicas (porém pontuais) no varejo físico.
A marca entendeu a estratégia da curadoria musical, com playlists que contemplam seu público diverso e transformam o espaço em uma experiência de compra agradável e energizante.
Todos priorizam o toque e a textura
A geração Z passou a priorizar o preço acessível como um dos fatores mais importantes para sua decisão de compra; no entanto, eles não abrem mão da qualidade dos materiais e da transparência das marcas com seus produtos. Embora o e-commerce faça muito sucesso por si só, a decisão de compra está muitas vezes pautada na ida à loja física, onde se pode sentir o item e sua textura.
A pesquisa da Globo Gente confirma essa máxima, com uma grande parcela de entrevistados afirmando a importância de sentir a consistência dos cremes, ou o acabamento dos cosméticos em seus dedos.
Nesse sentido, os testers dos produtos são importantes para que eles se tornem um alvo de desejo ainda maior por parte do consumidor. Perfumarias e pontos de venda físicos que dão enfoque neles têm grande chance de elevar a experiência do toque para uma conversão em venda.
Como a inteligência artificial atinge a sensorialidade
Um estudo da Bain & Company de 2026 revelou que 77% dos brasileiros já usaram ferramentas de IA para auxiliar em uma compra. O país é líder no consumo da inteligência generativa, superando até mesmo os Estados Unidos em alguns critérios.
Com uma simples pergunta, a inteligência generativa pode auxiliar um usuário em segundos à encontrar produtos que o agradem. Por funcionar via ranqueamento de informações, a IA pode servir como um reforço tecnológico para o varejo. Isto é, ela pode auxiliar as marcas de beleza e lojas com suas funcionalidades, ampliando ainda mais o contato com o usuário.
Por exemplo, a L’Óreal Paris foi uma das primeiras a lançar um testador virtual de coloração de cabelo. As pessoas podem utilizar a tecnologia para se enxergar em diferentes variações de cores dos fios.
Empresas nacionais do varejo de beleza também têm investido no uso de inteligência artificial. O Grupo Boticário lançou em 2025 um sistema generativo próprio que o auxilia na gestão de relacionamento com o cliente (CRM), monitorando seu comportamento através de dados e disparando ofertas e mensagens personalizadas.
A Natura já anunciou o desenvolvimento de um assistente de IA, que funcionará como um assistente de consultoria digital, recomendando kits e rotinas para o usuário.
Sensorialidade será tema de evento do setor de beleza
A experiência sensorial como alavanca de vendas também ganha destaque na in-cosmetics Latin America 2026, que acontece nos dias 23 e 24 de setembro, em São Paulo. O evento apresentará o Sensory Bar, espaço dedicado à experimentação de ingredientes e formulações que exploram diferentes texturas e sensações nos cosméticos.
No local, profissionais da indústria poderão testar formulações com efeitos de aquecimento e resfriamento, geleias, manteigas e fragrâncias. As soluções apresentadas participarão de uma premiação dedicada à inovação sensorial.
