No último dia do Beauty Show 2025, um encontro reservado entre indústria e lojistas de perfumaria jogou luz sobre um tema que tem ganhado espaço — e urgência — no varejo de beleza: a inteligência de dados.
Durante um café da manhã estratégico, foi possível perceber que a forma de pensar o ponto de venda está mudando. Os números apresentados mostraram que, cada vez mais, as categorias de maquiagem e unhas se apresenta como uma grande alavanca de crescimento de negócios nas perfumarias.
“Um movimento importante que vem surgindo dentro das perfumarias é o uso de dados. Para que o mercado possa continuar evoluindo, tanto na estrutura mercadológica, quanto na informação sobre as categorias de produto e na relação entre a indústria e o varejo, é fundamental o uso de dados para atingir um próximo patamar de crescimento”, afirmou Cesar Tsukuda, CEO da Beauty Fair Co.
O setor, que sempre teve um pé no feeling, agora vê na informação sua principal alavanca de decisão.
Entre números e decisões

O encontro reuniu líderes do varejo e executivos da indústria para discutir como maquiagem e produtos para unhas podem ser mais estratégicos do ponto de venda. Dados inéditos e análises de comportamento de consumo criaram o pano de fundo para conversas que vão além do giro de produto: passam por planejamento, curadoria de sortimento, promoções e estratégias comerciais mais eficientes.
“Essas informações são provenientes da nossa parceria com a Scanntech, que tem uma tecnologia que consegue ler cupom a cupom no ponto de venda e consegue identificar qual que é a categoria que está mais em destaque nas perfumarias”, explicou Deborah Huff, Gerente de Marketing da Beauty Fair
Prova disso é que, segundo dados da Scanntech, as categorias de maquiagem e unhas cresceram 18% nas vendas físicas no último ano. O número, por si só, já chama atenção. Mas é a forma como essas informações estão sendo utilizadas que realmente sinaliza uma mudança de patamar no setor.
Sentir o mercado não basta

A intuição, por muito tempo considerada ferramenta-chave no comércio, já não se sustenta sozinha diante de um mercado mais competitivo e fragmentado. Os relatos dos lojistas presentes mostraram que o acesso a dados de qualidade tem se tornado parte do dia a dia da operação — e uma vantagem clara na hora de decidir.
“A tomada de decisão através de feeling já acabou. Hoje nós temos bastante dados de participações de mercado, de categorias e marcas, até mesmo de tendências da indústria que nos ajudam na tomada de decisão para o nosso negócio”, comentou Micael Park, da Ikesaki.
Entre os dados apresentados, chamou atenção o detalhamento das categorias: os esmaltes de unha representam 60% das vendas no setor de Unhas. Já na Maquiagem, os produtos de rosto lideram com 33,7%, seguidos pelos de boca (21,2%) e olhos (21%). No Skincare, o hidratante corporal é o mais vendido (27%), seguido pelo protetor solar (21%) e os tratamentos faciais (20%).
Informações como essas ajudam a responder perguntas que não podem mais ser tratadas apenas no “achismo”: o que entra na gôndola? O que merece reposição? Como se monta um mix mais rentável? “Tanto nós, como lojistas, quanto a indústria, precisamos fazer uso dos dados. Assim, conseguimos melhorar o mix de loja, de condições, assim como nossas promoções”, reforçou Akio Uehara, da Takeo Perfumaria.
A informação como ferramenta de futuro
O avanço do uso de dados não está limitado a relatórios: já impacta a estrutura tecnológica de redes que operam com dezenas ou centenas de lojas.“Nós estamos com uma inteligência artificial interna para fazer a análise de dados, e assim, possamos avançar com o uso dessa ferramenta que tem sido muito positiva pra gente”, relatou Danilo Loretto, da Sumirê.
A aproximação entre indústria e varejo segue sendo importante, mas é a mediação por dados confiáveis que começa a redefinir o tom dessas relações. Não se trata mais de apenas vender bem — mas de entender, com clareza, por que e onde cada venda acontece.
A inteligência de dados deixou de ser diferencial. Virou condição para quem quer crescer.
