A escalada dos conflitos militares entre Estados Unidos, Israel e Irã trouxe impactos significativos para o mundo todo, e mesmo quem não se envolveu sentiu as consequências. Desde a ordem geopolítica até a economia, o fato é que muita coisa se alterou. No varejo, por exemplo, a alta no valor dos barris de petróleo foi apenas um dos fatores determinantes na flutuação dos preços de produtos, e assim, a beleza acaba por se tornar mais cara – e estratégica.
Um exemplo recente e didático vem da Procter & Gamble (P&G), que acaba de divulgar um relatório que mostra o impacto de US$ 150 milhões em seu lucro anual devido ao aumento do custo de insumos em função do conflito no Oriente Médio. Isso mesmo com a demanda por seus produtos de cabelo e cuidados com a pele mais caros ajudando a companhia a superar as expectativas trimestrais.
Segundo artigo da Reuters, os custos operacionais elevados pela guerra incluem a inflação, o aumento do custo em insumos, commodities e matérias-primas, assim como a interrupção das logísticas de transporte pelo fechamento do Estreito de Ormuz e o preço dos combustíveis para transporte aéreo.
Números altos para o varejo dissipados pela guerra
Para além dos fatores já citados, o custo de insumos como plástico e papel para embalagens de produtos também aumentou. Fora isso, com o valor das tarifas pagas pela P&G ao governo americano, a previsão de impacto negativo nas contas da gigante da beleza gira em torno da casa dos U$S 400 milhões.
Atualmente, a P&G segue com um processo de solicitação de reembolso dessas tarifas, que são impostas pela Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Este estatuto, porém, foi invalidado em fevereiro deste ano pela Suprema Corte dos Estados Unidos, o que encorajou a companhia à seguir adiante com a ação compensatória.
A resiliência da beleza
Mesmo em tempos de crise, a venda de produtos para cabelo e tratamentos faciais segue em alta. A L’Óreal Paris, concorrente da Procter & Gamble, registrou um aumento de 2% em seu volume orgânico total, impulsionado por um crescimento de 5% na categoria de beleza, diante de um aumento de 1% no preço total de seus produtos.
Isso mostra que, apesar das dificuldades impostas pelo conflito, a solução é investir em produtos para que haja um retorno. Mesmo com as perdas registradas pela P&G, seus itens consumíveis ainda fazem sucesso nas prateleiras das perfumarias. Só em 2026, a marca aumentou seu volume de produtos em três de seus cinco segmentos da beleza. As linhas de Shampoo Pantene e o creme facial Olay, por exemplo, possuem preços altos nos mercados da América do Norte e Europa, o que impactou positivamente no lucro das vendas no varejo.

O que o varejista brasileiro precisa saber
Em nota, Shailesh Jejurikar, CEO da Procter & Gamble, afirmou: “Estamos aumentando os investimentos para acelerar o crescimento junto aos consumidores, apesar do desafiador cenário geopolítico e econômico”. O executivo denota a importância da injeção de dinheiro por parte da empresa para continuar acelerando seus resultados como também entende o papel do consumidor diante destas crises.
O varejo brasileiro já está acostumado com as oscilações cambiais e custos de logística elevados, então, até o momento, os varejistas nacionais não têm demonstrado muita preocupação em relação aos impactos dos conflitos no Oriente Médio.
A categoria de consumidores do Brasil caracteriza-se de diversas formas, no entanto, a base para o varejo se concentra principalmente em famílias que possuem o orçamento mais apertado, e a elevação dos preços de produtos pode ser um problema. Enquanto pessoas com boas condições financeiras consomem produtos com mais tranquilidade, na maioria dos casos, os que possuem baixa renda acabam precisando economizar em seus orçamentos.
Diante disso, o varejista se encontra no meio do fogo cruzado, e os consumidores que sentirem necessidade irão migrar para marcas mais baratas. Diante disso, é preciso entender que a guerra irá impactar diretamente nos preços das gôndolas e será necessário se preparar para possíveis cenários.

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